segunda-feira, setembro 08, 2014

IMPACTUS VITAE

Vida que subitamente me escapa
Pedra corpo nu e verso lançado...

Na delicada vidraça que se quebra
Espalhando-se em mil pedaços:

Uma alma partida entre os estilhaços.

Fabiano Silmes


segunda-feira, agosto 25, 2014

TRÁGICA MORTE

 P/ o meu amigo Clendison.

 Andava sempre na linha dos fatos
Até a vida passar por cima dele
E reduzi-lo a versos e memória.

Da página abruptamente arrancada
Ainda ecoa seu grito feito de vento.



Fabiano Silmes

quinta-feira, julho 17, 2014

Antimatéria

A nova experiência ... Smooth Space Jazz Hip-Hop Beats!!

Rhodes and piano samples by JFILT

Background Fire Girl Image by http://screativeimage.com/

Good Vibes!!!

quarta-feira, junho 04, 2014

NAU À DERIVA


Todos juntos no mesmo barco
Papo furado igual a queijo suíço
Cheio de ratos para todos os lados
Devora o espanto o coração na boca
As mãos em declínio de movimentos
No embalar de coisas no mesmo pacote:
- Tudo se torna farinha do mesmo saco.

Fabiano Silmes

MANHÃ (IN)COMPLETA


Dia frio, manhã deserta
Pombos pousados no silêncio 
Dos fios de eletricidade
Calçada vazia de passos 

No interior casa fechada
Um livro aberto sobre o colo
E pelo buraco da fechadura
um mundo de possibilidades
me convidando pra fugir de mim

Fabiano Silmes
/ Carlos Orfeu

PESO MORTO















Tinha sido espancado, violentando e esquecido nos 15 anos em que esteve preso injustamente. Após todos os tormentos do cárcere, nos primeiros instantes em liberdade, Alberto olhou para o céu e disse: deus é grande. Em seguida dois filetes de prata caíram daqueles tristes olhos feridos pela luz.

Fabiano Silmes.

quinta-feira, maio 08, 2014

O REGRESSO

Depois de muito tempo
Vagabundeando por aí
Ela abriu os meus olhos
Com promessas de não
Partir mais da minha vida.

(É claro, que desconfiei).

Então veio com aquele papo
De dizer que estava volta
E que não me deixaria mais
Que era para eu a perdoá-la
Que ela não ia fugir mais não

Considerei até o silêncio frio
Diante aquele pedido inusitado
Afinal ela que havia me deixado
Para cair nos braços vagabundos
De poetas e malandros da cidade.

Entre o sim, o não e o talvez...
Calei o ódio e mandei à merda
Todos os meus vis ressentimentos
E disse a ela com todo meu amor:

Entre, seja bem - vinda poesia...
Sabes que essa cama é toda sua.

Fabiano Silmes

quarta-feira, maio 07, 2014

Total Music Lab

Criei um canal no YouTube onde concentrarei as criações multimídia do meu Lab. Neste primeiro trabalho, uma composição soft-clean, uma espécie de valsa relaxante, adequado para curtir uma vibe zen  ...

Abaixo o link para o canal e o vídeo:

https://www.youtube.com/user/totalmusiclab


terça-feira, abril 15, 2014

Aquário sem salva-vidas



O fim se aproxima, as águas negras e sujas envolvem o naufrago em círculos desconexos. Exaurido e frustrado pelo esforço físico, ele sente o pulmão sendo invadido por espuma e medo. Indo e vindo, ondas escurecidas se chocam contra o seu rosto quase submerso, grossas e pegajosas com o óleo do navio partido nas pedras, ao longe. Um pouco mais de ar, ele tenta respirar, em meio a todo aquele inferno líquido. Estava esgotado e visivelmente triste, triste como quem caminha ao longo da praia deserta sem esperança de voltar ao ponto inicial. O fim, o fim sem quaisquer eufemismos tendenciosos e esperanças inúteis. Consciente da delicada situação em que se encontrava, ou mais apropriadamente o calvário que se encontrava, ele tentava manter-se calmo, embora, seus gritos afogados dissessem o contrário. Resoluto da impossibilidade de encontrar qualquer ajuda, ali, há milhas e milhas da costa mar adentro, conservou até o último momento de agonia a dignidade de não fazer qualquer oração a nenhum deus dentro daquele firmamento enegrecido. Então, de repente, quando tudo parecia ter uma daquelas lindas reviravoltas Wollywoodianas, as ondas ficam mais agitadas e destemidas. Naquele indo e vindo angustiante. O fim inexplicavelmente, daquele rapaz tão cheio de vida que outrora pescava e era feliz em seu povoado. O corpo cada vez mais fraco deslizando para dentro de abismos inalcançáveis... O fim de todos os sonhos depositados além do porto. Eram seus últimos suspiros. Foi nesse instante, somente nesse instante - eu repito - que suas lágrimas mornas e desesperadas encontraram o conforto das águas frias e salgadas do oceano. A partir daquele ponto nada mais o salvaria de seu destino... Corte súbito. Cenas dos próximos capítulos.


Fabiano Silmes

A MISSÃO DO POETA





“Vivo ou morto o poeta trabalha para consolar quem precisa”. - Fabiano Silmes.

terça-feira, março 25, 2014

O ASSASSINO ERA A VÍTIMA



















Roubado e agredido, a vítima se volta para seu agressor e diz quase em lágrimas: _ Obrigado pelos socos e tapas, realmente precisava disso!Agora sobre o que roubaste – oh, ladrão maldito - jamais o perdoarei pela taça de veneno que arrancaste de minhas mãos para  beber tudo como se fosse o líquido fatal o mais delicioso dos vinhos.

Fabiano Silmes



segunda-feira, março 17, 2014

POEMA PATÉTICO














Aí, ela me diz: eu te amo.
Aí, eu vou e digo: eu também te amo.
Aí, o teto, as paredes, os muros desmoronam
E a gente fica se olhando no meio da sala
Como tristes prisioneiros um do outro...
Até o tempo corroer a foto patética.

Fabiano Silmes

sexta-feira, março 07, 2014

DEPOIS DA GUERRA FRIA














Fim - Acabou a trégua!
Agora, daqui pra frente.
Será nação contra nação
E a paz medida a régua.

Fabiano Silmes

quinta-feira, janeiro 30, 2014

A FLORENÇA DOS TRÓPICOS REVISITADA
















Recife é um monstro
Uma hidra com várias cabeças

Recife é um mundo dentro de outro
Uma realidade de faca na face do Brasil

Um dedo apontado na ferida
A sangrar tempestades e flores

Recife cidade de tantos habitantes
Abençoados pela lama do mangue.

Recife, Recife, ah, quantos recifes
Cortando e sendo cortada pelo fio
Das águas maltratadas do Capibaribe!

Recife dos seus cidadãos do mundo,
E das suas cores, formas e paladares,
E de sua geografia da fome na alma

Recife: monstro de mil cabeças
Num corpo de um gigante
Feito a própria natureza de seus passos

Recife anda... Anda não! Marcha!
Cercada de ritmos e de história...

Incrustadas, no tempo e no espaço,
Qual caranguejo nos manguezais.

Fabiano Silmes

sábado, janeiro 25, 2014

Existência


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Vim, vi e venci. Depois, o tempo me arrancou os olhos.
_ Fabiano Silmes
 
Image: to0T4L