segunda-feira, abril 30, 2007

Os adormecidos

Os homens dormem tranquilos
Em suas casas provincianas.
Os animais e as coisas dormem
Subjulgados pelo cansaço da lida
E da vontade das mãos apressadas.
O concreto e o abstrato dormem
Numa convenção de silêncio e entendimento mútuo.
O dia a noite e a eternidade dormem
Debruçados no para-peito do universo.
Deus e seus anjos dormem...no infinito...
(Da noite além da noite)
Só os sonhos estão acordados.

Fabiano Silmes

domingo, abril 29, 2007

A anunciação do poeta

Ao poeta Fernando Maia

É essa maneira de dizer
Não dizendo
De calar falando
Neste refúgio breve
Que impávido anuncias
Com palavas ainda
Com cordão umbilical
Que pende do mais alto sono
Ao delírio marcial da realidade
Toda a plenitude do poema
Rebentando os grilhões do impossível
Para o prenúncio da última
Estrela da madrugada
Que anuncia sonolenta
O seu profeta maior
Com seu estandarte de vento
E seu reino de sonhos
Brotando em flor
Pela pureza quase branca dos versos.

Fabiano Silmes

quinta-feira, abril 26, 2007

Momento Narrado pt. 86: Tênue

Pra lá da meia noite
Ouço uma discussão vinda da rua
Bêbados trocam impropérios
Sem respeitar nem mesmo o silêncio da lua

Espio através da janela
Apreensivo donde aquilo vai dar
Vejo mulheres com crianças no colo
Que tentam apaziguar

A coisa cresce feia
Ameaças explodem pra cá e pra lá
As mulheres ficam nervosas
E as crianças começam a chorar

Chega a galera do deixa - disso
Para enfim cessar o leva - e - traz
Na minha rua, treta que não termina em morte
É um raro motivo para dormir em paz.

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sexta-feira, abril 20, 2007

Ciclo de 1 Tema

-Pixa-
nasce pixe
cria pixar, forma pixação
da qual por sua vez sai pixador
morre pixando
-Pixado-

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terça-feira, abril 17, 2007

Silêncio & Palavras

Semeia nestes tempo loucos
De incerteza e de bocas seladas por dentro;
O silêncio dos olhos a romper
As palavras que não se ousam pronunciar.
Tudo se perde e se transforma desfigurado
No desperdicio das horas perdidas;
Em que os braços, as mãos e bocas
Se procuram e não se acham.
E o frio a percorrer por dentro
Sentencia feroz a semente;
A nascer,viver e morrer em vão,
Enquanto a cidade do corpo
Destituído de carne
Adormece no sonho da matéria brutalizada
Entre o silêncio e as palavras.

Fabiano Silmes

sábado, abril 14, 2007

O querer

O que dói não é a dor,mas o corte.
O que mata,às vezes liberta.
O que ama,às vezes detrói.
O que se deseja é o que se quer,
Mas nem sempre se tem o que se deseja,
Mas sempre se quer mais do que se tem.
E por isso tão cheios de querer
Às vezes nos sentimos vazios,
E vazios,revelamos nossa fraqueza.
Às vezes o mais forte chora,
E às vezes o mais fraco sorri ao seu destino.
No entanto,não chora e nem sorri o Destino.
Ele apenas vai seguindo o seu curso...
E como o correr de um rio sobre o seu leito
Vai refletindo toda a beleza do céu.

Fabiano Silmes

terça-feira, abril 10, 2007

Metafísico

Eu,uma pergunta
Sem resposta,
Uma resposta
Sem pergunta.
Eu,apenas eu
Respondo a pergunta
Que me faço
Ao viver em mim
Um ponto de interrogação
Antes do ponto final.

Fabiano Silmes

segunda-feira, abril 09, 2007

Bola de sonhos

Sonhos são análogos a uma bola durante uma partida de futebol. Ambos devem ser conduzidos com habilidade, para que não sejam roubados por adversários que se apresentam na forma de dificuldades diversas no campo de jogo da vida.

Assim como a bola, os sonhos precisam estar sempre à frente, para que não sejam perdidos de vista. É importante também que estejam milimetricamente próximos do próximo passo, do contrário, podem tornar-se inalcançáveis.

E um dos pontos incomuns que apresenta maior dificuldade, por exigir categoria, consciência e sensibilidade, é o momento do chute. Ato que livra de cima dos ombros o pesado fardo de conduzi-los (bola / sonho), permitindo que se respire de cabeça erguida, libertando das profundezas o suspiro de alívio, de quem doou o melhor de si. Tendo ou não feito o gol.

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