segunda-feira, agosto 13, 2007

Folhas de outono


os dias são lamentosos
a esperança é um rio sem fim
nesta insistência em querer
um bem mais do que o querer
foge a luz ante a noite
eterna e humana...

entre tantos desenganos meus
meu corpo é uma casa sem chaves
aonde estou trancado por dentro
como se estivesse preso por fora...

estou livre e preso ao que sinto
enquanto observo em silêncio
os campos crescendo
as flores desbotando lentamente
as folhas das árvores mortas caindo
e o vento frio do entardecer
levando tudo embora...

Fabiano Silmes

6 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

O negócio é forçar o vento. Eu gosto daquele vento que sai varrendo tudo.

Beijos!

Lu Rosário disse...

A esperança é um rion] que corre constantemente e que a depender da época, encontra-se na cheia.
Os sentimentos, algumas vezes, são as poças de água que ficam ao lado do rio quando vêm a cheia.. mas que vai secando assim como as flores e folhas das árvores.

Quando vêm a próxima cheia o sentimento renova e acompanha a correnteza do rio. O bom seria nunca ser essa poça e seguir sempre com as águas fluviais.

Beijos.

To0T4l disse...

Deixemos que o vento carregue as folhas secas, mas também que o sol alimente novos brotos. "A esperança é um rio..", todo rio desagua no mar.
Belíssimo poema.
Abs.

O empírico disse...

Aproveite essa tranca e enxergue seu eu do lado de fora...

Giselli disse...

sim, te ler agora foi como ler alguns dos meus sentimentos. Me reconheci em tuas palavras. E me entendi um pouco mais quando escreve sobre a
"esperança que é um rio sem fim", sobre teu "corpo que é uma casa sem chaves", sobre o "vento frio do entardecer que leva tudo embora..."

basta dizer, absurdamente lindo!

Carito disse...

Vim conhecer o projeto de vocês e curti muito. Voltarei sempre. Com essas mudanças de está são... nem sempre salvo... está são e louco... quando a música da natureza dá outro outono... para aqueles que verão sempre algo mais...