quarta-feira, agosto 27, 2008

O que sou por escrito


Em mim há tudo aquilo que me falta.
Sou sempre alheio ao que me torno.
Quando penso estou pleno e disperso.
Sou o que me resta ser em mim e mais.
Como um rio eu corro para o mar além
E sou toda força que me abandona.
O meu peito é uma casa sem portas
E meu riso é sempre jovem e eterno.
Tenho toda a liberdade no que eu sinto
Quando o horizonte guia os meus passos.
Meu pensamento é um reino consentido
E a minha vida inteira é um livro aberto.
Quando ando levo em mim toda a esperança.
Quando permaneço sou todo um porto fechado.
A tristeza não sou eu que acendo e nem apago
Mas minha felicidade sou eu que determino.
O meu coração não tem pátria e nem bandeiras.
Sou eu mesmo e sempre serei em mim apenas
A mesma maneira de forma diferente e igual.
O mais deixo escrito no vento e o resto nos versos.

Fabiano Silmes

domingo, agosto 10, 2008

Dois corpos no mesmo espaço

Ele a olhou de cima a baixo e ela sorriu fingindo estarenvergonhada. Ela devia ter entre 18 a 23 anos de idade e ele já estava na casa dos quarenta.Ambos estavam à vontade e sabiam bem o que queria um do outro.Ele pediu que o garçom trousse outra cerveja e aproveitou para acender um cigarro.Ela acariciou a mão dele e disse que também estava com vontade de fumar.Ele, que já havia guardado, novamente retirou o maço do bolso do paletó e estendeu em direção a jovem.Ela pegou um cigarro, o acendeu e agradeceu em seguida. Era uma quarta-feira chuvosa e não havia quase ninguém no estabelecimento.Ela percebeu que a conversa entre eles dois estava esmorecendo e subitamente começou a falar com uma entoação mais maliciosa e provocante.Ele, lacônico, observava aqueles lábios voluptuosos abrindo e se fechando delicadamente a cada palavra. Não suportando mais aquele jogo do qual sabia que não teria nenhuma chance, ele se dirigiu a ela quase balbuciando, após a moça consentir com a cabeça, ambos levantaram e seguiram lânguidos pelo corredor que dava para as escadas.O coração dele parecia que ia saltar pela boca, no entanto, o dela mantinha-se frio e anestesiado.Já no interior do quarto foi ela que tomou a iniciativa e o beijou na boca.Ele a envolveu em seus braços e ela deixou-se conduzir até a cama. Rapidamente ele se despiu e avançou voraz sobre aquele corpo estendido a sua frente. Na cama, despidos de qualquer pudor, os dois se entregaram completamente à excitação e ao desejo que os envolviam. Depois de saciados os últimos vestígios do furor sexual, ambos permaneceram abraçados sob aquela luz avermelhada. Ela, ligeiramente melancólica, olhou para o relógio e viu que faltava ainda quatro minutos para eles dois saírem do quarto.Ele sorriu e ela o acompanhou em sua alegria, mas no seu íntimo, sentia-se cansada, sabia que a noite mal havia começado para ela. Quando a campainha soou ambos já estavam vestidos.Ele pegou duas cédulas de sua carteira e entregou a ela, que o agradeceu, dando-lhe um último beijo, antes de fechar a porta atrás de si como se encerrasse ali dentro um momento que nunca existiu. (06/07/08)Fabiano Silmes