quinta-feira, setembro 03, 2015

Destarte

O reflexo da bandeira cintilante
O voo do foguete sem asas
A ponta quebrada do lápis
Coirmãos de um verso estéril

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sexta-feira, agosto 28, 2015

Nas dobras do tempo



















Os meus amigos ficaram burros,
Empobrecidos em meio a nevasca.
Ficaram só
Batendo espelho
Sobre todos os egos.

Escorre por entre seus dedos
A máscara desfeita
O pó dos sonhos e a estrela das eras.

Os meus amigos ficaram burros,
Entregues a monotonia das coisas
Pobres caravelas partidas e abandonadas
Em portos abarrotados de solidão.

Os meus amigos ficaram burros,
Já não sabem mais distinguir
Se é noite, dia ou poesia...
Escrito nas dobras do tempo
Os meus amigos não sabem ler mais nada.


Fabiano Silmes - 01/08/2015 Às 04: 27 AM

terça-feira, agosto 11, 2015

Prece






O dia começou chuvoso em minha alma...
Quem sabe com o decorrer das horas
Um Sol calmo surja por entre as nuvens
E propicia-me a luz que eu quero e mereço.
(Por enquanto, tudo é noite, é frio, é tempestade,
é préstito de sombras e alegrias desencontradas)
Mas nenhum rumor de pressa ou medo me aflige
Carrego toda coragem pra vencer a intempérie
E escrever no impreciso tempo a minha história
Cheia de tudo que resta dessa esperança baça
Mas que assim mesmo brilha mais do que a chuva
Que molha, invade, inunda mas não me subverte.


Fabiano Silmes

terça-feira, julho 21, 2015

O espelho


De novo a história do espelho
Eu olho para o espelho
O espelho me observa
Quem é o espelho
O que é o espelho
Por que me observa
Quem olha o espelho
Há um espelho dento do outro espelho
Quantos espelhos existem
Quantos espelhos permeio
 Dois espelhos constroem o infinito
Mil espelhos para cada verso
Mas o espelho não faz poesia
O espelho só reflete a realidade
Ou pode o espelho ver além dos olhos
Traz o espelho desejos vindouros
Traz o espelho lembranças empoeiradas
Apenas um verso sem espelho
Um verso sem espelho não muda o mundo

O espelho muda a cada mo(vi)mento

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O querer




O que dói não é a dor, mas o corte;
O que mata às veze liberta;
O que ama às vezes destrói;
O que deseja é o que se quer,
Mas nem sempre se tem o que deseja,
Mas sempre se quer mais do que se tem.

E, por isso, tão cheios de querer
Às vezes nos sentimos vazios
E vazios revelamos nossa  fraqueza.

Às vezes o mais forte chora
E às vezes os mais fraco sorri ao seu destino.
No entanto, não chora e nem sorri o destino:
Ele apenas segue seu curso...
E como o correr das águas calmas de um rio
Vai refletindo a inalcançável beleza do céu.

Fabiano Silmes 

sexta-feira, junho 19, 2015


O mundo está cheio de tudo
O mundo está cheio de nós
Nós tentando passar por cima de tudo
Tudo tentando passar por cima de nós

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Mexican artist, Smithe One’s series "Brick and Meat"

terça-feira, junho 09, 2015

O Gladiador


As pessoas costumam apostar contra mim nas arenas
Deixar me influenciar por seu julgamento
É sufocar meu desejo de triunfar
E entregar meu sangue de antemão
À punhalada da lâmina fria

Não preciso calar a multidão
Seus gritos aguçam meus sentidos
Meu dever é saber quem sou
Dominar a fera que tenta sobreviver às custas da minha carne
E conduzir meu destino à foz de sua razão


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image: ©2013-2015 GiardQatar




Acreditava reinar soberano
Mas após tantos gritos de desejo
Acabou por despertar a consciência
Dividindo o homem em dois reinos

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image: http://www.normanmolinari.com/

terça-feira, junho 02, 2015

Poética

Me de sua mão
Venha comigo
Não precisa temer
Não lhe fará mal
Nem sentirás dor
Apenas abrirei sua cabeça ao meio
Espatifarei seu cérebro em mil pedaços
E implantarei mil olhos
Através de palavras nunca ditas

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Eu e a cidade
Apenas
O vento e o concreto
A ecoar meu silêncio
Os becos desdenham de meus passos
Forçando-me ser poeta

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Sigamos



O caminho é sinuoso
Solitário
Bucólico
A paisagem é vermelho sangue
Contrasta com o céu azul
Em sua travessia reside o destino

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domingo, maio 31, 2015

O grito no vazio



Te gritei na multidão
Mas nosso olhar não se cruzou
Persegui, empurrei, corri, esbarrei
Nunca desisti
Mas sua imagem esvaeceu
Me deixando perdido, vagando sem direção
Em penitencia da esperança
Passei a encarar todos os rostos
Tentando te encontrar
Em meio ao mar de identidades
Um naufrago solitário
Confesso, que se afoga em saudade


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Óptica



Meu mundo
Visto pelo lado de fora
Não parece meu mundo
Parece seu mundo
Visto pelo lado de dentro
Do meu mundo


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Anti

Garden of Selves by Robert and Shana Parkeharrison 

Um homem acorda
Dez mil dormem
Um pensamento nasce
Planta-se uma semente
Brota uma dúvida
Cresce uma tormenta
Assassinos espreitam



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Ser



Eu pensava ser grande
Encontrei um ser maior
Eu pensava ser pequeno
Encontrei um ser menor
Pensei ser médio
Não encontrei ser igual
Deixei de ser



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Ensinamento


a estrela jaz morta
mas sua luz ainda guia
mesmo o guerreiro valente

teme a noite fria

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Quem está no controle?




Este é o jogo
sonhar dentro de um sonho
e pela fechadura
observar a realidade

homens alimentando mundos
e mundos devorando vidas.

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sábado, maio 23, 2015

............................V...P

Vortex Project...
O que há do outro lado?
Como saber?
Um passo a frente
Mais um, depois outro
Movimento e ciência
Mudar para manter
Sustentar para viver
Você não está mais no mesmo lugar






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Algo desconhecido




Desceu pelo nada
Translúcido, estranho, disforme
Era possível percebê-lo
Mas não compreender
Ao tentar descrevê-lo no papel
Um poema borrado




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terça-feira, maio 19, 2015




O que poderia
    mas não foi
       é quimera
Seu veneno carregado de culpa e delírio
                       tortura 
                       através de infinitas conjecturas

Um monstro que nasce da dúvida
                                               e
                                               alimenta-se da imaginação
Nos mantém ancorados ao presente
                              escoltados por nossas próprias escolhas
Durante uma incessante chuva torrencial de possibilidades
Onde cada passo é uma sentença

                               vital para um caminho
                               final para muitos

Dos intangíveis universos paralelos de ventre especulativo
Fantasmas que assombram a psique
Zombando por detrás das portas que deixamos de abrir

Mas que de uma forma ou outra nos trouxeram até aqui


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terça-feira, janeiro 13, 2015

Miragem mulher



























Tens a exata medida dos meus olhos
Quando eles derrapam por tuas curvas
E reentrâncias sob o aprisionamento das tuas vestes...

Ah, que vontade de fugir de mim e percorrer-te
Como peregrino a cruzar o mais perigoso deserto
Só para matar a sede em ti...

Fabiano Silmes

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Tudo pode
Na ponta da caneta
Extensão do
Pensamento
Desnudado
Na ponta
Da caneta
O original
Nasce
Pelado.



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Dupla face

Pré-História
FonoGrama
Matéria-Prima
Ultra-Leve
AguArdente
Quebra-Cabeça
AntiDepressivo
Criado-Mudo
Porra-Louca
Passo-A-Passo
Vai-E-Vem
GirasSol
Arranha-Céu
Vira-E-Mexe
Guarda-Chuva
Quebra-Mar
Quarta-Feira
Bem-Te-Vi
Meia-Lua
Meia-Luz
Meio-Dia
Cheiro-Verde
Verde-Amarelo
ParaQuedas
Sem-Vergonha
Prima-Vera
Saia-Justa
Obra-Prima
Prima-Dona
Recém-Chegado
Amor-Perfeito
Vira-Lata
Corpo-A-Corpo
Quero-Quero
Boca-A-Boca
Beija-Flor
Treme-Treme
Pisca-Pisca
PsicosSomático
Bem-Me-Quer
Rosa-Dos-Ventos
Além-Mar
Além-Tumulo
Louva-A-Deus
Belas-Artes
Auto-Estima
Salva-Vidas
Recém-Nascido
Sem-Fim



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