quinta-feira, setembro 09, 2010

Maia sintetiza poesia de Silmes com poesia.

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Não venho a me deter, ao exprimir-me sobre Fabiano Silmes, em qualquer resquício sequer de análise técnica. Em vez disso prefiro reter a tristeza, a melancolia, o desespero, ou seja, aos sentimentos que se incorporam à natureza do poeta. Ao assimilar seu produto artístico, percebo lágrimas-letras que afogam o vazio branco da folha. Enxergo o vazio do oco que fica, quando o poeta sente. A imagem do espelho que o reflete mostra a imagem do que é fora, assassinando o que o poeta vê e como se vê. A gota que quando ia ser o que não é, é no instante que ela se desfaz. A inútil fuga da prisão do que somos, atormenta o instante que pretenderíamos não ser. A poesia de Fabiano Silmes exalta, ao meu ver e sentir, o Rio de tudo que somos e que não os damos estrada para seus pés doentes. É notável a presença de um tormento, de um desconforto político que se mostra quando percebemos a sociedade que construímos, pela visão do artista. No Rio as águas devoram os peixes pequenos e as correntes vão levando seus fantasmas para assombrar nossa memória. O inconformismo do poeta veste estes versos e “enudece” sua visão pouco contemplativa sobre a teia social que o aprisiona. O grito contido de dor ecoa aos cantos da folha, quando o poeta grita com a letra e Entrega ao vento seu agônico grito silencioso. Os poemas de Fabiano Silmes gritam no ouvido da percepção, quando o lemos e olhamos em volta. É notável o meio que se revela, o meio que o poeta enxerga e cala. O amor é peça primordial dessa teia, o amor soa como um vento que ecoa e Na fina taça das ilusões verdadeiras... Ah, o amor, o amor vive como pedra, Resistindo como orvalho, Dissolvendo aos poucos sob o sol de concretas realidades. O mundo de Fabiano Silmes é relatado em sua poesia, seu divã. Os poemas são gritos e as letras, lágrimas que escorrem pelo rosto da folha. A melancolia traz-lhe momentos plenos, que ele próprio ama, por serem plenos em gozo e os odeia por sua passagem efêmera sobre os instantes. A lembrança de uma realidade harmônica, que um dia viveu, o acorrenta em laços de prazer e dor. Mas o poeta resiste e a esculpi com letras. Fabiano não quer ser poeta Mas a poesia quer ser fabiano.

Fernando Maia
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(datado de outubro de 2005)

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