terça-feira, dezembro 11, 2012

O AVARO DESTITUÍDO


               Economizara a vida toda. Então, na velhice quando finalmente decidira gastar o que acumulara. O coração cansado de privações e desejos não cumpridos, subitamente, parou de bater no peito. Mal o corpo do velho descera à sepultura, os filhos - que sempre viveram à dieta do não - quando puseram as mãos na herança, como forma de homenagear a memória do pai, gastaram até o último centavo fazendo tudo àquilo que ele não fez.

Fabiano Silmes

sexta-feira, novembro 30, 2012


Havia muito mais sofrimento
Concentrado naquele segundo
Do que estrelas no céu
Durante todo sempre

A sensatez não podia ser mais clara:
Nada restava senão lágrimas

Mas vida e escolha
São águas de um mesmo rio
Que corre na veia dos homens

E por razões desconhecidas das palavras
Decidiu por permanecer

Talvez persuadido pela esperança
Talvez inebriado pela cólera

Negou o doce beijo da morte
Rasgou o peito com força
E abraçou o ardente demônio da dor

Pronto
Mantinha-se acessa
A chama de um novo amanhã

301tºtaL112

sexta-feira, novembro 23, 2012

Algum dia




Poderia ter sido ontem
Mas não foi
Pode ser hoje
Quem sabe?
Se não for
Ainda assim
Poderá ser
Talvez amanhã
Ou depois
Quem vai saber?
Se nunca for
Nunca foi
Ninguém quis
Sem querer

2317º07@L112

quarta-feira, novembro 07, 2012

A SANTIFICAÇÃO DA PECADORA





Ele nunca havia transado com uma prostituta. Nem sequer cogitava essa possibilidade. No entanto, um dia desses, conhecera uma dessas meninas de vida fácil - como dizem por aí - num culto que o pessoal da sua igreja realizava pra salvar almas desencaminhadas. Logo que a viu chegar, junto a outros fiéis, prestativo e atencioso ele se aproximou para dar às boas vindas àquela esbelta moça de decote ousado. As gentilezas se estenderam a um bate papo após o culto e um refrigerante numa lanchonete perto da praça. Então, das orações à cama foi questão de apenas duas semanas de descarrego. Depois desse convertimento, noites a fio sua esposa e seus filhos sempre esperam angustiados, o fim daquelas intermináveis vigílias em nome da fé.

Fabiano Silmes

sexta-feira, novembro 02, 2012

UMA COISA BONITA






















- E o seu marido como está?
-Ah, nem me pergunte sobre esse traste... Fico logo zangada...
- Tudo bem não fique nervosa, não tá mais aqui quem perguntou!
- E a sua esposa está melhor?
- Que nada continua na mesma o médico diz que a doença
se alastrou, agora só um transplante pode salvá-la.
- Ah, coitada! Tão jovem ainda!
- É, estamos passando uma maior barra.
-Você tem cigarro o meu acabou?
-Vou ficar te devendo essa fumei o meu ultimo lá em baixo.
-Droga! Que horas são? Tenho que ir. O meu marido vai chegar mais
Cedo hoje...
-Deve ser umas oito horas mais ou menos.
- Putz, eu vou chegar atrasada a beça...
- Que nada! Não exagera, pega um táxi e pronto!
- Você viu onde está a minha calcinha?
-Acho que você jogou em cima da minha cueca.
- Achei. Antes de sair vamos tomar uma ducha, to toda suada?
- Hum, acho que você vai chegar atrasada hoje...
-Tudo bem, qualquer coisa você me leva...
-E qual desculpa você vai dar dessa vez?
-Sei lá a gente inventa uma coisa bonita no caminho.

Fabiano Silmes