terça-feira, dezembro 21, 2010

A CILADA

Saíram: um olhou para o outro
Sacaram as armas e atiraram como,
Caubóis nos filmes de John Wayne

Logo, os outros seguiram o exemplo
E acrescentaram mais fogo à fornalha

Era tanta bala cortando o silêncio
Que, de uma hora para outra, já havia
Mil rosas vermelhas desabrochando
Em cada peito perfurado

A fuzilaria durou a noite inteira
E quando amanheceu já não havia
Ninguém mais para contar a história.


Fabiano Silmes

quarta-feira, novembro 24, 2010

Mind and stone



engine flows
like a tiger on the field
echoing away
through deep space tone

playing my thriller
clarinets are digital
cause machine is my
friend

stand alone
in an antartic night
stereotypes don´t mind
orbital dust shine

no lame excuse
folklore isn´t  discipline
if  I want I call
myth atomic medicine

saved again, maybe
what else flies?
say techno-talker
and moment-looper

now you know me
my teeth ate all forest
and my madness
your hero

additive in pulse
for a square heart
underwater breath
as silver heat lives

listen to the old smile
am acid again

remember the dream
that keep us awake
became a cloud

get umbrella
it is time to rain

7õ.Ô74L

quinta-feira, setembro 30, 2010

Herzog

Em silêncio medito...
A revolução
Dentro do meu peito
Não foi sufocada:
Mãos
Grades
E amordaças
Não puderam me calar.
Um dia sei, e acredito,
Que em algum lugar
Alguém há de ouvir
O meu grito na história.

Fabiano Silmes

quinta-feira, setembro 09, 2010

Maia sintetiza poesia de Silmes com poesia.

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Não venho a me deter, ao exprimir-me sobre Fabiano Silmes, em qualquer resquício sequer de análise técnica. Em vez disso prefiro reter a tristeza, a melancolia, o desespero, ou seja, aos sentimentos que se incorporam à natureza do poeta. Ao assimilar seu produto artístico, percebo lágrimas-letras que afogam o vazio branco da folha. Enxergo o vazio do oco que fica, quando o poeta sente. A imagem do espelho que o reflete mostra a imagem do que é fora, assassinando o que o poeta vê e como se vê. A gota que quando ia ser o que não é, é no instante que ela se desfaz. A inútil fuga da prisão do que somos, atormenta o instante que pretenderíamos não ser. A poesia de Fabiano Silmes exalta, ao meu ver e sentir, o Rio de tudo que somos e que não os damos estrada para seus pés doentes. É notável a presença de um tormento, de um desconforto político que se mostra quando percebemos a sociedade que construímos, pela visão do artista. No Rio as águas devoram os peixes pequenos e as correntes vão levando seus fantasmas para assombrar nossa memória. O inconformismo do poeta veste estes versos e “enudece” sua visão pouco contemplativa sobre a teia social que o aprisiona. O grito contido de dor ecoa aos cantos da folha, quando o poeta grita com a letra e Entrega ao vento seu agônico grito silencioso. Os poemas de Fabiano Silmes gritam no ouvido da percepção, quando o lemos e olhamos em volta. É notável o meio que se revela, o meio que o poeta enxerga e cala. O amor é peça primordial dessa teia, o amor soa como um vento que ecoa e Na fina taça das ilusões verdadeiras... Ah, o amor, o amor vive como pedra, Resistindo como orvalho, Dissolvendo aos poucos sob o sol de concretas realidades. O mundo de Fabiano Silmes é relatado em sua poesia, seu divã. Os poemas são gritos e as letras, lágrimas que escorrem pelo rosto da folha. A melancolia traz-lhe momentos plenos, que ele próprio ama, por serem plenos em gozo e os odeia por sua passagem efêmera sobre os instantes. A lembrança de uma realidade harmônica, que um dia viveu, o acorrenta em laços de prazer e dor. Mas o poeta resiste e a esculpi com letras. Fabiano não quer ser poeta Mas a poesia quer ser fabiano.

Fernando Maia
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(datado de outubro de 2005)

domingo, junho 13, 2010

O Poema Insolúvel

Não haverá dias como aqueles
Se bem que todos os dias
São indecifráveis e incertos

Contudo nada irá se comparar
Com os momentos daqueles dias
Com as alegrias daquelas horas

Tudo se perdeu num sonho escuro
E o pranto derramado cobriu o resto

Entretanto alguma coisa ficou intacta
Na força, na ausência e na palavra
Ao qual se funde a saudade e
Se transforma nesse verso.

(Nesse único verso que se destaca) .


Fabiano Silmes

domingo, maio 30, 2010

O Vazio além da saudade


In memóriam a Dinda

Meu riso é só um ruído na casa vazia.
Minha saudade é um só grito no escuro.
O meu olhar é simples e claro em sua tristeza.
Choro rios e rios de dores furtivas e profundas
E retenho todas as lágrimas de angústia
Enquanto morro afogado por dentro.


Fabiano Silmes

domingo, maio 16, 2010

O vir a ser de tudo

Não me convenço
Das permanências
Tudo é transitório

Sinto toda angústia
Do que me é alheio
Como qualquer pessoa
que abre a porta e nunca sai

Mas algo há de vir dos
Gestos inúteis:

A vida não é
Um passeio público.


Fabiano Silmes

domingo, abril 25, 2010

Engrenagens

O passado nunca existiu
Para que haveria de existir?
O amanhã ainda não existe
É apenas uma página em branco

E o agora?É um fluir sem fim e sem rumo
Para quem sabe a felicidade do talvez.



Fabiano Silmes

quarta-feira, março 31, 2010

Chá Utópico







Um pouco de açúcar, por favor. Preciso adoçar a vida. Tudo tem andado muito amargo. O mundo tem se mostrado uma bomba de raiva, que incha como uma bola de neve montanha abaixo, onde esta montanha é o tempo. O tempo, que deveria ensinar a humanidade a ser melhor durante a viagem nesta maravilhosa nave mãe, parece servir apenas como uma ferramenta maligna usada para aprimorar requintes de crueldade e aumentar a produção em grande escala do que há de pior no ser humano.

Alguns acham que o homem tem progredido rapidamente nos últimos anos. Isto não deixa de ser verdade, se abordado através de uma perspectiva comparada a organismos com baixo nível de desenvolvimento. Porém, torna-se uma inverdade se focarmos no imenso e real potencial de desenvolvimento de uma sociedade mundial verdadeiramente organizada e estruturada de forma igualitária, onde o desenvolvimento seja levado a primeiríssimo plano, a ponto de não sofrer as perturbações desnecessárias que o fazem seguir em ritmo retardado, muito abaixo de sua capacidade.

Enquanto postos de serviços básicos e essenciais que gerariam milhares (talvez milhões, quiçá bilhões) de empregos e destruiriam um leque de problemas em efeito dominó são taxados de inviáveis, outros projetos dispendiosos e inúteis (por exemplo: exércitos centenários que nunca batalharam uma única vez sequer) são mantidos a mão-de-ferro, como monumentos a ignorância erguidos e mantidos debaixo do nariz de um palhaço triste e entorpecido (Aliás, se exércitos constituem instituições que inertes são prejudiciais, em atividade são ainda piores).

Chegou-se ao ponto onde na praticada lógica humana muitos morrem de fome, gerando uma infindável onda de mazelas, e outros derramam toneladas de litros de leite para controlar o preço de mercado. Fortunas são gastas em propaganda para vender produtos, pouco, pouquíssimo ou nada (na maioria das vezes) é investido em inclusão social. Assim, enquanto o homem sonha acordado e deposita todas as suas fichas em quimeras pra lá de arcaicas, a desigualdade arrasa o sistema social humano e rios de dinheiro mofam nos cofres dos bancos em nome de um limitado número de indivíduos.

O mundo precisa limpar sua órbita, pois os problemas são incontáveis e crescem continuamente a passos largos, por outro lado o famigerado veloz desenvolvimento não consegue acompanhar, pois, se conseguisse, já teria suplantado o caos cada vez mais soberano. Até quando seremos subjugados pela ganância destrutiva que nos impõe viver uma maldição antropofágica e ludibriosa que se estende ao longo de toda história. Será que algum dia opressor e oprimido tomarão conhecimento do papel avarento ao qual se prestam? Conseguirá o homem acordar deste denso pesadelo e dominar sua inerente insanidade, elevando-se a condição de redentor de sua própria espécie e do planeta que tão bem o concebeu? Acho que cabe e resta a cada um de nós contribuir e torcer por este sublime momento. Até lá só com muito açúcar para fazer este dissaboroso sapo descer pela goela abaixo.





Texto e imagem: to0T4l

quinta-feira, fevereiro 18, 2010


no mundo das cores

todo traço é arte

mas a belaza incide

no mérito da visão




Voo até onde permitem minhas asas
Sou fraco
Reconheço em mim
Muitos limites
Assim me fortaleço
Através do ato de tentar compreender
Com paciência
Meu potencial
E seu desenvolvimento
Tempo afora

Cumpro a parte que me cabe
E talvez
No momento exato que chamastes
Não possa te ajudar
Conseguiria você, então, entender
Minha fraqueza
Terias boa vontade
E respeito
Com meu ponto fraco, escancarado
Espírito e natureza

Pensando, pensei: pensar
Consiste em remoer
Mudar de lugar
E não perder o foco
Abrir mão do linear
Para cercar o domínio
Em sua plenitude
Sem ter que jogar
A atitude
Não são dados ao ar

Vida não calculada
Torna-se jogo de azar
Homens ao mar
Se te abraço
Sem a técnica do nado
Ambos iremos afundar
No fim das contas
Não há blefe contra xeque-mate
O melhor salva-vidas
Não deixe o barco afundar

terça-feira, fevereiro 16, 2010

pintura: Gyuri Lohmuller



Resta o orgulho
Que nada vale

Áspera espera
Longo passar

De árduo pesar

Na próxima oportunidade
Não mais reconhecerá
Se triste ou fugaz
A medida que for
A medida que trás

Um sorriso destarte

O desejo saturado

Eu era aqui
Outro será ao lado
Sujeito a ser alterado

Quem olhar dali verá
Pode parecer errado
Ao olhar de cá
Verá pressionado
E impressionado
Como enfim
Mais um passo



to0t4L

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Fala ae
Blz
Tranqüilo
Chegou
Cheguei
E agora
Manda embora
Demora
Chegou
Cheguei
Humpf
Ta na hora
Estava
E agora
Chegou
Cheguei
Renova-se
Mantém
Ta na hora
Ainda
Foi embora
Estava
Estoura
Tranqulilo
Blz
Fala ae
Fui
Comenta
Cometa
Confere
E
Comemora



...
7o0741

quarta-feira, janeiro 06, 2010

A Última Infância

Para Magno,
Eliseu Furtado,
Leandro Veiga “O Teo”,
E outros sobreviventes.

Antes era simples...bem simples mesmo.Era como soltar pipa no terreno baldio atrás de casa. Ninguém naquele tempo havia exercido ainda a difícil escolha.Na verdade ainda não tínhamos nem consciência de que era preciso fazê-la.No entanto sentíamos, de alguma forma, a necessidade de escolher entre acelerar os passos ou ficar parado pelos cantos. Tudo estava ocorrendo muito rápido... Mudanças na voz, pêlos crescendo em todas as partes e aquele líquido espesso que surgia entre as mãos quando o desejo apertava. Ninguém - e digo ninguém mesmo - havia ainda se dado conta do que estava acontecendo.Como eu disse tudo era simples...simples até de mais. Contudo, apesar de nossa ingenuidade, sentíamos grande expectativa por algo que não sabíamos bem o que era.Porém estávamos certo que isso poderia mudar de vez a nossa vida. Entretanto era quase um martírio... Ficar parado esperando aquilo que era como fogos de artifício dentro da nossa cabeça. Nessa fase já não conversávamos como antes... Comunicávamos apenas com olhares cúmplices no silêncio de nossa espera. Ninguém ousava olhar acima de suas suspeitas e, assim, seguíamos calados, cada um com o seu mundo despedaçado no calor dos acontecimentos.Tudo consista numa secura de gestos duros e inconsequentes...Não havia um fluxo para ordená-los e ainda, para piorar incidia sobre nós a mais completa ignorância. Em casa, para não despertar nenhuma suspeita , agíamos normalmente...afinal pensávamos que ninguém havia notado a nossa presença cada vez mais distante. Mas isso era só o começo... Descobríamos mais tarde, bem mais tarde. Mas foi mesmo naquele espaço entre o ódio por nada e a curiosidade por tudo que resolvemos nos rebelar. A guerra já estava certa e estávamos armados até os dentes para ela. Mas logo vieram as festas, os amores e as desilusões. E isso, por um tempo , passou a ser a parte mais importante do nosso ritual. Depois surgiram os obstáculos e com eles a necessidade de ir cada vez mais fundo buscar um pouco mais daquela reconfortante sensação de liberdade.Alguns mergulharam e não voltaram mais à superfície. Aos poucos a nossa inocência cedia lugar a uma profunda angústia. Naqueles dias o semblante carregado era quase que um assessório indispensável.Na verdade isto ilustrava bem o início do fim. Não do fim, propriamente dito, mas do começo daquilo que sempre foi e que muda o tempo todo. Nessa altura não dava mais para continuar disfarçando...Mesmo que as aparências dissessem o contrário. Alguma coisa veio de sei lá onde e mudou tudo...Até mesmo aquilo que resplandecia diante os nossos olhos já não brilhava mais com antes.O fascínio das pequenas descobertas havia acabado. Pesava, agora, a sociedade e uma série de outras coisas sobre nossos ombros. Entretanto, um dia desses, após anos afastados, nós nos reencontramos.Nesse encontro inusitado - digo inusitado não propriamente devido ao encontro mas ao que ele representava- me deu a impressão que tudo voltara a ser como antes...de alguma forma não estávamos mais carrancudos e preocupados: na verdade estávamos até mais joviais do que antes. Parecia que, de algum modo, as quedas,as perdas e o desespero não haviam acontecido ainda. No começo, até houve certo desconforto, as línguas pareciam mortas dentro das bocas,mas aos poucos fomos puxando assunto.E logo após aquele constrangimento inicial...Estávamos conversando como nos velhos tempos.Então naquele instante - só naquele instante mesmo - percebemos que, de alguma maneira, tínhamos descoberto que o longo caminho que percorremos até às gravatas, às papeladas, os balcões de entrega e todas as obrigações públicas não eram maiores que a distância de um passo e que todas as faces taciturnas, por mais duras que pareçam, desmoronam com um simples abraço...depois cada um foi para o seu lado...Não havia mais o que dizer. Tinha acabado a última infância.

Fabiano Silmes