domingo, agosto 10, 2008

Dois corpos no mesmo espaço

Ele a olhou de cima a baixo e ela sorriu fingindo estarenvergonhada. Ela devia ter entre 18 a 23 anos de idade e ele já estava na casa dos quarenta.Ambos estavam à vontade e sabiam bem o que queria um do outro.Ele pediu que o garçom trousse outra cerveja e aproveitou para acender um cigarro.Ela acariciou a mão dele e disse que também estava com vontade de fumar.Ele, que já havia guardado, novamente retirou o maço do bolso do paletó e estendeu em direção a jovem.Ela pegou um cigarro, o acendeu e agradeceu em seguida. Era uma quarta-feira chuvosa e não havia quase ninguém no estabelecimento.Ela percebeu que a conversa entre eles dois estava esmorecendo e subitamente começou a falar com uma entoação mais maliciosa e provocante.Ele, lacônico, observava aqueles lábios voluptuosos abrindo e se fechando delicadamente a cada palavra. Não suportando mais aquele jogo do qual sabia que não teria nenhuma chance, ele se dirigiu a ela quase balbuciando, após a moça consentir com a cabeça, ambos levantaram e seguiram lânguidos pelo corredor que dava para as escadas.O coração dele parecia que ia saltar pela boca, no entanto, o dela mantinha-se frio e anestesiado.Já no interior do quarto foi ela que tomou a iniciativa e o beijou na boca.Ele a envolveu em seus braços e ela deixou-se conduzir até a cama. Rapidamente ele se despiu e avançou voraz sobre aquele corpo estendido a sua frente. Na cama, despidos de qualquer pudor, os dois se entregaram completamente à excitação e ao desejo que os envolviam. Depois de saciados os últimos vestígios do furor sexual, ambos permaneceram abraçados sob aquela luz avermelhada. Ela, ligeiramente melancólica, olhou para o relógio e viu que faltava ainda quatro minutos para eles dois saírem do quarto.Ele sorriu e ela o acompanhou em sua alegria, mas no seu íntimo, sentia-se cansada, sabia que a noite mal havia começado para ela. Quando a campainha soou ambos já estavam vestidos.Ele pegou duas cédulas de sua carteira e entregou a ela, que o agradeceu, dando-lhe um último beijo, antes de fechar a porta atrás de si como se encerrasse ali dentro um momento que nunca existiu. (06/07/08)Fabiano Silmes

8 comentários:

Lu Rosário disse...

Ela vive vida abstrata.

Lu Rosário
www.sempudor.blogs.sapo.pt

f@ disse...

Ele e ela... breve a caricia guardada ...
beijinhos das nuvens

Bem Resolvida disse...

poxa, esse fumacê de cigarro estragou tudo :P

quanto a sua visita, obrigada. Sim, meu ex marido não quis brincar, aliás, ele fazia escandalo quando eu tocava no assunto, tipo: Vc nao gosta de mim, vc nao sente ciúme de imaginar outra mulher comigo, vc nao me ama, bla bla bla. sua sapatona!! caminhoneira...(haha toda feminina e ele vindo me chamar de caminhoreira...), eu se quer podia olhar pra outra mulher na rua, mas isso foi depois que eu quase troquei ele por uma muhler...rs mas antes tbm ele nunca quis brincar....pena!!

bj

Ricardo Imaeda disse...

Fabiano,

Muito obrigado pelo seu comentário tão generoso em meu blog.
Sempre que posso passo por aqui para me ilustrar um pouco.
Um grande abraço,
Ricardo

O empírico disse...

O movimento ele/ela tem um espaço importante no texto...

Lu Rosário disse...

São duas vidas vazias que se cruzam.


Lu Rosário
www.sempudor.blogs.sapo.pt

Romulo Narducci disse...

Belíssimo,agora o poeta maestra com a prosa! Evoé, meu caro! Muito bom mesmo!

F. Reoli disse...

Muito bom... esses quartos de puteiro devem guardar gravadas em suas paredes descascadas excelentes histórias, que você acaba de retratar muito bem.