segunda-feira, junho 18, 2007

O dia de todos os dias

um dia comum
feito a imagem
e semelhança
de dia nenhum.

que vibre
e gere
como fruto
bênção
ou pecado
uma presença

que seja mais
forte do que
a saudade
mais intenso
do que o brilho
mais vivo do
que a morte

e que de desejo
arda em nosso
peito
uma ligeira
impressão
de liberdade
a preencher
a noite humana
com sua chama
sempre acesa

um dia apenas
que seja do homem
o seu destino

e que seja este dia
o dia de todos
por todos nós.


Fabiano Silmes

quinta-feira, junho 07, 2007

Um
Pouquinho
De
Tudo
E
Tudo
Fica
Um
Pouquinho.

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Nulidade engarrafada

Sol ardente
Mato e mente
Lixo espalhado
No canto dos muros
Ao pé do poste
Esqueleto das árvores de outrora
Na reta do agora
Onde o pensamento aflora
Na luta de ser alguma coisa
No mundo das coisas sobrepostas:
Mesa, chão
Prato, mesa
Cabeça, prato
Peruca, cabeça
Chapéu, peruca
Pássaros, chapéu
Nuvens, pássaros
Sol, nuvens
Céu, sol
Ardente, mato e mente
Tudo em seu lugar
Atracados à gravidade
Que permite às letras:
Retratar.

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Dirigível

Passado, retrovisor d´alma
Escora da vida, como espora fere
Fora de hora, amarga ida
Que ilumina a estrada

Foto viva, voz ativa
Cristalizada ao longe
Esculpida e escarrada
A cara do viajante

Rastro de todos os atos
Registro de cada acaso
Remédio dos descasos
Em tuas águas repousará meu amanhã.

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sexta-feira, junho 01, 2007

O canto de Orfeu

Ao poeta Leandro Ferreira Manhães

Ter nas mãos um sonho
E dele ser um instrumento.
A cada vôou ou chegada
Zelar para que fique intacto
Ao menos sua presença.

E que este sonho vivo e intenso
Seja aceso em noite densa,
como farol para os naufrágos
neste mar que a tudo encobre.

Aprender a ver e ouvir
Que no correr das horas tudo passa...
E principalmente viver a vida
Com consciência e cuidado
Com está chama
Que se leva no peito
Através de tanta aragem.

E sorrir triste,
Como se levasse um pássaro
Que não se pode manter
Prisioneiro das mãos por muito tempo.

Fabiano Silmes