domingo, novembro 12, 2006

"Apelo à imortalidade perecível"

Desfolhem-se,
E celebrem as pétalas caídas,
Submissas raízes arrancandas.
Limitados, olhemos inertes o amanhã.
Os anos crescem longe de nossas mãos.
Finquem o olhar na superfície fria
Dos sonhos paralíticos,
Mirem-se nas ações mutiladas.

Contemplem sedentos as águas passadas
E os moinhos de outrora,
Que jazem agora inoperantes
Como gigantes adormecidos.

Vamos podar o momento,
E fingir que ainda temos,
O que nos robou o tempo.
O outono é o asilo da alma,
E a alma é a folha que cai
Do corpo que se esquece
No profundo sono das estações.

Velemos a primavera,
Na flora de nosso rosto.
A mais bela flor exposta
Na taça murcha de um vinho envelhecido.

Que nos embriaguemos todos em nós mesmos,
Ainda que a sobriedade dos sentidos
Absorva cada gota de nossos sonhos;
E que sejamos sorriso ainda que tristeza
Que sejamos alívio ainda que dor,
Que sejamos fortes ainda que humanos,
Que sejamos todos da vida:O amor,
Único,puro, simples e sincero.

E que sejam todas as gotas
De nossos pequenos instantes...
Oceanos transbordantes de momentos nossos...
E que se façam os momentos breves
Em flores eternas de pétalas infinitas.


Fabiano Silmes

2 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

Simplesmente lindo!!!

E não tenho mais o que comentar diante disso!

Beijos!!!

ToOt41 disse...

Construindo um belo jardim.
Abs.