sábado, agosto 25, 2012

O Abismo


Debruço-me sobre minha própria borda
E o que vejo no escuro que não se sente
Porém que se toca sem se tocar de fato
Espreita-me como bicho ferido e acuado.

A minha essência mais do que verdadeira,
Despida, noto-a triste e desprovida de tudo
Sou fogo, mas cobre-me o frio do incerto
Sou frio, mas aquece-me todo o universo.

Os meus olhos, em silêncio, rasgam o breu
E o que não vejo lá em baixo não se move,
No entanto, faz mover o mundo e as coisas..

Ah, desesperado para ver o limite dos sonhos
(Olho com igual franqueza d’espírito o amplo)
Arremesso uma pedra, mas não ouço o fundo.

Fabiano Silmes


2 comentários:

Lu Rosário disse...

É um perigo o alcance à borda, melhor não encarar os limites e andar em desatino.

Beijos.

Fabiano Silmes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.