sábado, agosto 25, 2012

O Abismo


Debruço-me sobre minha própria borda
E o que vejo no escuro que não se sente
Porém que se toca sem se tocar de fato
Espreita-me como bicho ferido e acuado.

A minha essência mais do que verdadeira,
Despida, noto-a triste e desprovida de tudo
Sou fogo, mas cobre-me o frio do incerto
Sou frio, mas aquece-me todo o universo.

Os meus olhos, em silêncio, rasgam o breu
E o que não vejo lá em baixo não se move,
No entanto, faz mover o mundo e as coisas..

Ah, desesperado para ver o limite dos sonhos
(Olho com igual franqueza d’espírito o amplo)
Arremesso uma pedra, mas não ouço o fundo.

Fabiano Silmes


quinta-feira, agosto 23, 2012

A Transpiração da obra


A minha obra saí à ginástica!
O suor escorre entre os dedos
E caí suave sobre as palavras.

Logo, quando a lida se encerra,
Apresento-a ao meu pensamento
(Severo juiz de minhas criações).

Então, como que saudando o novo
Deslizo os meus dedos sobre a lira
E todo o esforço antes pressentido
Se funde e se transforma em versos.

Fabiano Silmes

sexta-feira, agosto 10, 2012

Contra luz e sombras


Quero o mundo sem diferenças.
Quero um mundo sem religião
Ou que a religião traga união
Em vez de medo, dor e morte.

Quero ver os soldados livres
De suas artilharias e trajetórias
Quero o silêncio final ao medo
Imposto na cidade invadida.

Quero o riso claro da criança
Em vez desse olhar desolado
Por sobre as coisas destruídas.

(Em cada momento sem luz)

Eu quero que a minha poesia
Não seja apenas algo escrito
Mas que ela seja como tochas

Que iluminem todas as pessoas
Que correm, no coração da noite:
Tristes e caladas, vivas sem viver

E que as aqueçam e as envolvam
Com todo o sentido das palavras.

Fabiano Silmes