quarta-feira, janeiro 28, 2009

Letras empoeiradas


O inseto

Sobre a superfície líquida
Está ele a se debater
Lutando contra a morte
Apenas querendo viver
Toda sua luta é em vão
Seu corpo oscila
Como se parte fizesse
Daquelas oscilações
Criada pelos pingos
Que intermitentemente
Sobre aquela superfície
Unia-se
E agora acho que morto jaz
Sobre a superfície líquida
E seu corpo baila
Para lá e para cá
Como determinam aquelas oscilações
Mas vejo que volta
A se debater como se
Da vida não tivesse
Ainda desistido
-O que será que se passava àquele momento
nàquela de inseto?
-Uma simples vontade
De desistir da vida ou
Uma simples vontade
De descansar
Para recuperar o fôlego
Que já parecia ser pouco?
Não! desistir da vida não
Os insetos não têm amor
Mas devem saber
O bastante sobre ela
Para preferir-la , peregrina-la
Em revés a morte

Continuo contemplando aquela superfície líquida
E vejo.
Ele seguindo curso retilíneo
Não uniforme
Tanto por sua força ao se debater (nadar)
Outros tantos
Pelas aquelas oscilações intermitentes
Então o inseto entra
No para mim
Era um lugar seguro
Mas para ele
Apenas o reflexo de meu teto
Sobre aquele espelho líquido
Naquele instante
Como se seu instinto
De inseto o guiasse plenamente
Deu tudo de si
E debateu-se (nadou) incessantemente
Rumando firme
Naquela direção que pegara
Como se nela estivesse e estava
A sua própria salvação
Mas o caminho era longo para um inseto
E seu fôlego era pouco
Então sem pensar
Em distância e suprimentos
Nadou... nadou... nadou... nadou...
Até que não mais pode prosseguir
Seu corpo inanimado ficou
Sobre aquelas águas
Que com o corpo
Logo começaram a baila
Um pra lá , dois pra cá
Dois pra cá , um pra lá
Como se estivessem dançando ao som daqueles pingos
A dança do ciclo vital
Que para o inseto , terminara
De forma líquida , com música e desespero.

Emanuel de Jesus



Fuga

A noite me beija
E me cobre
E os poemas fogem
Com meu sonho

Os poemas aventuram-se
na madrugada das coisas
e me esquecem dormindo
do lado de fora do sonho...

Fernando Maia


Revirando antigos arquivos de meus backups encontrei estes notáveis poemas escritos há algum tempo por meus amigos Emanuel e Fernando, entusiastas da arte e incentivadores diretos deste blog. A eles um abraço e esta singela homenagem.

tot@L

sábado, janeiro 17, 2009

Logo é cedo

Doce vida
Suave veneno
Alquimia do elo
Lágrima e sorriso

De repente um tempo
De repente à frente

Um dia a mais é:
Um dia a menos:
De repente foi...

Largos passos
Costuram o mundo

Enquanto

Dúvidas grudam
Na sola do pé

A alma se prepara
Para nascer junto à aurora
Oferecendo flores
A verdade chegará

170to0T4L109

terça-feira, janeiro 13, 2009

O que é a vida?

A vida é uma doce ilusão que passa.
É uma dor que fica doendo devagar.
Uma chuva fina sobre a janela fechada
Um relâmpago brilhando longe no escuro.
Um salto sobre o muro de onde nada se vê.
A vida é o começo da perda dos sentidos.
É uma pintura perdendo a cor na parede.
É o que se quer que continue sendo o que é.
É um espanto pra uns e um delírio pra outros.
É o mergulho na piscina azul dos olhos em pranto.
A vida é um risco feito de passos e tropeços.
É um bêbado se equilibrando na corda bamba.
É o nascer derradeiro que perpetua na infância.
É a porta sempre aberta a espera da partida sem malas.
É uma parte das coisas que criamos e deixamos para traz.
É uma linda meretriz que ora seduz e que ora é seduzida.
É um fogo lento desfazendo o frio dentro da madrugada.
É qualquer coisa e ao mesmo tempo é coisa nenhuma.
É o quadro negro aonde os destinos são escritos a giz.
_A vida é uma pergunta que acaba sem explicação.

F.Silmes

sábado, janeiro 03, 2009

Descobrindo Mário Qunitana

As portas da Academia estavam fechadas
Ao pequeno grande poeta de Alegrete,
Que em tantos versos eternizou a eternidade.
Homens sérios entre papeis e lápis na biblioteca.
Eles, definitivamente, não sabem o que fazem.
Mas deixemos todos os ressentimentos de lado
As obras que deixaste é bem maior do que isso.
Maior até do que a injustiça que fizeram contigo.
Ah! se eu pudesse voltar no tempo e mudar tudo.
Mas tu sabes que o tempo é um caminho sem volta.
(embora retornaste para espanto da crítica lerda e inútil.)
Tu meu amigo partiste mas tua lembrança permanece,
Tal como o sorriso se conserva intacto entre os lábios.
E sempre quando as tuas palavras se libertam dos livros
Os teus poemas são como mil candeeiros brilhando.
Por isso Mario perdoe...perdoe a todos...
Todos aqueles que não conseguiram ver a tua luz,
Eles não sabem...e nunca saberão o segredo do Sol.


Fabiano Silmes