sexta-feira, junho 30, 2006

Enquanto vivo

Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...

...Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...

...Respirando enquanto vivo...


...Respirando enquanto vivo...



...Respirando enquanto vivo.

150Total606

segunda-feira, junho 26, 2006

Insônia


Me sinto extremamente entediado, certamente já passam das onze horas da noite, e eu já percorri quase todas as ruas de Copacabana sem a menor idéia de como acabar com esta insônia- que nas últimas semanas vem me martirizando- até as quatro e meia da madrugada quando adormeço para acordar às sete e quinze da manhã; exausto, como ossos moídos e uma frustração que me deixa de mal humor durante o dia.
Minhas pernas dão sinais de um angustiante cansaço enquanto sigo, fazendo severas conjecturas; penso em Hellen, acho que foi melhor para nós dois... obstante da dor que se inicia no meu pé esquerdo, aperto ainda mais os passos, com uma súbita fúria repentina. Meu pensamento é um turbilhão de imagens confusas; Minha cabeça dói.Lembro-me do encontro acidental que tivera com um dos meus alunos alguns quarteirões atrás, e como ele mal disfarçava sua perplexidade por ver-me com esta doméstica aparência. Certamente ele também já sabia de tudo. Depois de algumas cordialidades formais. Disse-me , num tom de voz que acalentava um receio de ironia:
- Que as ressacas da vida deveriam ser curadas sob o olhar atento dos garçons impacientes para fecharem o estabelecimento, depois de um longo dia de trabalho.
Recitou-me ainda um poema do Bandeira em que os versos:
- A vida é traição/ e saudava a matéria que passava/ liberta para sempre da alma extinta.
Ficaram martelando em minha cabeça. Quando nos despedimos, o vendo se afastar lentamente, pude notar, por seus passos que ele estava levemente ébrio. Numa decisão momentânea. Eu o gritei, perguntando-lhe onde podia curar minha ressaca; Ele virou-se numa mistura de espanto e riso e falou:
-Na Avenida Atlantica tem uns lugares legais. E se foi molhado pelos faróis dos carros que passavam ignorando os sinais. Estou me arrependendo por seguir a idéia do meu aluno, em verdade estou me sentindo estúpido por seguir uma babaquice tão pueril. Chego enfim, olho displicentemente alguns possíveis lugares para afogar minhas mágoas. Até que encontro um, que se encaixa perfeitamente à esta idéia. Reluto em entrar, mas como já estou aqui. Resolvo levar a cabo meu objetivo. Ao entrar sou envolvido por um Samba...acho que é do Vinícius. A música dá ao ambiente certa dignidade nostálgica. Escolho uma mesa um pouco afastada da porta de entrada. Espero o garçom me atender, enquanto observo as mesas ao meu redor, noto que o bar está quase vazio, exceto por um pederasta gordo com um rapaz, uns dois casais e um velho. O pederasta gordo sorri maliciosamente para o rapaz, chama o garçom, paga a conta e saem eufóricos. O velho bebe algo que presumo ser licor de menta, enquanto observo os dois casais o garçom se aproxima com um olhar triste de Sísifo. Peço que ele me traga uma dose dupla de Uísque com gelo. Ele sai e volta um pouco depois trazendo o meu pedido. Minha dor de cabeça já havia cessado horas atrás. Tomo um gole com certo desespero de sede. Quando volto meu olhar para os casais eles já não estão onde estavam; devem ter saído enquanto eu me distrai com o garçom. Agora só há o velho e eu no estabelecimento...Noto a ansiedade dos funcionários e lembro imediatamente das palavras do meu aluno, deixo fugir um pequeno sorriso, logo o cubro com meu habitual estado de introspectividade. Sinto uma mão em meu ombro e viro-me num sobressalto; é o velho, ele se desculpa pelo susto que me causou e me pergunta se por acaso ele pode sentar-se comigo. Estranho seu pedido; mais ele logo vai me dizendo que esperava seu filho, mas como ele não tinha chegado até este momento, provavelmente não viria.Falo para ele puxar uma cadeira, o que o faz imediatamente. sentando-se em seguida, ele começa a me dizer que seu filho está atravessando um situação muito difícil. Sem mencionar ao velho acho que é muito semelhante ao que eu tenho passado ultimamente. Acho curioso o fato dele ter mencionado que seu filho está com sérios problemas de insônia. o velho se desculpa por não ter se apresentado. Meu nome é Hernandez Santiago, ele me disse com uma voz rouca e cansada. Digo maquinalmente o meu nome. Estou pensando em Hellen e naquela maldita discussão. Santiago me pergunta se estou com algum problema. Desconverso, mas ele insiste. Então, abro o jogo, ele sorve as últimas gotas de sua bebida, eu o observo com certa expectativa. Santiago olha numa direção ignorada e começa a me falar se por acaso eu tenho medo. Respondo que não e ele sorri e me pergunta então porque estou fugindo. Calo-me sem respostas e Santiago numa voz paterna me diz que se não houvesse os erros jamais conheceríamos os acertos, que eu errei, mas que isso não significa que eu deva viver constantemente com medo de fracassar outra vez, porque o fracasso não é o irmão do medo pois o medo é o próprio fracasso. Eu falo da dor que causei. Ele me fala que as pessoas são diferentes em seus sofrimentos mas são iguais em suas dores, e se eu causei dor a alguém eu também estou sentindo. Explico a ele que não é exatamente dor que eu sinto mas um remorso de culpa. Ele pigarreia, e dizendo novamente em voz paterna _ que por mais que a vida seja dura sempre acreditaremos num amanhã suave, pois não é que a esperança seja a última a morrer, somos nós que morremos antes mesmo dela nascer. Digo que se pudesse voltar atrás mudaria tudo que aconteceu, Santiago retruca dizendo que aquele que exige muito de si acaba com o passar do tempo exigindo dos outros aquilo que não foi capaz de realizar em si mesmo. Fico pensando no que Santiago me disse enquanto ele faz outro pedido ao garçom. Santiago vira-se e conclui que as vezes as maiores realidades são aquelas que estão perdidas em nossos sonhos, o garçom vem e o serve com outro copo do que fico sabendo ser absinto com gelo e me pergunta se eu quero beber mais uma dose. penso um pouco e falo que não, peço a conta, converso um pouco mais com Santiago. O garçom traz minha conta eu o pago, me despeço do velho e saio. A noite está fria e eu estou lúcido e calmo... Ao meu lado passam alguns turistas ingleses acompanhados com prostitutas. uma sirene ao longe une-se ao movimento noturno das ruas de Copacabana. Acendo um cigarro e dou uma tragada lenta e profunda, estou com sono, não sei que horas são. Digo pra mim mesmo bem baixinho que as ressacas da vida se curam no bar. Estou curado? Não importa, estou com sono e sei que o dia não tarda em nascer. Há uma revolução de coisas em minha vida e em meu pensamento. E eu, só quero dormir.
-



(Fabiano Silmes)

O contra-senso

Não tem lugar,tudo está ocupado.
Já não tem lugar dentro e nem fora
que não esteja ocupado.
Em casa,na rua,no trabalho.
É tempo de urgências.
Já não há possibilidades de espera.
É tempo de pressa,
Que passa depressa.
Os ponteiros correm na
Velocidade antropofágica do dia.
Que é pouco,e é preciso
Que seja esticado, configurado
Em muitos,e não se permitem sobras.
Tudo está ocupado,não tem lugar
Entre papéis,normas e condutas
Para os afetos e compreeções mínimas.
Sublimes formas cotidianas
Perdidas em meio às distâncias humanas.
Já não há lugar, tudo está ocupado;
Sem amor,sem tempo e sem razão.

Fabiano Silmes

sábado, junho 17, 2006

Flores de São Miguel

Estas são flores,
Suas pétalas, cores...
São dores...convertidas
Em um grito silêncioso e branco
como o pranto dos mortos,
Que murmuram como o vento
Em uma tarde de maio,
para dizerem em silêncio de palavras,
Que a força e a beleza da vida
Haverão de murchar e morrer com o tempo;
Assim como as flores
Que secam inutilmente sobre os túmulos
Do cemitério São Miguel.

Fabiano Silmes

segunda-feira, junho 12, 2006

Vortex Literário

Foi atualizada a seção de Literatura do Vortex Project, que desta vez apresenta um dos artistas mais atuantes na área literária de São Gonçalo, não é por acaso que ROMULO NARDUCCI vem se destacando a cada dia que passa. É um dos idealizadores do Noite na Taverna, evento mensal realizado atualmente na FASG (Fundação das Artes de São Gonçalo), onde é apresentado ao público artes em geral, com ênfase para a poesia.

Espinhos

Ah, não me pergunte sobre as rosas.
Nem daquelas de pétalas tal carne desnudas
que ao toque tênue da brisa desabrocham.
Rosas vermelhas, pálidas e cálidas;
rosas brancas que embelezam os túmulos
transformando lágrimas em murmúrios
velando a face ríspida inválida.

Mas não me pergunte sobre as rosas.
Nem daquelas que despedaçam ao coleio do vento
e que quando nuas não mais desabrocham.
Rosas negras, falsas e sinceras;
rosas que murcham ao grito algoz do tormento
e que dançam na noite ao relento
com as pétalas carnudas expostas.


Romulo Narducci
Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2000.


Leandro Ferreira
mangue_ras@hotmail.com
www.vortexproject.rg3.net