segunda-feira, julho 21, 2008

Júpiter >< Saturno



A fuga
De mim mesmo
Está cada dia mais difícil
Quase impossível
Deliciar-me com as velhas quimeras
Miragens vão secando
A beira do apartheid
Entre sonho e realidade
Aceno, perdido,
Para a cidade proibida
E seus tesouros em neon
Mas não há resposta
As fantasias parecem mortas
E os homens culpados
Sinto-me enclausurado
Tudo é apenas aposta e retórica

Mergulho de cabeça no absurdo
Para além deste crânio apertado
Ganhar novamente o mundo
Que na palma de minhas mãos
Um dia julguei fora de perigo
Mas o tempo tudo corrói
Não livra mundo nem mãos
Mas mesmo o tempo tem seu vazio
Uma brecha invisível
Que mantém acesa a chama
De um vórtice que pertime perceber
Que Eu não sou apenas eu
Sou aquele que invento
Para matar o tempo
O qual delira a contento
Para viver eternamente
Vestido com a égide da poesia

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3 comentários:

Lu Rosário disse...

..precisas perceber o sentido do amanhecer.

Beijos.

Lu Rosário
www.sempudor.blogs.sapo.pt

Vortex Project disse...

Sim, acho que todos precisamos. Considero-o uma brecha no tempo, o recomeçar do infinito com hora marcada.
Momentos que permitem ao homem tocar o céu, brincar de deus e brigar contra o sol pelo centro do universo.
Porém, quando Ícaro ao perceber se encantou pela beleza da abóbada celeste, perdeu seus sonhos para o Egeu.
Isso claro em meu prisma poético-particular, pois aqui tocamos em um tema muito vasto, e podemos tratá-lo sob os mais diferentes pontos de vista. Tendo o poema neste caso, com sua dualidade, o intuito de portar-se como o crepúsculo, representando a coexistência do azul do dia e o escuro da noite em uma batalha sem fim (recomeçando a cada amanhecer).

Assim sigo pelas ruas da cidade. Não deixando levar pelas esquinas, mas também não podendo negar o que ali ocorre e ir contra fatos. Nesta difícil tarefa (luta) do dia a dia, tenho tido a poesia como forte aliada, ainda assim não uma panacéia (infelizmente).

Muito obrigado pelo seu coment, é um imenso prazer trocar idéias contigo!

Abs
to0T@l

F. Reoli disse...

Palavras de fogo amigão, com aqueles laranja e vermelho que queimam as retinas do sentido, em um pôr--de--sol qualquer... há braços!