sábado, dezembro 29, 2007

Passagem


as folhas da árvore vieram
e um dia se foram no vento
a árvore ficou no centro
do bosque parada no tempo
a árvore um dia se foi..
o vento ficou no mesmo lugar.

Fabiano Silmes

sábado, dezembro 15, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O buraco


pelo buraco na telha eu vejo o céu

e as estrelas a me visitar a noite

o buraco é que me faz olhar pra cima.


Fabiano Silmes

quinta-feira, novembro 22, 2007

O despertar latárgico


a lagarta insiste sobre a planta verde
feia e triste se insinua desprezada
e em borboleta desprezando a tudo voa.


Fabiano Silmes

segunda-feira, novembro 12, 2007



Tendo o 1
não preciso de mais nada
para fazer 10, 100, 1000, 10 000 ...

121to0T4L107

Todos e nenhum

ser mais ou menos
um ser apenas

todos e nenhum
atuando dentro
da mesma cena

e o tempo
fechando as
cortinas por fora.

Fabiano Silmes

terça-feira, outubro 23, 2007

O Universo Homem

Tenho orgulho de apresentar aqui o meu
primeiro trabalho com a poetisa Lú Rosário.
Creio que apesar de estilos diferentes de
escrever,conseguimos sintetizar o nosso fazer
poético,de forma que a sintonia de nossas
idéias realizassem o poema.E aproveito para
dizer que a realização deste projeto,em que
ambos abraçamos firmemente, só foi possível
pelo respeito e dedicação que tivemos na
construção da obra.


a vida é como o mar imenso.
nas suas águas ora claras
ora turvas não se vêem peixes
mas homens em cardumes
em movimentos submersos.

às vezes ondas
altas, baixas, nada
de turbulências
inclinada
vida prosa ou poesia

e em cada destino uma espera
uma solidão feita e desfeita em
plena maresia, vem do mar algo
a ser achado um sentido
sem sentido uma coisa viva

o mar da vida é um universo que guarda
entre os seus segredos e mistérios
os homens que guardam em si
o próprio universo do mar.

Fabiano Silmes/Lu Rosário

(Lú foi muito bom ter escrito este
poema com você...Até a próxima ou
melhor o próximo!!)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Cores Invisíveis



Existem cores que se escondem por detrás das sombras do comum, nos cantos da rotina, escapando por debaixo dos nossos narizes dia após dia. Cores que para serem vistas, precisamos fechar os desatentos olhos e esticar ao máximo as antenas da mente, pois, como fantasmas que assombram nosso imaginário, aparecem apenas para quem realmente deseja vê-las. São sentinelas da alma que aguardam pela sentença do querer, para poder então despertar do imenso abismo criado pela correria do cotidiano. E assim erguerem-se cintilantes, diante de corações incrédulos surpreendidos por sentirem subir à tona sensações até então desconhecidas. Colorindo um novo mundo, onde a visão não é mais retida pela retina, onde o sentido perde a razão e a razão o sentido. O homem torna-se natureza novamente.
to0T4L

quinta-feira, setembro 27, 2007

Tropa na mesa

Equipe de filme sobre o Bope debate com leitores e comandante da PM sobre polícia, drogas e violência
Ana Lúcia do Vale e Paula Sarapu e Zean Bravo
(Matétia jornal O DIA. http://www.odia.com.br )

Rio - Ator estreante e morador da Vila Kennedy, André Ramiro — revelado no papel de Matias, aspirante ao Batalhão de Operações Especiais (Bope), em ‘Tropa de Elite’ — resume a chance que o polêmico filme lhe deu: “Sou mais um favelado que não virou bandido”. O desabafo foi feito em debate que reuniu ontem, em O DIA, leitores do jornal, atores, o produtor do longa-metragem, Marcos Prado, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Angelo. A mesa contou ainda com o secretário de Segurança de São Gonçalo, Paulo Storani — ex-capitão do Bope e preparador do elenco —, e a juíza da 1ª Vara Cível do Rio, Flávia Viveiros de Castro, que negou pedido de grupo do Bope para impedir a exibição do filme.

Métodos de tortura usados pelo Bope em ‘Tropa’, a legalização das drogas e o duro convívio dos moradores de comunidades com a polícia foram temas da conversa. A juíza Flávia Viveiros defendeu que as drogas sejam legalizadas: “Sou favorável à liberação das drogas porque, enquanto for crime, estará associada ao poder ilícito. Não é liberar geral, mas enquanto for ilícito, a corrupção vai permanecer”.

Para o comandante da PM, que ainda não viu o filme, o tema deve ser debatido. “Se tem mercado consumidor, vai aparecer fornecedor. Mas não sei se legalizar diminui a violência”, ponderou.

Para Ramiro, a solução da segurança pública não está na polícia. “Não precisa ter mais polícia na favela. Precisa é de investimento em lazer, esporte e educação”, afirma.

Depois da pirataria sofrida pelo filme, foi criada na Câmara do Rio comissão especial para investigar violações de direitos autorais. “Era o que esperávamos. O primeiro debate foi sobre pirataria. A questão da droga é contundente. Outros debates virão”, diz Marcos Prado.


POLÊMICA: JUÍZA QUE IMPEDIU CENSURA AO FILME DEFENDE LIBERAÇÃO DAS DROGAS

DROGAS

“O filme mostra a droga em vários ambientes. Sou a favor da liberação das drogas porque, enquanto for crime, estará associada ao poder ilícito. Não é liberar geral, mas enquanto for ilícito, a corrupção permanece”.
Flávia Viveiros de Castro, juíza da 1ª Vara Cível

“Definimos hoje traficante e usuário pela classe social. Há uma sandice no Código Penal: pode usar, mas não pode vender. Temos que pensar nisso porque é onde minha tropa vai agir”.
Cel. Ubiratan Angelo, comandante-geral da PM

“Temos que entender o que acontece com essa juventude que tem tudo e espanca empregada doméstica, sobe o morro e vende drogas. Acho que se legalizar o uso de drogas, essa violência toda pode diminuir”.
Paulo Vilela, ator

TORTURA NO BOPE

“Nunca aprovei esse tipo de prática e desconheço que tenha ocorrido dentro do Bope, na época em que trabalhei lá. Significa que não é prática institucionalizada. Há casos isolados”.
Paulo Storani, secretário de Segurança de São Gonçalo e ex-Bope

“Amigos me contam que, nas escolas dos filhos, quando alguém faz alguma coisa errada, o outro fala: ‘Você vai para o saco’. Nas comunidades, as crianças dizem que querem ser do Bope, porque o filme traz cenas de violência, de tortura, do poder da força. Isso me preocupa”.
Ubiratan Angelo

“Todos estão impressionados com a reação positiva da platéia nas cenas de tortura. Aquilo ali é verossímil. A própria sociedade entende aquilo como uma prática aceitável para controlar as classes perigosas”.
Haydée Caruso, antropóloga do Viva Rio e UFF

POLÍCIA

“Ouço falar de duas polícias e três tipos de policiais no filme. Só há uma polícia. O policial que vai para o Bope já foi de batalhão convencional. A diferença é o emprego da tropa”.
Ubiratan Angelo

“As soluções são dadas a curto prazo e essas soluções aumentam o número de mortes de policiais, marginais e inocentes”.
Paulo Storani

CORRUPÇÃO

“Para integrar o Bope, existia seleção investigativa porque o policial devia ter, além de coragem, habilidade e adestramento físico, características morais. Já tivemos relatos de corrupção, como barganha das férias, mas a cada relato há ação para banir a conduta”.
Ubiratan Angelo

“Será que é interessante para a sociedade ter uma polícia correta? A sociedade é conivente, quando oferece R$ 50 ao guarda de trânsito”.
André Ramiro, ator

“A sociedade é muito conivente com a corrupção”.
Marcos Prado, produtor

PIRATARIA

“Quem compra? Sabe quantos quilos de feijão e arroz teria que deixar de comprar para assistir à cópia pirata? Será que é a classe mais humilde que consome o filme? Será que não é uma classe média que releva um ilícito?”
Flávia Viveiros de Castro

“O filme não foi nem lançado de verdade ainda e o primeiro debate que gerou foi sobre pirataria. A questão da droga é contundente. Outros debates virão”.
Marcos Prado

COMUNIDADE

“A população de favela fica com a alma lavada ao ver denúncias de polícia corrupta, embora seja muito generalizado”.
Isaías Ferreira, líder comunitário da Babilônia

“A solução para a violência nas comunidades não é a polícia. Comunidades não precisam de Caveirão. Precisamos de incentivos para não deixar o jovem de cabeça vazia”.
André Ramiro

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27/09/2007
toOT4L ..................................................

sexta-feira, setembro 21, 2007

segunda-feira, setembro 10, 2007

A última chama

nenhuma vontade
é tarde
nenhum sentido
é tardio
decididamente
nenhuma lágrima
decerá de nossos olhos
enquanto houver em nós
a intenção futura do riso.


Fabiano silmes

segunda-feira, setembro 03, 2007

Sim e Não

tem dias que sim
outros não
talvez os dias
tenham lá suas razões
de dia e noite
de sim e não.

Fabiano Silmes

sexta-feira, agosto 24, 2007

Canção para um mundo em guerra

aonde estiver guerra
faça-se paz
onde a paz estiver
faça-se luz
onde houver luz
faça-se agora e sempre
entanto que seja
infinito e calmo
como o sorriso
de uma criança sonhando.


Fabiano Silmes

segunda-feira, agosto 13, 2007

Folhas de outono


os dias são lamentosos
a esperança é um rio sem fim
nesta insistência em querer
um bem mais do que o querer
foge a luz ante a noite
eterna e humana...

entre tantos desenganos meus
meu corpo é uma casa sem chaves
aonde estou trancado por dentro
como se estivesse preso por fora...

estou livre e preso ao que sinto
enquanto observo em silêncio
os campos crescendo
as flores desbotando lentamente
as folhas das árvores mortas caindo
e o vento frio do entardecer
levando tudo embora...

Fabiano Silmes

quinta-feira, agosto 09, 2007

Pasto num campo de moedas
a procura das quase-extintas verdes-moitas-de-grama,

mas entre as rochas da cidade, a única coisa q nasce é grana.


Que brota na rua, cai dos prédios e transita pelas calçadas,
[a]traindo homens aos montes

, que avançam abruptamente ávidos, cegos pelo macio aroma da ilusão.



Eu caço a lótus, e seu fulgor olvidado
olho dentro dos olhos
e a desenho onde não acho

,
pois não só de destino vive o homem.

060total807

sexta-feira, agosto 03, 2007

O anti-poema

o sol faz ver
quem olha o sol
não vê nada
com lente escura
dá para
olhar e ver
escurecer o olho
dentro do olho
e o sol brilhar
escuro
o cu é uma
palavra
pequena e ao
mesmo tempo
palavrão
a cigarra não
fuma cigarro
o cigarro fuma
pulmão
a mente sabe
o que sentimos
ela faz a gente
sentir o que
sentimos
quando sentimos
o que ela quer
mas todo mundo
diz que o culpado
é o coração
que é um
músculo
que bate no peito
dizendo
que não é
o culpado não.


Fabiano Silmes

segunda-feira, julho 23, 2007

Orquídea

Para Lu Rosário

tens medo e abre-te toda
em segredo como uma rosa
suavemente abre suas pétalas
para seram tocadas pelo beija-flor

Minhas mãos procuram-te
na exatidão do delírio
e encontra em fogo
o teu vulcão submerso
entre folhagens quase inexistentes

a tua fonte escondida resplandece

e corre tranquilo em teu rio o meu barco
a penetrar pelas ardentes águas do
teu desejo satisfeito em gozo
lágrimas e risos.

Fabiano Silmes

sábado, julho 14, 2007

Quintal Celeste



Ocupante de toda visão: espaço
Astros povoam tua imensidão
Invadem o pensar
E mantêm o equilíbrio

Revelas a face de minhas idéias inquietas,
A ribombar mente afora
Libertas das correntes corpóreas
Como pluma leve ao vento

Não sei mais onde meus passos me guiam
Mirar-te, firmamento, trás a certeza da incerteza
Porém descalço sinto as estrelas,
O embrião de um novo dia, e as possibilidades de um velho ser

Mas em ti não creio, nem posso crer.
Nada provas a ninguém
És rei, não réu.

Sonho apenas voar-te alto
Num sobre-salto da imaginação
Enquanto o mundo dissolve,
Serei tua lágrima.

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quarta-feira, julho 04, 2007

Insônia




Me sinto extremamente entediado.Certamente já deve ser mais de onze horas da noite, e eu já percorri quase todas as ruas de Copacabana.Estou quase vinte quatro horas acordado devido a está maldita insônia_ que nestas últimas semanas vem me martirizando_ até as quatro e meia da madrugada quando às vezes adormeço para acordar às sete e quinze da manhã; exausto, com os ossos moídos e uma frustração que me deixa de mal humor durante todo o dia.
Minhas pernas dão sinais de cansaço enquanto sigo. imagens repentinas me assaltam. Penso em Clarisse e(...). acho que foi melhor para nós dois... ignoro a dor em minha perna esquerda e aperto ainda mais os meus passos. Meu pensamento é um turbilhão de imagens confusas; Tudo parece estar girando dentro da minha cabeça .Lembro-me do encontro casual que tivera com um dos meus alunos alguns quarteirões atrás, e como ele mal disfarçava sua perplexidade por ver-me com esta doméstica aparência. Certamente ele também já sabia de tudo... Depois de algumas cordialidades formais. Disse-me num tom de voz que acalentava um receio de irônia: - Quem vive está sujeito a se embreagar de bons e maus momentos, é inevtável,mas o importante é que as ressacas sejam todas curadas em um bar qualquer sob o olhar atento de algum garçon impaciente pra fechar o estabelecimento depois de um cansativo dia de trabalho. E recitou-me ainda um poema do Bandeira em que os versos: - A vida é traição/ e saudava a matéria que passava/ liberta para sempre da alma extinta. Ficaram martelando em minha cabeça. Quando nos despedimos, o vendo se afastar lentamente, pude notar por seus passos que ele estava ébrio. Numa decisão momentânea. Eu o gritei e perguntei onde podia curar a minha... Ele virou-se numa mistura de espanto e riso e falou: -Na Avenida Atlantica tem uns lugares muito bons pra isso . E se foi noite adentro molhado pelos faróis dos carros que passavam ignorando os sinais. Estou me arrependendo por seguir a idéia do meu aluno, em verdade estou me sentindo estúpido por seguir uma babaquice tão idiota. Chego enfim a Avenida Atlantica. E olho displicentemente alguns possíveis lugares para afogar minhas mágoas e esquecer de(...) Até que encontro um lugar que se encaixa perfeitamente à esta idéia. Reluto em entrar, mas como já andei tanto e estou aqui. Resolvo levar a cabo meu objetivo. Ao entrar sou envolvido por um Samba, acho que é do Vinícius ou será do(...) A música dá ao ambiente certa dignidade nostálgica. Escolho uma mesa um pouco afastada da porta de entrada. Espero o garçom me atender, enquanto observo as mesas ao meu redor, noto que o bar está quase vazio, exceto por um pederasta gordo com um rapaz,três casais sentados em uma mesa póxima a porta e um velho de terno azul escuro e gravata listrada sentado em uma mesa ao meu lado. O pederasta gordo sorri maliciosamente para o rapaz, chama o garçom, paga sua conta e saem eufóricos. O velho bebe algo que presumo ser algum tipo licor. Enquanto observo os casais o garçom se aproxima com um olhar triste de Sísifo. Peço que ele me traga uma dose dupla de uísque com gelo. Ele sai e volta um pouco depois trazendo o meu pedido. Tomo um gole da bebida com certo desespero de sede. Quando volto meu olhar para os casais eles já não estão onde estavam; devem ter saído enquanto eu me distraí com o garçom. Agora só há o velho e eu no estabelecimento.Noto a ansiedade dos funcionários e lembro das palavras do meu aluno, deixo fugir em meu rosto um pequeno sorriso, mas logo o cubro com meu habitual estado de introspectividade. Sinto uma mão tocar em meu ombro direito e viro-me num sobressalto:_ é o velho. Ele se desculpa por ter me assustado e me pergunta se por acaso ele pode sentar-se comigo. Estranho seu pedido; mas ele explica que está esperando há horas o filho dele chegar e como ele não chegou até agora, acha que provavelmente não virá mais.Falo para ele puxar uma cadeira, que prontamente o faz sentando-se em seguida, falamos coisas relativas ao tempo e o calor que tem feito no Rio nestes ultimos dias.Então ele começa a me dizer que seu filho está atravessando um situação difícil e que por isso combinaram o encontro neste bar. Ouço sem muito interece sobre os problemas do filho dele...mas algo que ele está me dizendo me chama atenção..acho curioso o fato dele ter mencionado que o filho dele também sofre de insônia. o velho se desculpa por não ter se apresentado. Meu nome é Hernandez Santiago, ele me diz com uma voz rouca e cansada. Digo maquinalmente o meu nome. Estou pensando em Clarisse e naquela maldita discussão por causa da(...). Santiago me pergunta se estou com algum problema. Desconverso, mas ele insiste.Por alguns segundos há um muro de silêncio entre nós dois. Então eu abro o jogo e falo sobre a Clarisse e aquela(...) Santiago sorve as últimas gotas de sua bebida, eu o observo com certa expectativa. Santiago olha numa direção ignorada e começa a me falar se por acaso eu tenho medo de continuar sem a(...) Respondo que não, e ele sorri e me pergunta então porque estou fugindo de tudo. Calo-me sem respostas e Santiago numa voz paterna me diz que se não houvesse os erros jamais conheceríamos os acertos, que eu errei no que fiz, mas que isso não significa que eu deva viver constantemente com medo de fracassar outra vez. Eu falo da dor que causei a Calrisse e a(...) mas ele me fala que as pessoas são diferentes em seus sofrimentos mas são iguais em suas dores, que se eu causei dor a alguém eu também estou sentindo. Explico a ele que não é exatamente dor que eu sinto mas um remorso de culpa. Ele pigarreia, e dizendo novamente em voz paterna:_ Filho, por mais que está vida seja dura sempre acreditaremos num amanhã suave, pois a vida é feita de esperança,todos nós estamos sujeitos aos erros porque as vezes não temos muito tempo para pensar nas escolhas que fazemos...eu o interrompo e digo a ele que se pudesse voltar atrás mudaria tudo que aconteceu...Santiago retruca ao meu comentário dizendo:_ aquele que exige muito de si acaba com o passar do tempo exigindo dos outros aquilo que não foi capaz de realizar em si mesmo. Fico pensando no que Santiago me disse enquanto ele faz outro pedido ao garçom. Santiago vira-se e conclui:_ todo mundo cai neste erro mas o importante é que após o tombo,limpe a poeira e siga em frente,por que às vezes as maiores realidades são aquelas que estão perdidas em nossos sonhos...e com certeza você jamais os alcançaram se permanecer caido à espera da piedade de uma mão qualquer para levanta-lo.Na verdade neste momento por mais que alguém queira te ajudar não poderá faze-lo;pois a culpa que carregas está dentro de ti...tento pensar em algo pra falar mas as palavras me faltam.Meus olhos mergulham dentro do meu copo já vazio, como se procurasse no distinto gesto, extrair todas as respostas que carrego comigo.O garçom se aproxima e serve a Santiago outro copo do que fico sabendo ser Absinto com gelo e me pergunta se eu quero beber mais uma dose. penso um pouco e falo que não, peço a conta, converso um pouco mais com o Santiago. O garçom traz minha conta eu o pago, me despeço do velho e saio. A noite está fria e eu estou lúcido e calmo, ao meu lado passam alguns turistas abraçados com prostitutas, uma sirene ao longe une-se ao movimento noturno das ruas de Copacabana.Acendo um cigarro e dou uma tragada, sinto a fumaça aos poucos invadindo meus pulmões e a solto devagar até ve-la disolver no vento. estou com sono, não sei que horas são. Digo pra mim mesmo bem baixinho que as ressacas da vida se curam no bar. Estou curado? Não importa, estou com sono e sei que o dia não tarda em nascer. Há uma revolução de coisas em minha vida e em meu pensamento. E eu, só quero dormir.

Fabiano Silmes

segunda-feira, junho 18, 2007

O dia de todos os dias

um dia comum
feito a imagem
e semelhança
de dia nenhum.

que vibre
e gere
como fruto
bênção
ou pecado
uma presença

que seja mais
forte do que
a saudade
mais intenso
do que o brilho
mais vivo do
que a morte

e que de desejo
arda em nosso
peito
uma ligeira
impressão
de liberdade
a preencher
a noite humana
com sua chama
sempre acesa

um dia apenas
que seja do homem
o seu destino

e que seja este dia
o dia de todos
por todos nós.


Fabiano Silmes

quinta-feira, junho 07, 2007

Um
Pouquinho
De
Tudo
E
Tudo
Fica
Um
Pouquinho.

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Nulidade engarrafada

Sol ardente
Mato e mente
Lixo espalhado
No canto dos muros
Ao pé do poste
Esqueleto das árvores de outrora
Na reta do agora
Onde o pensamento aflora
Na luta de ser alguma coisa
No mundo das coisas sobrepostas:
Mesa, chão
Prato, mesa
Cabeça, prato
Peruca, cabeça
Chapéu, peruca
Pássaros, chapéu
Nuvens, pássaros
Sol, nuvens
Céu, sol
Ardente, mato e mente
Tudo em seu lugar
Atracados à gravidade
Que permite às letras:
Retratar.

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Dirigível

Passado, retrovisor d´alma
Escora da vida, como espora fere
Fora de hora, amarga ida
Que ilumina a estrada

Foto viva, voz ativa
Cristalizada ao longe
Esculpida e escarrada
A cara do viajante

Rastro de todos os atos
Registro de cada acaso
Remédio dos descasos
Em tuas águas repousará meu amanhã.

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sexta-feira, junho 01, 2007

O canto de Orfeu

Ao poeta Leandro Ferreira Manhães

Ter nas mãos um sonho
E dele ser um instrumento.
A cada vôou ou chegada
Zelar para que fique intacto
Ao menos sua presença.

E que este sonho vivo e intenso
Seja aceso em noite densa,
como farol para os naufrágos
neste mar que a tudo encobre.

Aprender a ver e ouvir
Que no correr das horas tudo passa...
E principalmente viver a vida
Com consciência e cuidado
Com está chama
Que se leva no peito
Através de tanta aragem.

E sorrir triste,
Como se levasse um pássaro
Que não se pode manter
Prisioneiro das mãos por muito tempo.

Fabiano Silmes

terça-feira, maio 22, 2007

Dentro e fora

A fome da forma
A forma da fome

A fome de forma
A forma de fome

O corpo da forma
A forma do corpo

O corpo da fome
A fome do corpo

No vazio do corpo
A fome deforma

A forma do corpo
Em forma de fome.

(Fabiano Silmes/Emanuel de Jesus)

sexta-feira, maio 11, 2007

A vela e a chama

O corpo da vela
Acende a alma da chama.
Quando o corpo da vela se apaga
A chama morre.
E só há entre o tempo e o espaço
O grito vazio do silêncio estático.
As nuvens brancas se perdem no azul pleno do céu,
Rios correm em direção ao mar.
O céu e o mar se unem no horizonte infinito...
E dentro de distâncias impossíveis
O arco-iris é a ilusão dos olhos.

Fabiano Silmes

segunda-feira, abril 30, 2007

Os adormecidos

Os homens dormem tranquilos
Em suas casas provincianas.
Os animais e as coisas dormem
Subjulgados pelo cansaço da lida
E da vontade das mãos apressadas.
O concreto e o abstrato dormem
Numa convenção de silêncio e entendimento mútuo.
O dia a noite e a eternidade dormem
Debruçados no para-peito do universo.
Deus e seus anjos dormem...no infinito...
(Da noite além da noite)
Só os sonhos estão acordados.

Fabiano Silmes

domingo, abril 29, 2007

A anunciação do poeta

Ao poeta Fernando Maia

É essa maneira de dizer
Não dizendo
De calar falando
Neste refúgio breve
Que impávido anuncias
Com palavas ainda
Com cordão umbilical
Que pende do mais alto sono
Ao delírio marcial da realidade
Toda a plenitude do poema
Rebentando os grilhões do impossível
Para o prenúncio da última
Estrela da madrugada
Que anuncia sonolenta
O seu profeta maior
Com seu estandarte de vento
E seu reino de sonhos
Brotando em flor
Pela pureza quase branca dos versos.

Fabiano Silmes

quinta-feira, abril 26, 2007

Momento Narrado pt. 86: Tênue

Pra lá da meia noite
Ouço uma discussão vinda da rua
Bêbados trocam impropérios
Sem respeitar nem mesmo o silêncio da lua

Espio através da janela
Apreensivo donde aquilo vai dar
Vejo mulheres com crianças no colo
Que tentam apaziguar

A coisa cresce feia
Ameaças explodem pra cá e pra lá
As mulheres ficam nervosas
E as crianças começam a chorar

Chega a galera do deixa - disso
Para enfim cessar o leva - e - traz
Na minha rua, treta que não termina em morte
É um raro motivo para dormir em paz.

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sexta-feira, abril 20, 2007

Ciclo de 1 Tema

-Pixa-
nasce pixe
cria pixar, forma pixação
da qual por sua vez sai pixador
morre pixando
-Pixado-

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terça-feira, abril 17, 2007

Silêncio & Palavras

Semeia nestes tempo loucos
De incerteza e de bocas seladas por dentro;
O silêncio dos olhos a romper
As palavras que não se ousam pronunciar.
Tudo se perde e se transforma desfigurado
No desperdicio das horas perdidas;
Em que os braços, as mãos e bocas
Se procuram e não se acham.
E o frio a percorrer por dentro
Sentencia feroz a semente;
A nascer,viver e morrer em vão,
Enquanto a cidade do corpo
Destituído de carne
Adormece no sonho da matéria brutalizada
Entre o silêncio e as palavras.

Fabiano Silmes

sábado, abril 14, 2007

O querer

O que dói não é a dor,mas o corte.
O que mata,às vezes liberta.
O que ama,às vezes detrói.
O que se deseja é o que se quer,
Mas nem sempre se tem o que se deseja,
Mas sempre se quer mais do que se tem.
E por isso tão cheios de querer
Às vezes nos sentimos vazios,
E vazios,revelamos nossa fraqueza.
Às vezes o mais forte chora,
E às vezes o mais fraco sorri ao seu destino.
No entanto,não chora e nem sorri o Destino.
Ele apenas vai seguindo o seu curso...
E como o correr de um rio sobre o seu leito
Vai refletindo toda a beleza do céu.

Fabiano Silmes

terça-feira, abril 10, 2007

Metafísico

Eu,uma pergunta
Sem resposta,
Uma resposta
Sem pergunta.
Eu,apenas eu
Respondo a pergunta
Que me faço
Ao viver em mim
Um ponto de interrogação
Antes do ponto final.

Fabiano Silmes

segunda-feira, abril 09, 2007

Bola de sonhos

Sonhos são análogos a uma bola durante uma partida de futebol. Ambos devem ser conduzidos com habilidade, para que não sejam roubados por adversários que se apresentam na forma de dificuldades diversas no campo de jogo da vida.

Assim como a bola, os sonhos precisam estar sempre à frente, para que não sejam perdidos de vista. É importante também que estejam milimetricamente próximos do próximo passo, do contrário, podem tornar-se inalcançáveis.

E um dos pontos incomuns que apresenta maior dificuldade, por exigir categoria, consciência e sensibilidade, é o momento do chute. Ato que livra de cima dos ombros o pesado fardo de conduzi-los (bola / sonho), permitindo que se respire de cabeça erguida, libertando das profundezas o suspiro de alívio, de quem doou o melhor de si. Tendo ou não feito o gol.

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sexta-feira, março 23, 2007

O grito,o eco e o silêncio

Partirá de mim
O não saber das coisas
Quando por fim
A morte calar meu silêncio
E meu silêncio em clamor
De voz interrompida:
Gritar à minha ausência
No espaço onde em mim
Era a minha própria presença em voz.


Fabiano Silmes

quarta-feira, março 21, 2007

Por entre ladrilhos e janelas
As ruas estão escassas de passo
O eco é o som em que me acho.
A caminhar sobre o silêncio
Me levando ladeira a baixo
À imitar o movimento mudo da lágrima
Me desfaço.


Fernando Maia/Fabiano Silmes

quinta-feira, março 01, 2007

Flores de São Miguel


Retirado do ep "Simbioses", este poema do Fabiano é um retrato fiel de sua visão existencial. Registrado Aqui na voz do próprio autor.
...
to0T41
...

sábado, fevereiro 17, 2007

Morte de véspera

momento-erro-verdade
...
As folhas caem das árvores
O sol cai do céu
As ondas caem dos mares
As palavras no papel

Prisioneiro do devir
Chora lágrimas em cálices
Sofrendo por aquilo, que antes de partir
Já é causa de saudades

Homem aprenda a viver!
Não o futuro, mas o agora
Pois apenas com o anoitecer
Conhecemos uma nova aurora.

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terça-feira, fevereiro 06, 2007

Cores Invisíveis

Algo no nada
Tempo outorgado
Eu e você
Verbo conjugado
Silêncio afogado
Lágrimas secas
Limitado infinito
Homem criado
Enigmas no prato
Olhos serrados
Sentimentos empoçados
Perdidos no tempo
Máquinas e ruas
Esquinas e vielas
Cosmos: dentro / fora
Antes, depois, agora
Nada além:
O poeta, a poesia e o fazer poema.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

Dissertação sobre a natureza do que é oco

O que é oco tem dois lados:
O vazio que é dentro;
Que é parte sem carne
De algo que se pode pegar;
Como um tenis,uma garrafa ou um vaso.
E o fora que é o que se deixa pegar;
Como um pacote vazio ou uma bexiga cheia de Ar,
Envolta inerte por mãos que se distraem pelo que é fora;
Pelo que se mantém no espaço e no tempo,
Sendo uma embalagem pro nada,uma casca-coisa,
Do que não é próprio a se levar em mãos...
O fora quebra-se em cacos como um copo.
O oco vale pelo que é dentro
E não o que lhe é em aparência,
O que se deixa levar como objeto.
O que é oco,vale antes pelo nada
De seu interior-coisa;
Em que se leva sem se levar.


Fabiano Silmes

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Distância

Quando olho pra mim
Vejo outra pessoa
Me olhando
Vejo-me
Olhando
Uma paisagem
Distante
Onde pássaros
Tristes sobrevoam
Silênciosamente
Dentro da minha memória.


Fabiano Silmes

terça-feira, janeiro 09, 2007

A cara da desordem

Ordem
& ingresso
Progresso
Sem ordem
Na desordem
Do progresso
A ordem
Da desordem
É a ordem
Do progreso
Do congresso
Mudo e surdo
Ao absurdo
Do mundo
Da fome
De todo mundo
Em progresso
Pão e circo
Bandeiras em preto
Branco e vermelho
Enquanto o povo calado
Avança na avenida
Fazendo da fome
O seu carnaval


Fabiano Silmes

segunda-feira, janeiro 01, 2007

FeliZ007

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Estava lendo uma revista publicada a menos de uma semana, quando de repente tomei um baita susto. Pois, ao terminar a primeira linha do texto da matéria acima, tive a impressão de ter lido uma notícia futura (quem for de SG entenderá mais rápido), mas após a segunda linha a ficha caiu. Passado o susto – não a indignação –, ficou a lição que devemos ficar atentos para que amanhã isso possa ter sido realmente “apenas um susto”. .
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