sexta-feira, março 23, 2012

Entenda - Se


Quando eu nasci
Veio uma voz chata disse:
Vais ser mais um proletariado

Logo, ouvi outra mais delicada
Dizer insistentemente
Que fazia sol lá fora

Triste, eu pensei: Ah, minha vida
Será uma coisa besta e sem finalidade...
Mas e o humor?A ironia?
 A transcendência e a poesia?
Onde entram nisso tudo?

Então- súbito- me escapou um riso
Que rompeu o tédio e a conversa

Quando todas as cabeças se viraram
Perplexas em minha direção

Eu cínico e inocente empurrava
As incertezas para debaixo do tapete.

Fabiano Silmes






sábado, março 10, 2012

A voz dos excluídos

A cidade amanheceu mais triste.
A voz que dava vida ao cotidiano,
De repente, silenciou na garganta
Do poeta, que clamava por verdade
Nas crônicas, nos textos e na poesia.

A cidade não pode mais protestar,
Exigir mudanças, desafinar o coreto...
A cidade não pode falar mais nada!

Infelizmente senhoras e senhores:
A cidade perdeu a voz...E a vida!

Fabiano Silmes

sábado, março 03, 2012

Testemunhas de um massacre assistido

Às vítimas de Asma al-Assad

Na cidade bombardeada
Um menino mutilado acena

A cena não é resgistrada:
Os jornais estão cegos e calados...

Mesmo sem braços e vida o menino
Acena insistentimente sob os escombros

Mas todo mundo está cocupado
Com as resoluções não aprovadas
E com as mil e uma decisões políticas

A ONU fala,mas ninguém escuta.
A Cruz vermelha aponta
Mas ninguém vê:

Que entre tiros e bombas e argumentos
O povo Sírio acena com a imobilidade
De seus corpos...

A inércia de todos os estados da omissão
E da culpa de todo e qualquer braço cruzado.

Fabiano Silmes