sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A vitória e a derrota




O imperador ao saber que no seu reino se encontrava um velho sábio que há anos vivia em completo retiro nas montanhas, ordenou aos soldados do palácio que o trouxessem a sua presença para ter com ele.O imperador era tido por todos do império como: um intelectual brilhante, um filósofo excepcional e um poeta habilidoso com as palavras.E muito se falava sobre alguns de seus costumes, dentre eles um que o marcara desde a juventude; o que consistia em fazer perguntas enigmáticas aos sábios, filósofos e poetas do reino, sendo que estes nunca conseguiam satisfazer por completo a profundidade de suas perguntas.Quando o velho sábio foi posto a presença do imperador, este lhe reparou as roupas simples e gastas pelo tempo, as barbas longas e hirtas, e os gestos calmos que resumiam a simplicidade daqueles que vivem uma vida santa.O imperador demonstrando desdém e até mesmo desapontamento perguntou ao sábio:
_Em uma batalha um perde e o outro ganha é a ordem natural de todas as batalhas, porém quem é o vencedor?Quem vence ou quem perde?E se houve derrota poderá o derrotado proclamar-se vencedor?
_Meu senhor depende de como foi ganha a luta: se num combate entre dois oponentes um é aparentemente mais forte e o outro é aparentemente mais fraco, o primeiro sair derrotado prova que ele não era tão forte assim, mas, caso tenha sido o primeiro a vencer o segundo então não houve uma batalha, mas a consolidação de uma covardia...A vitória é relativa quando o combate é encerrado, muitas ocorrem quando não há luta nenhuma. A estes chamamos de combate perfeito.Combater sem pensar no resultado para vencer sem lutar, assim a vitória e a derrota se complementam como a luz e as trevas se delineiam e os dias e as noites se sucedem.Às vezes proclamar quem é o vencedor ou quem é o perdedor em um combate é tão insensato como entre o som e o silêncio apontar qual deles é o mais importante...Isto é tudo que sei senhor...
O Imperador olhou-o e disse:
_Suas palavras fluem com a transparência e a profundidade de um rio...Peço que mate minha sede, ensinando teus preceitos a este seu humilde discípulo que o esperava há tantos anos.E no derradeiro momento em que a noite já se encontrava inclinada silenciosamente sobre todo o reino, a luz do Satori havia sido acessa definitivamente no palácio...

4 comentários:

Camila Libanori disse...

Maravilhoso, que ótima maneira de ver um verdadeiro vencedor!
Por coincidência falo sobre vitóri em meu post!

bjO!

Lu Rosário disse...

Muito bom.

Precisava ler algo assim.

Beijão.

www.sempudor.blogs.sapo.pt

to0t41 disse...

Faço minhas as palavras dos demais.

abs

Lu Rosário disse...

Um beijo daquelesde cinema.. é um mimo.

www.sempudor.blogs.sapo.pt