sexta-feira, maio 30, 2008

O Sonho


Ontem eu sonhei que era feliz
Como nunca fora antes na vida.
Todos que jazem no derradeiro sono
Estavam inalteravelmente despertos...
(Em meu sonho não existia dor.)
Tudo era calmo como um abraço.

Não havia a indiferença dos gestos,
Nem a incomunicabilidade dos fatos.
Tudo era pleno como um dia de Sol.
Não havia lágrimas em meu rosto
E meu sorriso era vivo e eterno.

A palavras saudade estava apagada.
Tudo era tão veradadeiro por dentro
Como nunca antes em minha vida.
Ontem eu sonhei que era feliz...
Hoje eu não sonho mais...

sábado, maio 24, 2008

Durante um tempo foi assim ...

.
..................................I
O despertar


Começou pra ser assim
Perdeu-se por ficar assado
Abandonado sem perceber
Como inocência no passado


Colocou a mão no bolso
Foi quando deu por falta
Achou apenas um cartão vermelho
Na forma de um coração que chora


Mas ergueu a cabeça e viu
Que tudo que havia perdido
Flutuava ao seu redor
Ao alcance das mãos
E a um passo do pensamento


..................................II
O ápice


Correu aos pulos pelos verdes campos da consciência
Caçando as várias belas borboletas
Que por muito tempo insistira em não ver
E agora faiscavam sedutoras a sua frente


Pegava quantas conseguisse de uma vez
E jogava para dentro de si
Mas eram como estrelas no céu...
Mas também era grande sua fome...


Passou não medir esforços
Passou viver para caçar
Borboletas durante o dia
Estrelas durante o luar


..................................III
A lição


Certo dia tossiu uma borboleta
Transbordava de tantas
Passou mostrá-las para outros
Que assim como o seu passado ignoravam-nas:


Com a atenção voltada para moscas
Mantinham-se com a visão desfocada
Por parasitas sempre fáceis e disponíveis
Como daninhas brotando em todo lugar


Basta abrir a boca para que venham pousar
Basta mastigar para alimentar-se delas
Basta flertar com o fim
Para cercar-se delas


..................................IV
O registro


Moscas e borboletas propagam-se pelo ar
Ocupam o mesmo lugar no espaço
Nascem na mesma terra
Morrem no mesmo compasso


Permeiam tudo e nada
Transformam-se a cada segundo
Penetrando nas veias ao respirar
Fazendo do viver uma escolha


Vontade então intacta
Na luta de manter a chama acessa
Para não deitar com as moscas, sem antes caçar
As mais belas borboletas que
Fazem a vida se revelar.


Terra dos Cyborgs, não datado.
Charles Garreau




200total508

sábado, maio 17, 2008

Lágrimas de vidro


na agonia de minha vida
eu não quero mais chorar
e sentir as minhas lágrimas

-molharem o meu sorriso-

enquanto olho a eternidade
das coisas que passam (só)
em meu pensamento.

terça-feira, maio 06, 2008

A dor e o Corte

A Rodrigo Santos

Imagens fugidias de tempos vagos.
Brisa leve sobre a face entorpecida.
Do furor eterno recolhido em mim
Amanhece e estremece a dor infinda.

De peito nu e aberto recebo o delírio
A percorrer por todas as minhas veias
Como um deus lasciso e tempestuoso.
Fere-me a lembraça viva e corrosiva

Do vermelho das chagas abertas em flor
Pelos corpos pálidos das tardes violadas.
Oh!Prestito de sombras desencontradas...

Mas não lamenteis pelo meu infortúnio
Pois a lâmina fria que aos meus pulsos fere
Vem furtiva e exata de minhas próprias mãos.

Fabiano Silmes