terça-feira, novembro 28, 2006

Poema cego

O que vejo agora
Não me diz nada
Do que realmente sinto...
E sinto muito por isso.

O que não vejo agora
Diz mais,muito mais
Do óbvio olhar sobre
Palhaços sem alegria
Reinos sem reis
Carnaval sem fantasia.

O deserto é que me tem
Cego pelo que não vejo
Eu vejo além...


Fabiano Silmes/Fernando Maia

terça-feira, novembro 21, 2006

Poema de fim de tarde

É tarde...
Lá fora chove...
O frio faz-se
Em foice;
A decepar em dois:
O seco e o úmido.
Lá fora chove...Implacávelmente
Uma seca chuva de estação.
Humanizo-me com as gotas,
Quando uma à uma caem
Transparentes e puras
E se perdem pelo chão.
Assim passam às tardes
De minha vida...Uma à uma,
Até que eu também
Me deite e me perca neste mesmo chão,
Onde por fim repousam todas as tempestades,
Que o Sol cobre com a sua luz
E o tempo com o seu esquecimento.
É tarde...E eu não sinto mais a chuva dentro de mim.


Fabiano Silmes

domingo, novembro 12, 2006

"Apelo à imortalidade perecível"

Desfolhem-se,
E celebrem as pétalas caídas,
Submissas raízes arrancandas.
Limitados, olhemos inertes o amanhã.
Os anos crescem longe de nossas mãos.
Finquem o olhar na superfície fria
Dos sonhos paralíticos,
Mirem-se nas ações mutiladas.

Contemplem sedentos as águas passadas
E os moinhos de outrora,
Que jazem agora inoperantes
Como gigantes adormecidos.

Vamos podar o momento,
E fingir que ainda temos,
O que nos robou o tempo.
O outono é o asilo da alma,
E a alma é a folha que cai
Do corpo que se esquece
No profundo sono das estações.

Velemos a primavera,
Na flora de nosso rosto.
A mais bela flor exposta
Na taça murcha de um vinho envelhecido.

Que nos embriaguemos todos em nós mesmos,
Ainda que a sobriedade dos sentidos
Absorva cada gota de nossos sonhos;
E que sejamos sorriso ainda que tristeza
Que sejamos alívio ainda que dor,
Que sejamos fortes ainda que humanos,
Que sejamos todos da vida:O amor,
Único,puro, simples e sincero.

E que sejam todas as gotas
De nossos pequenos instantes...
Oceanos transbordantes de momentos nossos...
E que se façam os momentos breves
Em flores eternas de pétalas infinitas.


Fabiano Silmes

terça-feira, novembro 07, 2006

Antes do amanhecer

Voas,ó soturna ave
que em teu breve vôou
exista lugar
entre o céu e a eternidade
onde possa enfim
este meu pensamento te libertar.


Fabiano Silmes

sábado, novembro 04, 2006

Musikai

O universo é a imensidão, no entanto,
Do sol para lá...
Percorro com apenas um tom.

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