quinta-feira, outubro 19, 2006

Rosa filosófica & visão comentada

Cada homem é uma ilha,
Cada ilha tem suas rosas,
Cada rosa compõe um ciclo,
Cada ciclo uma espera,
cada espera compõe uma vida,
Cada vida é uma gota no universo,
E o universo é uma rosa nas mãos de deus.


Escrito entre os anos de 2001/2002 o poema Rosa filosófica
Tem como fato incomum,o de ter sido composto por mim(Fabiano Silmes)
Em parceria com o poeta Emanuel de Jesus.O poema é uma espécie de condensação
sobre a existência,como também observou,o professor de literatura e língua
portuguesa,Maurício Leal,um ataque ao resquício Teocentrista,segundo o paradoxo
do ser e do nada,como podemos observar em seu artigo a seguir:


O poema fala de um mundo onde o homem é um ser isolado de seus semelhantes,ou pelo menos,não se comunica com outros entes.Apenas estabelece hierarquia a outro ser supremo(Deus)que determina tudo,manipula o destino das demais existências do universo.Nesse sentido,Deus passa ser o centro do cosmos(Teocentrismo).Deus é maior que o homem.A esse cabe apenas dar seguimento ao seu "ciclo"(vida)de forma passiva,triste e solitária.sua vida se esgota,se esvai com o passar do tempo que é inexorável,implacável.O tempo,não só para o homem como também para outros seres vivos,é carrasco,algoz da vida nesse mundo.E contra ele ninguém se embate.A anáfora reforça a idéia de a vida é rotina,uma constante espera do passar dos anos,meses,dias,horas...

Vestígios

O que o vislumbre é
no exato instante
que aos olhos tem
como forma concreta
é tua forma plena
antes idealizada
em sonhos voluptuosos.

Teu riso claro e eterno
luzindo como a mais alta estrela
na mais distante constelação
oriunda fonte profunda
em rio noturno convertido
intesa explosão líquida
a correr de forma desatada
pelos confins do corpo
escorrendo suavemente por seus grandes lábios
Oh!Riso farto por deleite causado.

Tal como flores brancas
que o vento acaricia e o desejo arranca
Difusa forma fluída
faz-se em vermelho das pétala pálidas
ornamento simétrico posto
ante ao altar sagrado
onde a paixão dorme de mãos dadas à razão
embriagadas pelo orgíaco vinho do instinto
antes preservado na forma simples
de um olhar contendo as chamas
que sentimos em nosso peito febril.

Tal coisa rara e imediata
feita de sensações e imagens
Imprimidas num instante brevíssimo
entre a verdade dos gestos
e o esqueecimento das formas.


Fabiano Silmes

Desintegração

Efêmero_era tudo
Tudo era noite
Tudo era dia
Tudo era aquela calçada
Tudo era aquela esquina vazia
Tudo era aquele momento
Em qe tudo se fazia_Efêmero

Nada é brilho
Nada é certeza
Nada é escuridão
Nada é vivo
Nada é morto
Nada era(e é)nada
Nada é tudo que temos
Tudo é esse momento
De efêmera eternidade.


Fabiano Silmes

terça-feira, outubro 17, 2006

O vento e os homens

Um Deus
também
é sonho
vontade
e intensidade.
Um Deus
é o vento
(in)ventando tudo
com sua presença
fria & indomavel
enquanto a vida;
Que é a nossa única
e insubstituível realidade
se deixa na tempestade
como uma criança
alegre e alheia
ao medo e a indiferença do vento;
Que para a criança
é apenas um momento de espera
para que o tempo;
Que é o pai da vida e da morte
amanse a tempestade
e ela possa enfim
domar a brisa que fica
para soltar sua pipa
lúcida e verdadeira,
por entre núvens e pássaros
em direção ao azul inalcansável.


Fabiano Silmes