sexta-feira, agosto 24, 2007

Canção para um mundo em guerra

aonde estiver guerra
faça-se paz
onde a paz estiver
faça-se luz
onde houver luz
faça-se agora e sempre
entanto que seja
infinito e calmo
como o sorriso
de uma criança sonhando.


Fabiano Silmes

segunda-feira, agosto 13, 2007

Folhas de outono


os dias são lamentosos
a esperança é um rio sem fim
nesta insistência em querer
um bem mais do que o querer
foge a luz ante a noite
eterna e humana...

entre tantos desenganos meus
meu corpo é uma casa sem chaves
aonde estou trancado por dentro
como se estivesse preso por fora...

estou livre e preso ao que sinto
enquanto observo em silêncio
os campos crescendo
as flores desbotando lentamente
as folhas das árvores mortas caindo
e o vento frio do entardecer
levando tudo embora...

Fabiano Silmes

quinta-feira, agosto 09, 2007

Pasto num campo de moedas
a procura das quase-extintas verdes-moitas-de-grama,

mas entre as rochas da cidade, a única coisa q nasce é grana.


Que brota na rua, cai dos prédios e transita pelas calçadas,
[a]traindo homens aos montes

, que avançam abruptamente ávidos, cegos pelo macio aroma da ilusão.



Eu caço a lótus, e seu fulgor olvidado
olho dentro dos olhos
e a desenho onde não acho

,
pois não só de destino vive o homem.

060total807

sexta-feira, agosto 03, 2007

O anti-poema

o sol faz ver
quem olha o sol
não vê nada
com lente escura
dá para
olhar e ver
escurecer o olho
dentro do olho
e o sol brilhar
escuro
o cu é uma
palavra
pequena e ao
mesmo tempo
palavrão
a cigarra não
fuma cigarro
o cigarro fuma
pulmão
a mente sabe
o que sentimos
ela faz a gente
sentir o que
sentimos
quando sentimos
o que ela quer
mas todo mundo
diz que o culpado
é o coração
que é um
músculo
que bate no peito
dizendo
que não é
o culpado não.


Fabiano Silmes