terça-feira, fevereiro 12, 2008

Bloco de notas

Ao poeta que se revelou antes da morte

A realidade é a navalha que corta minha alma
A dor me criou e agora me transforma
O refúgio não vem de nenhuma direção
Assim me afogo nas lágrimas do adeus
Sussurrando como a leve brisa que sopra na madrugada

Da máquina faço minha testemunha confidencial
Através dos bits ressoarão minhas palavras não ditas
A solidão, minha última companheira
Faz-me ouvir o sermão do vento
Enquanto a noite encobre meu amargo destino

Os princípios se transformam num fim insípido
Eu num rei deposto pelo silêncio do medo
Acorrentado ao trono do desespero e
Envolvido na mortalha das razões
Consumo o único remédio que me alivia

Seu retrato sorrindo para mim.

120to0T4L208




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Um comentário:

Nano Costa disse...

a poesia é um belo retrato de nossas angustias, e um bloco de notas em branco será que é poesia?