segunda-feira, fevereiro 27, 2006

O que seria se não fosse...

As ruas não acordaram entupidas de gente,
Os carros não corriam tão desesperadamente.
As chaminés não vomitavam cinzas no azul do céu.
Os homens nas calçadas se cumprimentavam
Como crianças no parque de diversão.
Os bandidos devolveram as jóias e a
Tranquilidade que contavam nossos avós.
Nenhuma bomba expludiu, enferrujaram-se
Os mecanismos de destruição.
Nossos nobres politicos, de mangas
Arregaçadas, finalmente fizeram o que
Nunca foi feito para o povo.
A fome aposentou-se, no seu lugar
ficou a fartura e a prudência.
Os policiais não mais se prendiam à lei,
As delegacias e os presídios soltaram
todos os convertidos na luz do novo dia.
E os soldados não mais se movimentavam
Como peças no tabuleiro dos generais,
E nem se matavam mais pela pátria.
Caíram-se as fronteiras dentro dos homens.
as crianças novamente brincaram inocentes
Sem o peso amargo do medo.
Os hospícios tornaram-se casas
Onde a saúde e a sensatez ceavam
Com os pacientes.
O Rio não mais devorava os pescadores...
Não mais sangravam os joelhos dos
Peregrinos e pecadores.
A luz finalmente podia entrar nas igrejas,
Sem ser impedida por paredes, muros e imagens.
O claro dia e a negra noite,
passeavam de mãos dadas,
Seria o fim do mundo, ou o nascimento do mundo?
Mas toda a estória que embalava o meu sono,
Desfez-se em pedaços,
destruído pelos barulhos que gritam as ruas.
A tristeza e a dor que emanam das calçadas.
E todas as belas imagens poluíram-se
Nas negras cinzas que vomitam as chaminés.
Mas tão rápido quanto as lágrimas que ganharam o meu rosto.
Escrevi este poema,
Com a minha pena triste e minha mão cansada.

Fabiano Silmes

Um comentário:

Vortex Project disse...

Caro, meus sinceros parabéns pelo envolvente texto, fico pensando cá com meus botões: enquanto há sonhos, respira a esperança? Ou tornaram-se os sonhos apenas miragens que anestesiam as dores do espírito há tempos afogado no amargo saudosismo da cega e ingênua crença infantil? Na qual os sonhos saum a acolhedora brisa do amanhã que nos espera.

Abs
Total.