terça-feira, dezembro 27, 2011

O itinerário regresso

Às vezes levo os meus fantasmas
Para passear dentro da minha cabeça.
Visitamos velhas fotografias, lembranças
E tantas coisas perdidas pela memória

(Infância, lugares e momentos)

Porém, entre os vestígios quase apagados
Caminho com passos lentos pelas ruas
Que seguem sempre em frente..

- quase mil quilômetros do infinito-

E, apesar, de todo cansaço e espinho
Vou errante como se fosse impelido
Pelo vento que sopra às minhas costas

E só, às vezes, quando paro para descansar
É que me lembro que meus fantasmas,
Ainda, estão vivos.


Fabiano Silmes

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Licença poética

A mosca pousa sobre a página do livro;
Parece querer extrair seiva das palavras.
(Paixão, desencanto, crime e castigo).

Peço desculpas a Dostoievski
E subitamente fecho o livro:

E como num passe de mágica
A mosca passa fazer parte da história.


Fabiano Silmes

quinta-feira, novembro 24, 2011

Poema de despedida

Disfarça amor
Amor disfarça

Finge outra coisa
Menos dor

Vai logo põe riso
Nessa face

Finge que nada
Mudou

Disfarça a mágoa
Pinte o sete

Mas não se esqueça
Do que restou

Disfarça esse coração
Quebrado

Amor disfarça

Finge que não foi você
Que quebrou

Amor disfarça
Eu vou sair para ser feliz
Quem sabe até um dia
Eu volte só para te dizer
O que se passa.

Mas por enquanto amor
Disfarça.


Fabiano Silmes

sexta-feira, novembro 18, 2011

Amy

A voz de veludo
O tom perfeito

A mansa transição
Entre os espaços
Complexos do ser

Jaz aprisionada

Definitivamente
No interior da boca
Da cantora morta e
Enterrada

Sob o silêncio das flores.



Fabiano Silmes

terça-feira, novembro 08, 2011

Palhaço Estrela Coração

O show acabou palhaço
Vai, tire logo essa máscara...

Limpe essa maquiagem do rosto.
Vá, desapareça por entre esta multidão
Que te ama e te detesta, em grito e vaias

O mundo é duro, a luta é difícil, o riso é escasso
Mas não desanime não, lembre-se, meu amigo:

O show acabou por hoje, mas amanhã tem mais.


Fabiano Silmes

quarta-feira, outubro 12, 2011

O pássaro




Pensar num pássaro
é vê-lo de algum modo
livre e belo como um fluxo
preso apenas pela limitação
do próprio pensamento.


Fabiano Silmes

quarta-feira, setembro 21, 2011

Por um triz

Esqueço o que magoa
Concentro positividade

Mesmo naqueles dias nublados
Quando a mente insiste, insiste, insiste
Em enveredar-se por vales sombrios
E navegar mares revoltos

Lembro à vida quem dá as ordens
E abraço o caminho de paz

sexta-feira, setembro 02, 2011

Os ratos

Não sei, ao certo, como aquilo começou, mas, certamente, naquela altura, de nossa relação, tinha chegado a um ponto que não dava mais para ignorar, ainda mais depois dos últimos acontecimentos. É claro que no início, bem no início mesmo, não havia nada ou quase nada que chamasse atenção para o fato. Apenas suspeitas. Mas foi aos poucos, mesmo, que começamos a notar. As coisas, sem mais nem menos, desapareciam e reapareciam roídas, ou mesmo rasgadas, dentro e fora da casa. Deve ser um roedor – Comentou minha esposa no jantar. No início, eram pequenos objetos: livros, cheques, e outros papéis. Mas depois de algumas semanas, aquilo foi se estendendo a objetos maiores e logo já eram cadeiras, mesas, quadros, roupas e porta retratos. De imediato, descartamos a possibilidade de roubo ou coisa do tipo. Afinal, que ladrão entraria numa casa só para morder contas de telefone, certidões e cartões de credito? Entretanto, estávamos tensos com todas aquelas invasões. Se é que era invasão. Eu considerava, até, que aquilo fosse alguma coisa de outro mundo. Uma alma penada talvez... Era realmente estranho, afinal eu vivia a vinte cinco anos, com minha esposa, naquela casa e isso nunca havia acontecido em todo esse tempo que estávamos lá. Não tínhamos filhos, bichos, ou mesmo visitas na casa. Vivíamos, apenas, um para o outro, ali, entre aquelas paredes. Mas aquilo, lentamente, estava nos consumindo. Às vezes eu encontrava minha esposa triste, sentada no chão da sala – não havia mais cadeiras ilesas na casa - e saía para fumar um cigarro do lado de fora. Que explicação eu daria se eu não tinha a menor idéia do que estava acontecendo?Eu estava me sentindo tão frustrado que passava mais o tempo no bar, bebendo, do que em casa. Naquela altura a minha barba era uma mancha preta e branca em meu rosto. Minha esposa já não me perguntava mais nada, apenas me olhava com uma profunda tristeza nos olhos. A casa toda era um só silêncio. Vivíamos mergulhados em nossas próprias memórias. Qualquer coisa era motivo para nos refugiarmos no passado, cada vez mais distante. Teve uma manhã, chegando da noite, que eu encontrei uma fotografia antiga de uma viagem que fizemos ao México. Ah, guardei aquela foto, com todo cuidado e zelo, no bolso do meu paletó, mas depois, de alguns dias, eles sumiram como se jamais houvessem existido. Provavelmente já estavam rasgados ou roídos, em algum canto. Não sei dizer, ao certo, quanto tempo durou aqueles dias de angustias. Mas na noite passada,quando estava quase dormindo, ouvi um ruído, que nem um sussurro pela casa adormecida. De alguma maneira, senti que naquele pequeno ruído estaria a chave de todos os nossos tormentos. Olhei para o meu lado, na cama, minha esposa não estava. Isso termina hoje - disse bem baixinho - para mim mesmo. Era um mistura de medo e ansiedade que senti naquele momento. Fui, na penumbra, explorando a parede, fria, com minhas mãos tremulas até chegar à sala. A casa estava mergulhada numa escuridão tão densa que parecia que a noite era feita de alguma coisa sólida. Então, por descuido ou força do hábito, toquei o no interruptor. Logo, tudo ficou claro e eu vi o que jamais imaginara. Horror, horror... Naquela triste sala vi uma infinidade de coisas espalhadas, e bem no canto, a minha esposa mastigando alguns documentos, com entranha e mórbida voracidade. Quando tentei falar algo, para impedir a insanidade daquele ato, percebi, com igual desgosto, que também havia papéis presos entre os meus dentes. Do lado de fora o dia caía como um peso sobre nossas cabeças, então, naquele momento de indecisa profusão, nos abraçamos. Logo, a luz alcançaria os outros cômodos.


Fabiano Silmes

sábado, agosto 20, 2011

O dia da celebração

Quando ele chegava era um acontecimento. A casa toda se movimentava e nós, em nossas roupas novas, nos apressávamos para recebê-lo à janela. Os nossos olhos brilhavam. O Sol parecia mais terno e as manhãs mais douradas. O vento pendia as folhas desavisadas e as levava para longe. Não me lembro se era sábado ou domingo, só me lembro que havia as inúmeras sensações e um eflúvio de perguntas quando ele chegava: Qual surpresa ele trará consigo dessa vez?Será uma bola?Um rádio? Uma namorada? Atentos aos preparativos para recebê-lo, divagávamos ansiosos, pelo momento aguardado. Havia toda inocência e o clamor da pureza de nosso coração ainda intacto. Quando me lembro das noites mal dormidas, das conversas animadas e tudo aquilo que cercava aquela chegada, uma lágrima se precipita do abismo dos meus olhos. Homens, mulheres e crianças em uma só expectativa. Temos que comprar toalhas novas, não é certo recebê-lo, assim, desse jeito. Daqui a pouco ele estará aqui, portas e janelas abertas, risos nos lábios e uma ardente esperança espalhada pela casa. Havia música, me lembrei agora. Uma música suave pelos cômodos da memória. Era um festim de fim de safra. Todos me olhavam no centro da sala. Congratulações eram desejadas, em abraços fraternos. Ansioso, os meus olhos o procuravam dentro daquelas sensações emprestadas, pelos convidados que chegavam. O que ele trará para mim?- Eu pensava, com angústia e desejo. Minha avó, ainda era viva. Meus tios ainda eram vivos. Eu era menos morto do que agora. Havia outros presentes, mas eu ficava, sempre, atento aquele que faltava. Não havia futuro o que havia, em si, era uma concisão de presentes e mais nada quando ele chegava. Será que ele trará uma bicicleta sob o seu manto?Ah como eu era inocente dos fadários! As luzes, de repente, se apagavam, é o grande momento, eu pensava. As vozes, mais eco do que música propriamente, se adiantavam, em cantoria, descompassada. Todos estavam ali ao meu lado. Ele, definitivamente, chegou, eu me perguntava. Mas cadê ele que não o vejo? Eu era uma só dúvida enquanto todos me olhavam. Vais ser doutor, com certeza, meu menino dizia-me papai. Vais ser professor minha mãe retrucava. Naquele tempo não havia futuro só presente. As coisas eram todas revestidas de eternidade. Mas de repente a música e a alegria cessaram e aos poucos foram partindo, um a um, os convidados. Hoje não tenho mais aquela curiosidade e nem espero, com tanta alegria, os anos chegarem à janela. Em verdade, já não existe, euforia, portas e nem janela na casa onde morei. Tudo veio abaixo para construção desses edifícios tristes que me cercam e não me deixam ver mais nada.

segunda-feira, julho 25, 2011

Uma Crônica para um Renato Crônico

Ele não gostava de barulho, até conversava, mas o que gostava, mesmo, era das idéias vagando dentro da sua própria cabeça. Ninguém percebia isso. Eu mesmo levei muito tempo para perceber... Geralmente a gente se encontrava pelos bares, à noite, sempre em companhia de amigos que tínhamos em comum. Na verdade eu não tinha muita intimidade com ele. Trocávamos idéias rápidas entre um gole e outro de cerveja. Os temas – deixem me lembrar – variavam, ora era uma musica do Buarque, do Veloso, do Gil ora uma indagação politicamente incorreta sobre alguma personalidade local. Ele era bem crítico e criticamente caótico nos apontamentos. Sua voz alta e embriagada atravessava, de um canto a outro, em severas alusões ao um passado sempre presente. As coisas do passado são, quase sempre, mãos delicadas em nosso presente. A cada afago de um momento bom deixa-nos aquele vazio impreenchível das coisas que não voltam. Acho que foi por isso que ele começou a beber mais e mais. A cada copo que ele bebia, dava a impressão que ele estava querendo, de algum modo, preencher esse vazio que, aos poucos, foi devorando, sua lucidez, seus dias de glória, seu convívio e a sua palavra mais forte. Lembro-me de uma vez, bem cedinho, quando saía para o trabalho e o vi bêbado, sem camisa e descalço, sob chuva fina que caia, melancolicamente. Os meus olhos choraram por mim e eu nem me dei conta. Veio o ônibus e eu entrei, quando olhei da janela não o vi mais. Provavelmente nessa época ele já estava tomando os remédios antidepressivos. Se bem que me parece que ele sempre tomou, mas não comentava isso com ninguém. Era o segredo que ele não dividia nem com a própria sombra. No início, o medicamento o deixava sonolento e isso o perturbava, mas, depois ele foi se acostumando e a terra dos sonhos se transformou em seu reinado. Passava às tardes, às noites, os dias dormindo, preso, dentro de casa, e às vezes,quando o tédio ficava insuportável, fugia para rua, para os bares. Desde que eu o conheci ouvia muitas coisas sobre ele, algumas engraçadas até, outras nem tanto. Mas uma coisa que percebi, com o tempo, no seu jeito extravagante e louco de viver é que ele, definitivamente, não gostava de qualquer barulho que interrompesse o fluxo de seus pensamentos. Tanto que, até, o coração dele parou, subitamente de emitir qualquer som, só para ele dormir no mais completo silêncio. Durma Renato, durma em paz.

terça-feira, julho 12, 2011

Você viu a chuva de ontem a noite?

Fechou as janelas como se encerrasse um capítulo... Mas há muito a noite já havia entrado pelas frestas. O silêncio se posicionava com a autoridade de um deus persa diante aos objetos desencarnados. A claridade pálida, da lua, que entrava pelo vidro da janela, iluminava friamente os vestígios inalcançáveis, sobre os quais incidia a memória de mais de trinta anos de confidências. Leonora estava só e sentia-se cada vez mais cansada e sonolenta. Seus olhos ardiam impiedosamente sob as pálpebras dilatadas. Tentou esfregá-los como uma forma inútil de alívio, tinha deixado os óculos sobre o criado-mudo e não queria voltar ao quarto para buscá-los. Ela estava na sala, sentada em uma poltrona, e nada, nada mesmo a faria esmorecer seu desejo de permanecer ali. As fotografias amareladas que pendiam nuas na parede a encaravam com a crueldade de risos desencontrados. Lembranças de tempos mais amenos. Ou seria de outras vidas?As cortinas estavam imóveis como que proibidas de qualquer movimento pelo ar parado que se arrastava sobre os moveis inertes. Naquele momento a vertigem forçou-a fechar os olhos por alguns instantes. As dores iam e vinham, mas ela enfrentava a agonia com a dignidade de um mártir, nas últimas horas de martírio. Queria permanecer no mesmo lugar a qualquer custo. Cada segundo o esforço que fazia para permanecer, ali sentada, era uma penitência absurda para os músculos flácidos. Seu pensamento fluía abruptamente como as águas de um rio turvo sobre pedras inevitáveis enquanto, segurava, com força, contra o peito, uma fotografia, quase inteligível, de um passado de ouro, quando morava em Ribeirão Preto,com os pais. Se bem que nessa época ela, ainda, não sabia como seriam valiosas todas aquelas lembranças. Foram dias felizes aqueles... De repente teve vontade de chorar. Não chorou. Em vez disso, com olhar umedecido, mais pela saudade do que pela gradativa perda de visão, fixou, em um ponto qualquer da sala. Aos poucos, aqueles olhos, opacos, foram subindo até se deparar com o retrato de uma menina de fita azul turquesa nas tranças, longas, e algumas sardas pelo rosto. Minha filha, já faz sete anos que não a vejo. Ou serão mais?Pensou. Não se lembrava direito. A filha fora estudar numa universidade, nos Estados Unidos. Ela, a filha, era nova e havia tantas novidades, por lá, que os estudos, aos poucos, foram ficando para segundo plano. Sandra é a filha única mais dedicada que jamais se ouviu falar em todo o Méier, o amor em pessoa. Geralmente quando, ela se lembra que tem mãe, manda até um dinheirinho para ajudar. Se bem que o dinheiro que ela vem ganhando nessa, última, casa de strip-tease mal dá para viver confortavelmente, no subúrbio de Nova Iorque. Mas mesmo sem aparecer carinho de mãe não tem tamanho e nem distância. Raiva mesmo Leonora sentia do ex. marido. Na verdade não era propriamente raiva, mas, algo que a fez tomar todos aqueles comprimidos quando ele a deixou. Estava desacordada quando a encontraram. Foi muita sorte trazê-la, logo, disseram os médicos. Mas isso foi há muito tempo. Isso é página virada como costumava falar. Voltar para aquele apartamento para viver sozinha é muita coragem, diziam as amigas. Se bem que o apartamento, em si, era confortável, as mobílias eram boas e tinha também aquela vista da janela. No começo vai ser um pouco estranho, mas com o tempo se acostuma. Fome eu não vou passar, além da aposentadoria, ainda me restou um bom rendimento no banco respondia Leonora, incisivamente. Aos poucos, bem aos poucos, ela foi mudando, mudando até se perder dentro daquele bosque silencioso que cultivara em torno, ou melhor, dentro de si. Logo, foram rareando as visitas. Lúcia se mudou para o Leblon, Ângela se mudou para um apartamento há algumas quadras a frente, Conceição essa não aparecia mesmo nem por decreto. O apartamento, então, se tornara uma catedral vazia e Leonora uma ilha deserta, sem aspirações românticas. Tinha seu próprio mundo construído a partir das cinzas do que fora uma das famílias mais respeitadas do bairro. Ao certo, após tantos anos, pouca coisa havia restado daquela época, mas, todo aquele processo se revelara, terrivelmente, desgastante e cruel para ela. Hoje, em meio, a tantas lembranças, Leonora, ou o que restou dela, olha com incredulidade e desesperança, a própria vida. Não obstante, ao passado e todas aquelas feridas não cicatrizadas. Ela espera, já quase que impacientemente, por algo que alivie, de vez, as dores, cada vez, mais fortes, em sua alma... Começa a chover, não é propriamente o dilúvio, mas chove forte e o frio que entra, pelas frestas, faz gelar até os ossos. Leonora estava encolhida, quieta, como um bicho agonizante. O corpo inteiro doía, a cabeça pesava. Não queria se levantar, mas já não encontrava uma posição que acomodasse, na poltrona. Quis ficar de pé, mas não conseguiu de imediato, a perna estava dormente. Após alguns minutos, a todo custo, ela se levantou, curvada, como se carregasse um armário sobre as costas, curvadas. Uma noite inteira de dores insuportáveis se arrastando pela madrugada fria. Solidão, tristeza e remorso. Quis morrer, não morreu. Quis que alguém viesse, não veio ninguém. Estava amanhecendo. Ao longe, o Sol já estendia seus dedos dourados sobre os edifícios, enquanto, ela, lentamente, se encaminhava para a cama. À noite, finalmente, estava ficando para trás, mas, ainda, haveria outras, muitas outras como aquela. No fundo, bem no fundo Leonora não se sentia aliviada. Nos jardins, de frente ao apartamento, as formigas caminhavam, apressadamente, como uma massa negra por entre as plantas. Não longe dali, rapazes e moças, bem agasalhados, se exercitavam na praça. Logo, após tomarem seus desjejuns, viriam, às crianças do bairro, brincar inocentes por entre as coisas sujas da cidade. Nada de quadro negro e professores melancólicos! A ordem do dia era para aproveitar mesmo! Pois, afinal era domingo. E a julgar, pelo Sol, pelos pássaros e por todo aquele azul cobrindo a manhã carioca, um lindo domingo de dias das mães.

Fabiano Silmes

sábado, abril 09, 2011



Pode a vida?
Num piscar de olhos
Libertar o espírito
Em sacrifício do coração

Pode a dor?
Pecado do tempo
Sem convite ou estima
Coagir a realidade

Pode o ser?
Outro querer ser
Senhor do destino
Sem um próprio ter

Pode a palavra?
Vestir as emoções
Com o universo multicolorido
De um infinito particular

Pode o pensamento?
Achar razão na loucura
Materializar o desconhecido
Germinar a escuridão

Pode o sonho?
Alimentar a esperança
Pode o pesadelo?
Destruir o verbo                     

O que pode
O que é poder
Aonde caminha o jogo
Quando será o próximo amanhecer?


uma singela homenagem aos inocentes mortos

7o074L
090411

segunda-feira, março 21, 2011

A boa e velha atualidade

Terremoto, Tsunami, Acidente nuclear no Japão. (deus deve estar zangado) Presidente americano Em terras tupiniquins (discurso unilateral na manga) Conflitos ideológicos na Líbia Egito livre de ditador comemora Príncipe saudida se antecipa e reza (a velha cartilha de todos os ditadores) Inventam-se novos armamentos O Brasil se antecipa na compra... O povo passa fome em filas de espera (Ó pátria amada, idolatrada, salve! Salve!) Um novo cenário se antepõe ao velho e nada muda: Uma nova guerra,“ motivos nobres”,e outro país para invadir (os generais estão felizes em suas mesas de vidro)... O momento é tenso, a vida é tensa, O Globo corre... Pessoas se desmancham, em lágrimas, nas terras de Alá... (já prevendo as bombas e os assassinatos) Enquanto a noite recai, como um peso, sobre os homens E a esperança se limita em morrer nos destroços (das almas perdidas) Eu, poeta, humildemente, com a minha pena, consagro a luz. Fabiano Silmes

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Anti-recíproca

Reta, antes, depois e sempre
.Ponto e semireta
Interação mágica
Composição cósmica
Dádiva ou maldição
De maldade ou de-coração
Somos feitos
De feitos
Nossos e ou de outros
Mas sempre feitos
Com efeitos, duvidosos,
Etéreos e até luminosos
Seja como for
Só ou inacreditável
De tantas palavras e poucos dizeres
Doce loucura, mãe da abstração
Só, brio por um pouco
Fazendo derramar pelo caminho
O caminho absorvido
Acompanhado pelo momento
Pai dos planos
E também do resto, assim
Servindo chocolate e vinho
Sobre o cadáver frio da obsessão
Que acabou por fazer da vida
E tudo mais
Que se permita acreditar
Enquanto o suspiro soar
E a vontade brilhar
Na profundeza de um olhar
Sincero e distante
No caos das horas esquecidas
Testemunha ocular
De um triste adeus
Semireta e ponto.

160total211

domingo, fevereiro 06, 2011

Forma uma
Depois outra forma

Antes era diferente de agora
Mas agora esta igual à antes

Fio final da lógica
Perdida em pleno labirinto
Das palavras não ditas

Na passagem ligeira
De mais um dia

060total211