segunda-feira, junho 26, 2006

O contra-senso

Não tem lugar,tudo está ocupado.
Já não tem lugar dentro e nem fora
que não esteja ocupado.
Em casa,na rua,no trabalho.
É tempo de urgências.
Já não há possibilidades de espera.
É tempo de pressa,
Que passa depressa.
Os ponteiros correm na
Velocidade antropofágica do dia.
Que é pouco,e é preciso
Que seja esticado, configurado
Em muitos,e não se permitem sobras.
Tudo está ocupado,não tem lugar
Entre papéis,normas e condutas
Para os afetos e compreeções mínimas.
Sublimes formas cotidianas
Perdidas em meio às distâncias humanas.
Já não há lugar, tudo está ocupado;
Sem amor,sem tempo e sem razão.

Fabiano Silmes

Um comentário:

maieiros disse...

percebe-se neste poema uma luta travada no corpo da inconformidade.A necessidade de esticar o dia, mostra o medo que a existencia por si só, semeia ao cotidiano.O espaço que apenas falta, o tempo que age como um bravo cão inimigo e tudo junto tece um monstro, frio e cruel, o existir.