sexta-feira, dezembro 18, 2009

A Indisfarçável Indiferença

Ontem deputado cassado
Hoje pastor numa igrejinha
No interior de São Paulo
Mas o cheiro...Esse ainda é o mesmo.


Fabiano Silmes

sexta-feira, dezembro 04, 2009

aqui não é o paraíso
muito menos o inferno
aqui é a terra

aqui anjos não voam
muito menos demônios devoram
aqui é o homem quem dita as regras

aqui santos não curam
muito menos capetas torturam
aqui é a mente quem decreta

aqui deus não cria
muito menos o diabo destrói
aqui a vontade é herdeira de toda culpa

aqui não há verdade
muito menos mentira
aqui tudo é fé

aqui não há profeta
muito menos cético
aqui há poeta

aqui há o bem
aqui há o mal
somos ambos

aqui somos tudo
aqui somos nada
ao mesmo tempo



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terça-feira, novembro 17, 2009

Alguma coisa entre o breu e a palavra.

Viver vale a pena triste
Que escreve o verso mais sincero.
Se vai ser lido ou não...Não importa
A regra é clara:

Só vale o que está escrito.


Fabiano Silmes

quarta-feira, outubro 28, 2009

Imenso grão




Criar, inventar, imaginação
Deixar expandir
Até abraçar o mundo
Quando o amanhã chegar
Não passarás de um deus esquecido

200total508

image by hermin abramovitch

quarta-feira, outubro 07, 2009

Entrevista com a banda Última Dança



Por Fabiano Silmes

Dona de um estilo inconfundível e de particularidades distintas, que remetem o romantismo da década de 80 a banda – Última Dança - vem se destacando dentro da cena underground carioca (e porque não dizer do Brasil) seja por suas letras ou pela melodia de seus acordes. A formação, que sofreu algumas mudanças, conta atualmente, com Fabiano Souza (Vocal / Programações), Marcelo Oliveira (Baixo) e Adriano Cavalcante (Guitarra). Em entrevista, inédita, concedida para o Vortex Project, Fabiano Souza fala sobre essas mudanças, e também, de outras curiosidades relativas ao grupo.


V.P. - Como se formou a Última Dança?

Fabiano Souza – Em meados de 2005, recebi de meu primo um programa de criação e edição de áudio, chamado Fruity loops. Como eu já me interessava por bandas que usavam recursos parecidos para criarem música eletrônica, logo me vi fascinado por aquele novo mundo de botões, sintetizadores e batidas sincronizadas. Comecei a dar forma às melodias que antes eram tocadas por mim apenas em meu violão, e gostei tanto do resultado que logo me veio em mente à idéia de montar uma banda.

V.P. - Como se deu a escolha do nome?

Fabiano Souza - O nome Última Dança foi escolhido por mim em alusão à dança encontrada nos clubes destinados a música Dark nos anos 80.

V.P. - Vocês já se conheciam antes de formarem a banda?

Fabiano Souza - Sim. O Última Dança havia terminado após o lançamento de sua primeira demo no ano de 2006. No ano seguinte Marcelo e Adriano me foram apresentados por amigos numa festa em minha casa, foi onde decidimos ressuscitar o UD.

V.P. – Quantas formações a banda já teve antes da atual?A mudança foi um processo natural?

Fabiano Souza - A banda passou por apenas uma formação. Antes a banda contava apenas com Roberto Avelar nos vocais e eu nas programações. Desta fase surgiu uma demo e como o resultado não agradou a ambos, o Última Dança chegou precocemente ao fim.

V.P. – Após essa reformulação ocorreu alguma mudança na música de vocês?

Fabiano Souza - A linha de som do Última Dança foi mantida, assim como suas características. Porém não há em nossa música uma direção pré-estabelecida, pois estou sempre aberto a novas idéias.

V.P. - Quais são as maiores influências da banda?

Fabiano Souza - Meu estilo musical favorito é o Neo-folk por ser uma alternativa a indústria fonográfica universal atual, além das bandas trazerem inspirações constantes para o estilo, assim como diversidades de temas pouco interessantes para a mídia. Também ouço Freestyle e trip-hop, bossa nova e MPB, ambos da velha guarda.

V.P. - O que você tem ouvido ultimamente?

Fabiano Souza - Eu tenho ouvido Bell´s of Soul, Escarlatina Obcessiva, Scarlet Leaves, Days are Nights, Plastique noir, In ruin, Death in June.

V.P. - Como foi à repercussão do primeiro EP?

Fabiano Souza - Recebo de ouvintes boas críticas em relação ao EP.

V.P. – Qual é a maior dificuldade - encontrada por vocês para divulgar os shows e as músicas da U.D. sem o suporte de uma gravadora?

Fabiano Souza - A maior dificuldade da banda é em relação à gravação. Não tivemos muita sorte acerca destes anos. Estou me preparando para assumir a produção dos mesmos e por um fim as gravações emergentes em estúdios. A divulgação, podemos contar com pessoas que realmente admiram este tipo de música. Tudo é realizado pela internet.

V.P. - A Internet tem se mostrado como uma ferramenta primordial para a divulgação de trabalhos. Inclusive sendo muito utilizada por bandas independentes, Qual o posicionamento de vocês em relação a isso?

Fabiano Souza - Outrora tínhamos apenas os zines, que sempre admirei como forma de divulgação de bandas que atuavam fora da mídia. Hoje tem a internet, mais uma forma de interagir com pessoas de todo o mundo. Certamente a maior fonte de divulgação.

V.P. - É possível encontrar os CDs da U.D. disponíveis para downloud na Internet?

Fabiano Souza - Sim. Poderá encontrá-los através do Google.

V.P. - Como foi tocar com nomes conhecidos, na cena underground, como o Gárgula Valzer e Days Are Nights?

Fabiano Souza - Tocamos com o Gárgula V. na Dark Dance no RJ e com o Days are Nights em campinas SP. Foi uma experiência maravilhosa! Somos amigos e tudo ocorreu dentro de nossas expectativas.

V.P. – Além destas duas vocês mantêm contato com outras bandas?

Fabiano Souza - Escarlatina Obcessiva, Alma nômade, Scartet Leaves, Bells of Soul, Mecano, Luiza fria, Current 93. . .

V.P. - Qual é a relação entre o Última Dança e a banda Mundo da Mente?

Fabiano Souza - Robert Avelar é um antigo amigo e o ajudei nas programações eletrônicas de seu primeiro disco. Chegou a cantar no Última Dança bem no início, porém logo criamos nossos projetos independentes.

V.P. - Fale um pouco da produção deste novo trabalho virtual?

Fabiano Souza - Concentra-se numa compilação de músicas gravadas ao vivo e algumas demos. Uma prévia para o disco que lançaremos em breve.

V.P. - A poesia sempre teve presente nas composições da U.D. Como se dá o processo de musicar estas letras?Quem aparece primeiro a música ou a letra?

Fabiano Souza - A música. Componho algumas notas no violão e depois adiciono uma parte da letra. Quando sinto que soa bem, começo a programar as batidas e sintetizadores imaginando que rumo à mesma deve tomar.

V.P. Nesse novo CD é possível encontrar, na música Tropas noturnas, uma letra que difere da temática romântica apresentada no EP - A dança do tempo. A música seria algum tipo de adesão social por parte da banda?

Fabiano Souza - Ao regressarmos pela história é possível ver algumas ideologias políticas e seus efeitos sobre as nações; Dor e sofrimento. Inclino-me ao pensamento que todo o mal é o nítido reflexo do homem. Tropas noturnas frisa este pensamento, de um modo que permite o ouvinte a compará-la também com seu íntimo, com seus dias de luta. Não há nesta canção uma ideologia e sim o reflexo da guerra.

V.P. - Daqui pra frente podemos esperar outras músicas semelhantes a esta, ou seja, mantendo este mesmo tom critico?

Fabiano Souza - Sim. Se olharmos para dentro de muitas canções do Última poderemos ver fragmentos desta mesma guerra. Ver “Flores do éden”.

V.P. Se você pudesse definir a Última Dança em poucas palavras como a definiria?

Fabiano Souza - As vozes e os sorrisos deixados em um dia cinza nos parques da infância.


Links: http://www.myspace.com/ultimadanca
http://www.buscamp3.com.br/artistas/71491_home.asp?br=1
http://palcoprincipal.sapo.pt/ultimadanca

segunda-feira, setembro 07, 2009

Controle Remoto

Carros passam velozes pelas ruas. Nas calçadas bêbados sorvem as últimas gotas de álcool e adormecem sobre papelões sujos. É sábado à noite... E sinto uma vontade de sair de casa... Ao mesmo tempo sinto uma vontade enorme de permanecer aqui, inerte, diante a essa televisão ligada. Olho toda programação televisiva com angústia e descrédito. Acendo um cigarro no escuro da sala. Na verdade eu convoco o alívio da nicotina para lutar nesta guerra que estou perdendo... Nesta guerra que inventei só para matar o tempo. Deve ser oito horas da noite e eu estou aqui ouvindo a vida me chamar do lado de fora... Alguém bem que poderia ligar pra mim nesse exato instante... Alguém que soubesse o jeito certo de abrir essa porta- quase numa alegria lembro de rostos familiares e de nomes - Ah foram tantos nomes!... Maria, Isabel, Lúcia, Isadora, Patrícia, Ângela, Elisabeth, Marcos, Edu, Paulo, Carlos, Antonio... Mas depois me lembro, amargo, que o telefone daqui de casa foi cortado há muito tempo e que a esta altura do campeonato o meu numero, com certeza, se perdeu dentro de alguma agenda abandonada em algum canto. Eu poderia gritar da janela... É eu poderia gritar a noite toda... Gritar até perder a voz... Gritar até morrer... Mas quem, na cidade, ouviria meu grito com este barulho todo de vida lá fora?Não!Eu não farei nada! Vou engolir qualquer tentativa de me comunicar com o mundo e vou continuar aqui esperando que algo, surpreendentemente, mágico surja na TV e me salve do tédio e quem sabe deste vazio que me toma como refém. No televisor aquela atriz - Qual o nome dela mesmo? – gostossíssima, que pousou nua para uma revista, contracena com um ator pederasta. Ela é realmente um espetáculo... Olhando seus movimentos leves e sensuais na cena... Fico me perguntando se eu já toquei alguma punheta pensando nela. O cara que estiver comendo esse avião, com certeza, deve ser um homem feliz... Feliz como eu não estou agora... Olho para o relógio e já são nove e trinta e cinco... Acendo outro cigarro... E angustiado, pela sede e pela ansiedade, me levanto, quase que instantaneamente, do sofá e vou até a geladeira pegar uma cerveja... Volto a tempo de ver a atriz... Beijar na boca do mocinho da novela. Ator deve ser uma profissão boa a pampa - eu penso com certa inveja. Troco de canal... E um filme antigo me chama atenção... Eu já vi este filme uns dois anos atrás mais ou menos... Ele é cruel e verdadeiro... É um drama daqueles de fazer qualquer um chorar... Tão triste quanto minha vida. Lá fora a noite corre em ritmo alucinado... Aqui dentro nada acontece... Nada exceto este vazio crescendo na velocidade das horas... E meus cigarros que estão acabando. É sábado à noite - na verdade já é quase domingo - E meu corpo implora por um pouco de calor... Minha cabeça gira entorpecida pelo sono e meu coração está vazio como uma casa sem gente... Entretanto disposto a não abandonar, sem luta, o meu ponto de observação, lentamente me acomodo no sofá mesmo... Fecho os olhos e desligo a TV com o controle remoto... Depois - um pouco antes de adormecer - peço quase que balbuciando que amanhã alguém se lembre de mim e me mande, quem sabe, ao menos uma carta só pra saber se eu ainda estou vivo.

Fabiano Silmes

segunda-feira, agosto 17, 2009

O Desespero de Eduard Lonthon


Para Andréa de Azevedo, Emanuel de Jesus e Fabiano Souza.“Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida duvidar tanto quanto possível, de todas as coisas”. (Descartes, discurso do método.)



O jovem Eduard Lonthon deu entrada no hospital psiquiátrico às dezoito horas e trinta e cinco minutos do dia 11 de setembro, apresentando com patologia nervosa: alucinações típicas da síndrome do pânico, alterações drásticas de comportamento e conduta obscena (esta, por vez, aparentava mais uma provocação gratuita do que um gesto de loucura por assim dizer). Dois enfermeiros, um deles alto com grande protuberância muscular e um outro menos corpulento, o seguravam com extrema dificuldade enquanto ele, descontrolado, vociferava impropérios contra as pessoas que esperavam na recepção do hospital. Algumas senhoras que estavam nas cadeiras próximas da porta de entrada, se afastaram às pressas, temendo a agressividade de Eduard:_ Filhas da puta... vocês são todos filhos da puta, sabiam? Não vêem que ele está me seguindo...não vêem que a qualquer momento ele vai chegar aqui e me escravizar ? É isso que vocês querem? É isso? É?Embora se tratasse de uma instituição psiquiátrica todos ali estavam consternados com aquele episódio e se entreolhavam atônitos._ O que vocês estão vendo é uma mentira...Eu sou tão real quanto um deus inventado... e ele conhece meu poder sobre os demais... por isso ele me quer como um escravo para sua tropa de mentira – continuava Eduard com o seu discurso inflamado – A cada minuto que permaneço retido pela brutalidade destes quatros braços... ele se aproxima de minha escolha e me domina como um estado usurpado.Um homem vestido de roupas clericais se aproximou do jovem e lhe disse quase em súplica:_ Acalme-se meu rapaz ninguém irá te ferir aqui dentro!Por alguns momentos Lonthon ficou a olhar aquele homem de roupas pretas e de rosto ameno e logo disparou cinicamente:_ É e quem protege aqui de si mesmo, hein, meu senhor?_ Como assim? – Perguntou o homem de roupas clericais._ Sim! Isso mesmo!...você não me disse que ninguém irá me ferir aqui dentro? Pois então quem protege aqui senão os que estão aqui mesmo? - perguntou, Eduard, rindo de modo a se ouvir longe. O clérigo por vez disse num tom mais firme:_ Ninguém irá te ferir meu jovem eu te garanto, além do mais este aqui é um hospital militar, portanto ele é vigiado, vinte quatro horas, por soldados que iram garantir a sua segurança. Eduard, um pouco mais contido, olhou o clérigo com quem dá um veredicto e disse entre os dentes:_ Você é um tolo como os outros... ninguém irá me proteger dele... soldados não protegem ninguém... eles apenas lutam e morrem pelas idéias dos generais e estes, por vez, os interesses dos presidentes... dos embaixadores da guerra... e de tudo mais que seja alheio a mim e a você._ Meu filho, mas quem te persegue afinal? Um delinqüente, um desafeto? Alguém que..._ Não você não entende... não entende, ele esta em tudo que vejo e sinto –disse Eduard já em pranto.O clérigo sem saber mais o que dizer... e sem a mínima vontade de continuar aquela conversa que não estava dando em nada concluiu:_ Meu jovem daqui a pouco o médico vai te receitar alguma coisa... e amanhã você vai acordar mais calmo e tudo se resolverá.Nisso Eduard como que possesso por um demônio, de repente retornou a sua fúria inicial:_ Amanhã? Amanhã é o caralho... eu tenho que fugir daqui agora mesmo! Agora mesmo ouviu?O clérigo, ainda tentando acalmar Eduard, disse-lhe:_ O médico já está vindo e ele vai receitar alguma coisa para você dormir...Lonthon, ainda descontrolado, o interrompeu abrupto e ruidoso:_ Porra! Você não entende? Eu não posso dormir, eu não posso descansar... se eu dormir ele vai vir e me fará seu escravo. Você não entende porque é escravo como os outros...Naquele interminável instante, que parecia ter sido retirado das páginas de Kafka, um médico carregando uma injeção se aproximou de Eduard, que se debatia nos braços dos dois enfermeiros, e lhe aplicou alguma espécie de sedativo. Quando Lonthon estava sendo levado, sem demonstrar a resistência de antes, viu seu reflexo em uma pequena superfície espelhada que ficava na parte posterior da sala, e disse entre o sono e o que lhe havia de desperto:_Oh, não! Não pode ser... ele chegou e está ali me encarando... vocês estão vendo? Estão vendo ele ali? Ele está ali... e seus olhos estão em toda parte... não tem como fugir deste olhar maldito... não! Eu não quero... não quero me tornar escravo outra vez... não por favor, não deixem que ele me pegue... não! Não! Não!... Aagh, aagh, aagh. Logo após dizer estas palavras, entorpecidas pelo sedativo, Eduard, languidamente, adormeceu naqueles quatros braços que o carregavam para algum lugar, no tempo e no espaço, atrás da porta branca que se fechava para este mundo.


Fabiano Silmes

sexta-feira, agosto 07, 2009

Alerta!

No Rio morre uma criança por dia.
No Rio morrem duas crianças por dia.
No Rio morrem três crianças por dia.
No Rio morre e morrem crianças por dia.
O doce vermelho escorre nas taças amargas dos infanticidas.
No rio as águas devoram os peixes pequenos e as correntes vão
[levando seus fantasmas para assombrar nossa memória.


Fabiano Silmes

sábado, agosto 01, 2009

A escolha

Alegria tristeza e dor
Tudo acontece por acaso.

Não temos nenhuma escolha
Somos jogados nesse mundo

Por este insondável mistério
Que cruelmente joga os dados

Sem escolhas vivemos...
Sem escolhas insistimos...
Seguir ou não o que foi escrito.

Ah! Pudesse eu escolher
Escolheria com gosto
A alegria de não ter nascido.


Fabiano Silmes

Vomito


quinta-feira, julho 30, 2009

A Felicidade

Felicidade palavra desejada...
Âmago dos objetos cobiçados
Sempre além de todo sentido
É angústia de quem não a tem.

Brilha cálida entre os amantes
É fonte de inspiração dos poetas
Não se define só pela aparência
Mas também no conteúdo expresso

Felicidade misteriosa caixa infinita
Onde são depositados todos sonhos
E pensamentos de qualquer espécie.

Ah!!! Felicidade mulher de mil faces
Pudesse o homem te ignorar sempre
Pra não sofrer tanto quando tu partes.


Fabiano Silmes

quarta-feira, julho 08, 2009

A fome insaciável
termina por consumir
o próprio faminto.


imagem e texto por to0t41

sexta-feira, junho 19, 2009

O acaso


Olhei para dentro do acaso
E achei graça
Pensei que tinha visto
Borboletas.


Fabiano Silmes

sábado, maio 23, 2009

O Poema


não terá descanso este poema:
terá a imagem estudada
o verso exposto
a metáfora analisada
será anjo e será fada
e muito, muito além de nós
ele será um deus
que se (re)inventa
por falta de milagres.

Fabiano Silmes

sexta-feira, maio 08, 2009

quinta-feira, abril 30, 2009

A face no espelho


Ver até não poder mais
o espelho diante os olhos
A imagem do que está atrás.

Fabiano Silmes










quinta-feira, abril 23, 2009

segunda-feira, abril 06, 2009

O Mergulho

In Memoriam a Ana C.

estranho silêncio pelo apartamento
nenhuma musica
nenhum grito
nenhum barulhinho sequer... ao meu lado.

entre esta noite e tudo aquilo que acredito
ouço apenas minhas lágrimas caindo lentas...
e num torpor de queda constato o meu salto.


F.Silmes

domingo, março 22, 2009

O poema do sim ao contrário

Quando tudo passar já será passado.
Não haverá nada mais do que isso...
Todas as expectativas serão apenas
Lembranças de algo que se confirmou.
Quando tudo apontar caminhos: não siga
Quando todas as cartas disserem: não ouça
Quando quiser algo: não peça nada a ninguém
Viver o desejo é bem mais perigoso do que sonhá-lo...
Não sonhe: siga para dentro e feche as janelas todas
Como que fecha os olhos para toda solidão do mundo.


Fabiano Silmes

quarta-feira, março 11, 2009

Andanças


Ao poeta Ricardo Sant’Anna Reis

tenho andado inquieto
as ruas todas
seguem sem novidades.

tenho andado a esmo
lento como a tarde
veloz como a vida.

on the road, baby
eu Sigo o meu caminho
mas eu nunca estou só
a poesia dos momentos
vai dentro do meu peito
como se fosse palavras
e assim levado pelo vento
vivo como se escrevesse
um poema feito das coisas
que deixo para trás.

Fabiano Silmes

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A despedida

Naquela noite ele havia adormecido no sofá da sala, em quase dois anos morando com a gente, afirmo que ele nunca tinha feito isso, nem mesmo quando chegava de mansinho lá pelas tantas, exausto de suas intermináveis noitadas pela redondeza. Logo cedo, quando amanheceu, minha mãe ao se deparar com ele dormindo ali, embora ficasse um pouco brava com aquela situação, não quis incomodá-lo. Acredito que ela tenha percebido, de imediato, que o estado dele havia se agravado durante a madrugada.A enfermidade, apesar de todos os medicamentos, não dava sinais de trégua, mas ele lutava bravamente...E lutaria até o fim, isto é, até o mais breve dos instantes de mais um dia.Àquela altura ele já estava fraco, minguado, porém, mantinha-se lucido em seu desespero de febre alta. Há quase dois dias que já não comia e nem bebia nada. Levantava-se com extrema dificuldade, fazia grande esforço para se manter de pé, e ao fazê-lo, parecia que todo o peso do universo estava sobre ele. Cada vez mais eu me sentia de mão atadas em meio à tempestade, que de uma hora pra outra, havia se formado sobre a minha família.Meu pai não dizia nada, mas de alguma forma eu sabia que no fundo ele já não nutria nenhuma esperança, embora quisesse demonstrar o contrário. Minha casa estava fria no calor das festividades de dezembro, não havia pelos cômodos qualquer resquício de alegria a nos envolver em balsamo.O que fazer agora? Perguntávamos, atônitos, a nós mesmos.E ele como sempre alheio, a nossa preocupação de pessoas adultas, se resignava em ficar em algum canto da casa nos olhando.Porra eu não vou ficar aqui parado esperando que ele morra bem diante dos nossos olhos - gritei com a convicção de um santo que não acredita em milagres.O meu gesto isolado de todos os acontecimentos era quase uma suplica divina e humana diante da impossibilidade de mudar os fatos que convergem no destino de todos aqueles que gostamos.Desesperado, levei-o em meus braços para o medico (ou quase isso...) Não importa!A vida está além de todas as designações que acaso estejam em um nome ou numa profissão.Era o socorro e isso é que importava àquela altura...Só isso. Enquanto esperávamos sermos atendidos por aquele médico (ou quase isso...) olhamos um para o outro e foi como se tudo, naquele instante, estivesse parado ao nosso redor. Era a nossa despedida, de alguma forma, nós dois sentimos isso.Não havia necessidade de palavras entre a gente, nunca houve, com o tempo tínhamos desenvolvido uma comunicação silenciosa e discreta.Segurei como pude as minhas lágrimas.Não queria deixá-lo ainda mais angustiado com a minha tristeza.Respirei fundo e continuei a olhar bem dentro dos olhos dele.Aos poucos fui sentindo uma radiante calma vinda daqueles verdes e indecifráveis olhos a minha frente.Percebi que não havia nenhuma melancolia neles, apenas uma existência dentro de certas circunstâncias da qual ele ignorava ou fingia ignorar. E assim foi até o fim.Quando ele morreu no final daquele dia, eu fiquei muito triste...O mundo tinha caído com tudo em cima da minha cabeça, depois disso eu jurei pra mim mesmo que nunca mais teria outro bicho de estimação.


Fabiano Silmes

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Palavras em meio aos escombros


Às vitimas das bombas Israelense


Tenho lembranças do futuro
Lembranças do que seria
E do que viria ser se fosse...
Tenho em mim toda expectativa nula
De quem sabe o que vai acontecer
Antes que qualquer fato ocorra.
Tenho em mim a saudade de um
Amanhã presente no passado de todos.
Nem ontem e nem hoje e nem depois...
Abro a porta de minha casa lentamente
E a realidade toda me cerca num abraço
Com suas velhas novidades de sempre
Resisto a tudo e reciclo as urgências
E me torno um estranho em meio ao novo.


Fabiano Silmes

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Letras empoeiradas


O inseto

Sobre a superfície líquida
Está ele a se debater
Lutando contra a morte
Apenas querendo viver
Toda sua luta é em vão
Seu corpo oscila
Como se parte fizesse
Daquelas oscilações
Criada pelos pingos
Que intermitentemente
Sobre aquela superfície
Unia-se
E agora acho que morto jaz
Sobre a superfície líquida
E seu corpo baila
Para lá e para cá
Como determinam aquelas oscilações
Mas vejo que volta
A se debater como se
Da vida não tivesse
Ainda desistido
-O que será que se passava àquele momento
nàquela de inseto?
-Uma simples vontade
De desistir da vida ou
Uma simples vontade
De descansar
Para recuperar o fôlego
Que já parecia ser pouco?
Não! desistir da vida não
Os insetos não têm amor
Mas devem saber
O bastante sobre ela
Para preferir-la , peregrina-la
Em revés a morte

Continuo contemplando aquela superfície líquida
E vejo.
Ele seguindo curso retilíneo
Não uniforme
Tanto por sua força ao se debater (nadar)
Outros tantos
Pelas aquelas oscilações intermitentes
Então o inseto entra
No para mim
Era um lugar seguro
Mas para ele
Apenas o reflexo de meu teto
Sobre aquele espelho líquido
Naquele instante
Como se seu instinto
De inseto o guiasse plenamente
Deu tudo de si
E debateu-se (nadou) incessantemente
Rumando firme
Naquela direção que pegara
Como se nela estivesse e estava
A sua própria salvação
Mas o caminho era longo para um inseto
E seu fôlego era pouco
Então sem pensar
Em distância e suprimentos
Nadou... nadou... nadou... nadou...
Até que não mais pode prosseguir
Seu corpo inanimado ficou
Sobre aquelas águas
Que com o corpo
Logo começaram a baila
Um pra lá , dois pra cá
Dois pra cá , um pra lá
Como se estivessem dançando ao som daqueles pingos
A dança do ciclo vital
Que para o inseto , terminara
De forma líquida , com música e desespero.

Emanuel de Jesus



Fuga

A noite me beija
E me cobre
E os poemas fogem
Com meu sonho

Os poemas aventuram-se
na madrugada das coisas
e me esquecem dormindo
do lado de fora do sonho...

Fernando Maia


Revirando antigos arquivos de meus backups encontrei estes notáveis poemas escritos há algum tempo por meus amigos Emanuel e Fernando, entusiastas da arte e incentivadores diretos deste blog. A eles um abraço e esta singela homenagem.

tot@L

sábado, janeiro 17, 2009

Logo é cedo

Doce vida
Suave veneno
Alquimia do elo
Lágrima e sorriso

De repente um tempo
De repente à frente

Um dia a mais é:
Um dia a menos:
De repente foi...

Largos passos
Costuram o mundo

Enquanto

Dúvidas grudam
Na sola do pé

A alma se prepara
Para nascer junto à aurora
Oferecendo flores
A verdade chegará

170to0T4L109

terça-feira, janeiro 13, 2009

O que é a vida?

A vida é uma doce ilusão que passa.
É uma dor que fica doendo devagar.
Uma chuva fina sobre a janela fechada
Um relâmpago brilhando longe no escuro.
Um salto sobre o muro de onde nada se vê.
A vida é o começo da perda dos sentidos.
É uma pintura perdendo a cor na parede.
É o que se quer que continue sendo o que é.
É um espanto pra uns e um delírio pra outros.
É o mergulho na piscina azul dos olhos em pranto.
A vida é um risco feito de passos e tropeços.
É um bêbado se equilibrando na corda bamba.
É o nascer derradeiro que perpetua na infância.
É a porta sempre aberta a espera da partida sem malas.
É uma parte das coisas que criamos e deixamos para traz.
É uma linda meretriz que ora seduz e que ora é seduzida.
É um fogo lento desfazendo o frio dentro da madrugada.
É qualquer coisa e ao mesmo tempo é coisa nenhuma.
É o quadro negro aonde os destinos são escritos a giz.
_A vida é uma pergunta que acaba sem explicação.

F.Silmes

sábado, janeiro 03, 2009

Descobrindo Mário Qunitana

As portas da Academia estavam fechadas
Ao pequeno grande poeta de Alegrete,
Que em tantos versos eternizou a eternidade.
Homens sérios entre papeis e lápis na biblioteca.
Eles, definitivamente, não sabem o que fazem.
Mas deixemos todos os ressentimentos de lado
As obras que deixaste é bem maior do que isso.
Maior até do que a injustiça que fizeram contigo.
Ah! se eu pudesse voltar no tempo e mudar tudo.
Mas tu sabes que o tempo é um caminho sem volta.
(embora retornaste para espanto da crítica lerda e inútil.)
Tu meu amigo partiste mas tua lembrança permanece,
Tal como o sorriso se conserva intacto entre os lábios.
E sempre quando as tuas palavras se libertam dos livros
Os teus poemas são como mil candeeiros brilhando.
Por isso Mario perdoe...perdoe a todos...
Todos aqueles que não conseguiram ver a tua luz,
Eles não sabem...e nunca saberão o segredo do Sol.


Fabiano Silmes