quinta-feira, setembro 27, 2007

Tropa na mesa

Equipe de filme sobre o Bope debate com leitores e comandante da PM sobre polícia, drogas e violência
Ana Lúcia do Vale e Paula Sarapu e Zean Bravo
(Matétia jornal O DIA. http://www.odia.com.br )

Rio - Ator estreante e morador da Vila Kennedy, André Ramiro — revelado no papel de Matias, aspirante ao Batalhão de Operações Especiais (Bope), em ‘Tropa de Elite’ — resume a chance que o polêmico filme lhe deu: “Sou mais um favelado que não virou bandido”. O desabafo foi feito em debate que reuniu ontem, em O DIA, leitores do jornal, atores, o produtor do longa-metragem, Marcos Prado, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Angelo. A mesa contou ainda com o secretário de Segurança de São Gonçalo, Paulo Storani — ex-capitão do Bope e preparador do elenco —, e a juíza da 1ª Vara Cível do Rio, Flávia Viveiros de Castro, que negou pedido de grupo do Bope para impedir a exibição do filme.

Métodos de tortura usados pelo Bope em ‘Tropa’, a legalização das drogas e o duro convívio dos moradores de comunidades com a polícia foram temas da conversa. A juíza Flávia Viveiros defendeu que as drogas sejam legalizadas: “Sou favorável à liberação das drogas porque, enquanto for crime, estará associada ao poder ilícito. Não é liberar geral, mas enquanto for ilícito, a corrupção vai permanecer”.

Para o comandante da PM, que ainda não viu o filme, o tema deve ser debatido. “Se tem mercado consumidor, vai aparecer fornecedor. Mas não sei se legalizar diminui a violência”, ponderou.

Para Ramiro, a solução da segurança pública não está na polícia. “Não precisa ter mais polícia na favela. Precisa é de investimento em lazer, esporte e educação”, afirma.

Depois da pirataria sofrida pelo filme, foi criada na Câmara do Rio comissão especial para investigar violações de direitos autorais. “Era o que esperávamos. O primeiro debate foi sobre pirataria. A questão da droga é contundente. Outros debates virão”, diz Marcos Prado.


POLÊMICA: JUÍZA QUE IMPEDIU CENSURA AO FILME DEFENDE LIBERAÇÃO DAS DROGAS

DROGAS

“O filme mostra a droga em vários ambientes. Sou a favor da liberação das drogas porque, enquanto for crime, estará associada ao poder ilícito. Não é liberar geral, mas enquanto for ilícito, a corrupção permanece”.
Flávia Viveiros de Castro, juíza da 1ª Vara Cível

“Definimos hoje traficante e usuário pela classe social. Há uma sandice no Código Penal: pode usar, mas não pode vender. Temos que pensar nisso porque é onde minha tropa vai agir”.
Cel. Ubiratan Angelo, comandante-geral da PM

“Temos que entender o que acontece com essa juventude que tem tudo e espanca empregada doméstica, sobe o morro e vende drogas. Acho que se legalizar o uso de drogas, essa violência toda pode diminuir”.
Paulo Vilela, ator

TORTURA NO BOPE

“Nunca aprovei esse tipo de prática e desconheço que tenha ocorrido dentro do Bope, na época em que trabalhei lá. Significa que não é prática institucionalizada. Há casos isolados”.
Paulo Storani, secretário de Segurança de São Gonçalo e ex-Bope

“Amigos me contam que, nas escolas dos filhos, quando alguém faz alguma coisa errada, o outro fala: ‘Você vai para o saco’. Nas comunidades, as crianças dizem que querem ser do Bope, porque o filme traz cenas de violência, de tortura, do poder da força. Isso me preocupa”.
Ubiratan Angelo

“Todos estão impressionados com a reação positiva da platéia nas cenas de tortura. Aquilo ali é verossímil. A própria sociedade entende aquilo como uma prática aceitável para controlar as classes perigosas”.
Haydée Caruso, antropóloga do Viva Rio e UFF

POLÍCIA

“Ouço falar de duas polícias e três tipos de policiais no filme. Só há uma polícia. O policial que vai para o Bope já foi de batalhão convencional. A diferença é o emprego da tropa”.
Ubiratan Angelo

“As soluções são dadas a curto prazo e essas soluções aumentam o número de mortes de policiais, marginais e inocentes”.
Paulo Storani

CORRUPÇÃO

“Para integrar o Bope, existia seleção investigativa porque o policial devia ter, além de coragem, habilidade e adestramento físico, características morais. Já tivemos relatos de corrupção, como barganha das férias, mas a cada relato há ação para banir a conduta”.
Ubiratan Angelo

“Será que é interessante para a sociedade ter uma polícia correta? A sociedade é conivente, quando oferece R$ 50 ao guarda de trânsito”.
André Ramiro, ator

“A sociedade é muito conivente com a corrupção”.
Marcos Prado, produtor

PIRATARIA

“Quem compra? Sabe quantos quilos de feijão e arroz teria que deixar de comprar para assistir à cópia pirata? Será que é a classe mais humilde que consome o filme? Será que não é uma classe média que releva um ilícito?”
Flávia Viveiros de Castro

“O filme não foi nem lançado de verdade ainda e o primeiro debate que gerou foi sobre pirataria. A questão da droga é contundente. Outros debates virão”.
Marcos Prado

COMUNIDADE

“A população de favela fica com a alma lavada ao ver denúncias de polícia corrupta, embora seja muito generalizado”.
Isaías Ferreira, líder comunitário da Babilônia

“A solução para a violência nas comunidades não é a polícia. Comunidades não precisam de Caveirão. Precisamos de incentivos para não deixar o jovem de cabeça vazia”.
André Ramiro

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27/09/2007
toOT4L ..................................................

sexta-feira, setembro 21, 2007

segunda-feira, setembro 10, 2007

A última chama

nenhuma vontade
é tarde
nenhum sentido
é tardio
decididamente
nenhuma lágrima
decerá de nossos olhos
enquanto houver em nós
a intenção futura do riso.


Fabiano silmes

segunda-feira, setembro 03, 2007

Sim e Não

tem dias que sim
outros não
talvez os dias
tenham lá suas razões
de dia e noite
de sim e não.

Fabiano Silmes