sexta-feira, dezembro 29, 2006

Insígnia vermelha

O interior
Do interior
Da violência
Do interior
Do medo
Do desespero
Do medo
Da violência
Está por fora
E a agressão
Consta por dentro.

Fabiano Silmes

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Tree



















ToOt41


Achei ótima a entrevista com o Arnaldo Antunes publicada na revista Língua Portuguesa ed.13 (http://www.revistalingua.com.br), onde o poeta fala um pouco sobre expressões poéticas através de diferentes mídias.
Quem quiser conferir a revista, segue em pdf:







.

sábado, dezembro 09, 2006

Íris

Em meio ao mato abriu-se uma flor
Como a luz que rasga a escuridão
De prisma fez meus olhos
Refletindo um arco-íris de palavras
Revelado por minhas mãos.

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quinta-feira, dezembro 07, 2006

Achados & perdidos

Daqui por diante
vai ser assim...

Índios na diligência
Cinema mudo gritando silêncio
Palavra usada procurando sentido novo
E assim por diante...

É cada um por si
E eu por todos
Procurando Poesia
Dentro e fora de Mim...

Fabiano Silmes

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Prima Rosa: rima prosa

A Rima quer ensinar
A Prosa a rimar

Mas essa insiste em teimar
Que assim firmar-se-á.

E não admite não ser aceita verso.
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Aproveito para deixar aqui este link, um arquivo zipado com muitas obras do Leminski: Download
Abs
To0t41

terça-feira, novembro 28, 2006

Poema cego

O que vejo agora
Não me diz nada
Do que realmente sinto...
E sinto muito por isso.

O que não vejo agora
Diz mais,muito mais
Do óbvio olhar sobre
Palhaços sem alegria
Reinos sem reis
Carnaval sem fantasia.

O deserto é que me tem
Cego pelo que não vejo
Eu vejo além...


Fabiano Silmes/Fernando Maia

terça-feira, novembro 21, 2006

Poema de fim de tarde

É tarde...
Lá fora chove...
O frio faz-se
Em foice;
A decepar em dois:
O seco e o úmido.
Lá fora chove...Implacávelmente
Uma seca chuva de estação.
Humanizo-me com as gotas,
Quando uma à uma caem
Transparentes e puras
E se perdem pelo chão.
Assim passam às tardes
De minha vida...Uma à uma,
Até que eu também
Me deite e me perca neste mesmo chão,
Onde por fim repousam todas as tempestades,
Que o Sol cobre com a sua luz
E o tempo com o seu esquecimento.
É tarde...E eu não sinto mais a chuva dentro de mim.


Fabiano Silmes

domingo, novembro 12, 2006

"Apelo à imortalidade perecível"

Desfolhem-se,
E celebrem as pétalas caídas,
Submissas raízes arrancandas.
Limitados, olhemos inertes o amanhã.
Os anos crescem longe de nossas mãos.
Finquem o olhar na superfície fria
Dos sonhos paralíticos,
Mirem-se nas ações mutiladas.

Contemplem sedentos as águas passadas
E os moinhos de outrora,
Que jazem agora inoperantes
Como gigantes adormecidos.

Vamos podar o momento,
E fingir que ainda temos,
O que nos robou o tempo.
O outono é o asilo da alma,
E a alma é a folha que cai
Do corpo que se esquece
No profundo sono das estações.

Velemos a primavera,
Na flora de nosso rosto.
A mais bela flor exposta
Na taça murcha de um vinho envelhecido.

Que nos embriaguemos todos em nós mesmos,
Ainda que a sobriedade dos sentidos
Absorva cada gota de nossos sonhos;
E que sejamos sorriso ainda que tristeza
Que sejamos alívio ainda que dor,
Que sejamos fortes ainda que humanos,
Que sejamos todos da vida:O amor,
Único,puro, simples e sincero.

E que sejam todas as gotas
De nossos pequenos instantes...
Oceanos transbordantes de momentos nossos...
E que se façam os momentos breves
Em flores eternas de pétalas infinitas.


Fabiano Silmes

terça-feira, novembro 07, 2006

Antes do amanhecer

Voas,ó soturna ave
que em teu breve vôou
exista lugar
entre o céu e a eternidade
onde possa enfim
este meu pensamento te libertar.


Fabiano Silmes

sábado, novembro 04, 2006

Musikai

O universo é a imensidão, no entanto,
Do sol para lá...
Percorro com apenas um tom.

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quinta-feira, outubro 19, 2006

Rosa filosófica & visão comentada

Cada homem é uma ilha,
Cada ilha tem suas rosas,
Cada rosa compõe um ciclo,
Cada ciclo uma espera,
cada espera compõe uma vida,
Cada vida é uma gota no universo,
E o universo é uma rosa nas mãos de deus.


Escrito entre os anos de 2001/2002 o poema Rosa filosófica
Tem como fato incomum,o de ter sido composto por mim(Fabiano Silmes)
Em parceria com o poeta Emanuel de Jesus.O poema é uma espécie de condensação
sobre a existência,como também observou,o professor de literatura e língua
portuguesa,Maurício Leal,um ataque ao resquício Teocentrista,segundo o paradoxo
do ser e do nada,como podemos observar em seu artigo a seguir:


O poema fala de um mundo onde o homem é um ser isolado de seus semelhantes,ou pelo menos,não se comunica com outros entes.Apenas estabelece hierarquia a outro ser supremo(Deus)que determina tudo,manipula o destino das demais existências do universo.Nesse sentido,Deus passa ser o centro do cosmos(Teocentrismo).Deus é maior que o homem.A esse cabe apenas dar seguimento ao seu "ciclo"(vida)de forma passiva,triste e solitária.sua vida se esgota,se esvai com o passar do tempo que é inexorável,implacável.O tempo,não só para o homem como também para outros seres vivos,é carrasco,algoz da vida nesse mundo.E contra ele ninguém se embate.A anáfora reforça a idéia de a vida é rotina,uma constante espera do passar dos anos,meses,dias,horas...

Vestígios

O que o vislumbre é
no exato instante
que aos olhos tem
como forma concreta
é tua forma plena
antes idealizada
em sonhos voluptuosos.

Teu riso claro e eterno
luzindo como a mais alta estrela
na mais distante constelação
oriunda fonte profunda
em rio noturno convertido
intesa explosão líquida
a correr de forma desatada
pelos confins do corpo
escorrendo suavemente por seus grandes lábios
Oh!Riso farto por deleite causado.

Tal como flores brancas
que o vento acaricia e o desejo arranca
Difusa forma fluída
faz-se em vermelho das pétala pálidas
ornamento simétrico posto
ante ao altar sagrado
onde a paixão dorme de mãos dadas à razão
embriagadas pelo orgíaco vinho do instinto
antes preservado na forma simples
de um olhar contendo as chamas
que sentimos em nosso peito febril.

Tal coisa rara e imediata
feita de sensações e imagens
Imprimidas num instante brevíssimo
entre a verdade dos gestos
e o esqueecimento das formas.


Fabiano Silmes

Desintegração

Efêmero_era tudo
Tudo era noite
Tudo era dia
Tudo era aquela calçada
Tudo era aquela esquina vazia
Tudo era aquele momento
Em qe tudo se fazia_Efêmero

Nada é brilho
Nada é certeza
Nada é escuridão
Nada é vivo
Nada é morto
Nada era(e é)nada
Nada é tudo que temos
Tudo é esse momento
De efêmera eternidade.


Fabiano Silmes

terça-feira, outubro 17, 2006

O vento e os homens

Um Deus
também
é sonho
vontade
e intensidade.
Um Deus
é o vento
(in)ventando tudo
com sua presença
fria & indomavel
enquanto a vida;
Que é a nossa única
e insubstituível realidade
se deixa na tempestade
como uma criança
alegre e alheia
ao medo e a indiferença do vento;
Que para a criança
é apenas um momento de espera
para que o tempo;
Que é o pai da vida e da morte
amanse a tempestade
e ela possa enfim
domar a brisa que fica
para soltar sua pipa
lúcida e verdadeira,
por entre núvens e pássaros
em direção ao azul inalcansável.


Fabiano Silmes

sábado, setembro 30, 2006

Encontros & desencontros

Um dia desses,tomei coragem e marquei um encontro com uma mulher,interessantíssima,que já algum tempo vinha mantendo contato pelo MSN.
Havia em mim,aquela ansiedade natural de quem quer agradar,ou melhor,acertar no primeiro encontro;Pois afinal é como se diz no ditado popular:A primeira impressão é a que fica.Não que eu dê muita credibilidade a certos ditos,mas resolvi não arriscar;Se é de impressões que as pessoas vivem,não custa nada atende-las de vez enquando...Lesivo engano o meu...As roupas custaram-me os olhos da cara,as reservas do restaurante,uma facada só.Mas me faltava ainda o meio de transporte,pois o meu carro estava na oficina,e nessa altura do campeonato não pegaria nada bem chegar de ônibus.Nada contra os ônibus,mas eu só queria oferecer uma comodidade a ela que,infelizmente não é possível encontrar em um ônibus.
Pensei em alugar um carro,mas logo desisti da idéia,quando vi a tabela de preços do aluguel.
Já estava me batendo a maior deprê quando me lembrei de um amigo que mora próximo ao meu apê.Não custava nada tentar.E pra minha sorte, depois de uma série de cuidados que eu deveria ter em relação ao seu veículo,ele me emprestou o seu estimado carro,com a condição que eu o entregasse antes das nove horas da manhã.
Como bom brasileiro que sou,tudo estava resolvido em cima da hora,faltava uns vinte minutos para finalmente, conhecer Lígia ou melhor:amor_emsilencio,que era o nome que,ela usava em seu MSN.
Certamente vocês iram concordar comigo que,há sobre este psodônimo uma sensualidade sonora levíssima que nos desata até os nós da imaginação.
A noite estava linda...A boemia carioca ainda respirava e se refazia do debate presidencial que ocorrera na noite anterior. Não posso dizer que foi exatamente um debate,melhor seria dizer:A encenação de um debate...
O engraçado de tudo era eu,ao volante daquele carro,buscando mentalmente certas comparações sobre os pontos em comum,entre o debate presidencial e o primeiro encontro.
Naquele veloz momento, solitariamente acompanhado por outros carros, via claramente:A expectativa do convencimento,os discursos milimetricamente projetados,tudo e mais um pouco programado para dimensionar uma idéia.
Há nos debate políticos e nos primeiros encontros,toda uma santa e imaculada programação;tudo é devidamente pensado e repensado e pensado de novo;Gestos,palavras,olhares...
Só que as vezes,assim como nos primeiros encontros;Nos debates também ocorrem certos imprevistos.Como no debate de quinta-feira, aonde um dos candidatos que seria ali analizado,sob a ótica da ética democrática faltar.E os arsenais de perguntas morrerem nas gargantas como bombas que não causaram os efeitos desejados...
Mas retornando ao meu primeiro encontro com Lídia;Ela foi...Realmente linda e bela como a foto que ilustrava o seu MSN. Só hávia um imprevisto...Que de longe passaria despercebido.Descobriria ali porque ela usava o nome Amor_emsilencio.Ela era surda e muda.Desfeito do meu desejo de ouvir sua voz murmurar meu nome e longe dos pequenos imprevistos da política; Voltei para o meu apartamento e dormi com o silêncio.


Fabiano Silmes

quarta-feira, setembro 06, 2006

Nada de festa

A festa parecia ser diferente de todas as outras,dada naquele lugar decorado com cores hipnóticas.
Começando pelo motivo nada comum;O dia internacional do nada,a essa festa incomum deram o nome de cerebração do nada.
Muitos indagavam o porque do nome desa estranha celebração,e logo vinha um com a resposta na ponta da língua,facil diziam:_por que nada é nada,se existe o nada é porque existe alguma coisa.
Foi então que carlos um sujeito que até poderia se passar por sério se permanecesse calado,viu uma pequena e logo pensou,batata essa já está no papo.
Cercada por todos os lados a moça sorria constrangida diante a enxurrada de elogios e galanteios.
A casa repleta de convidados,que parecia ser o pedestal a qual sustentava a beleza pálida da pequena mais cobiçada da festa.
Carlos encheu o pulmão de ar e foi falar com aquela pérola que se fazia em colírio para os olhos sendento daquele pobre rapaz.
Ao declarar seus sentimentos de amor;Ela logo disse:_Você até que é legal, mas te achei feio,por favor não se ofenda,mas até lembrei dos clássicos de terror quando te vi,quero apenas sua amizade.
Depois daquela noite acharam o corpo de carlos enforcado em uma velha árvore no quintal.
O delegado designado para a investigação concluiu o caso,dando-o como mais um alto crime passional.
A pequena talvez já tenha até se casado e o pobre carlos foi adormecer com as frores na fria lousa.
Oh pobre carlos nunca soube que aquela menina chamava-se Rosa.


Fabiano Silmes

quinta-feira, agosto 24, 2006

Livro Sobre Nada

Muito me identifiquei ao folhear as páginas deste cativante livro do Manoel de Barros. Trazido a mim gentilmente pelo amigo Fabiano Silmes. Segue um de seus belos poemas.


Não é por me gavar
mas eu não tenho esplendor.
Sou referente pra ferrugem
mais do que referente pra fulgor.
Trabalho arduamente para fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre diabo que sofre de nobrezas.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.

Manoel de Barros


|o|Leandro|0|

domingo, agosto 20, 2006

Sangue-vivo & Simbioses


Sangue-vivo

Meu velho rascunho foi atacado por carrapatos,
Que mordiam as pautas e sugavam as palavras.
Matei um. Se espalharam letras para todo lado.

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A linda imagem(www.trekearth.com) é a que escolhi como capa do novo Ep "Simbioses", disponível na Tramavirtual:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=33182

|o|Leandro|o|

sexta-feira, julho 14, 2006

A longa objetividade das coisas

Breves são as flores
Misteriosa é a resistência das pedras
Indiferente é o vento frio que passa
Despreparados são os homens

Breves são os homens
indiferentes são as pedras
Misteriosa é a resistência do vento frio que passa
Beijando de leve as flores despreparadas.

Fabiano Silmes

sexta-feira, junho 30, 2006

Enquanto vivo

Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...

...Respirando enquanto vivo...
...Respirando enquanto vivo...

...Respirando enquanto vivo...


...Respirando enquanto vivo...



...Respirando enquanto vivo.

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segunda-feira, junho 26, 2006

Insônia


Me sinto extremamente entediado, certamente já passam das onze horas da noite, e eu já percorri quase todas as ruas de Copacabana sem a menor idéia de como acabar com esta insônia- que nas últimas semanas vem me martirizando- até as quatro e meia da madrugada quando adormeço para acordar às sete e quinze da manhã; exausto, como ossos moídos e uma frustração que me deixa de mal humor durante o dia.
Minhas pernas dão sinais de um angustiante cansaço enquanto sigo, fazendo severas conjecturas; penso em Hellen, acho que foi melhor para nós dois... obstante da dor que se inicia no meu pé esquerdo, aperto ainda mais os passos, com uma súbita fúria repentina. Meu pensamento é um turbilhão de imagens confusas; Minha cabeça dói.Lembro-me do encontro acidental que tivera com um dos meus alunos alguns quarteirões atrás, e como ele mal disfarçava sua perplexidade por ver-me com esta doméstica aparência. Certamente ele também já sabia de tudo. Depois de algumas cordialidades formais. Disse-me , num tom de voz que acalentava um receio de ironia:
- Que as ressacas da vida deveriam ser curadas sob o olhar atento dos garçons impacientes para fecharem o estabelecimento, depois de um longo dia de trabalho.
Recitou-me ainda um poema do Bandeira em que os versos:
- A vida é traição/ e saudava a matéria que passava/ liberta para sempre da alma extinta.
Ficaram martelando em minha cabeça. Quando nos despedimos, o vendo se afastar lentamente, pude notar, por seus passos que ele estava levemente ébrio. Numa decisão momentânea. Eu o gritei, perguntando-lhe onde podia curar minha ressaca; Ele virou-se numa mistura de espanto e riso e falou:
-Na Avenida Atlantica tem uns lugares legais. E se foi molhado pelos faróis dos carros que passavam ignorando os sinais. Estou me arrependendo por seguir a idéia do meu aluno, em verdade estou me sentindo estúpido por seguir uma babaquice tão pueril. Chego enfim, olho displicentemente alguns possíveis lugares para afogar minhas mágoas. Até que encontro um, que se encaixa perfeitamente à esta idéia. Reluto em entrar, mas como já estou aqui. Resolvo levar a cabo meu objetivo. Ao entrar sou envolvido por um Samba...acho que é do Vinícius. A música dá ao ambiente certa dignidade nostálgica. Escolho uma mesa um pouco afastada da porta de entrada. Espero o garçom me atender, enquanto observo as mesas ao meu redor, noto que o bar está quase vazio, exceto por um pederasta gordo com um rapaz, uns dois casais e um velho. O pederasta gordo sorri maliciosamente para o rapaz, chama o garçom, paga a conta e saem eufóricos. O velho bebe algo que presumo ser licor de menta, enquanto observo os dois casais o garçom se aproxima com um olhar triste de Sísifo. Peço que ele me traga uma dose dupla de Uísque com gelo. Ele sai e volta um pouco depois trazendo o meu pedido. Minha dor de cabeça já havia cessado horas atrás. Tomo um gole com certo desespero de sede. Quando volto meu olhar para os casais eles já não estão onde estavam; devem ter saído enquanto eu me distrai com o garçom. Agora só há o velho e eu no estabelecimento...Noto a ansiedade dos funcionários e lembro imediatamente das palavras do meu aluno, deixo fugir um pequeno sorriso, logo o cubro com meu habitual estado de introspectividade. Sinto uma mão em meu ombro e viro-me num sobressalto; é o velho, ele se desculpa pelo susto que me causou e me pergunta se por acaso ele pode sentar-se comigo. Estranho seu pedido; mais ele logo vai me dizendo que esperava seu filho, mas como ele não tinha chegado até este momento, provavelmente não viria.Falo para ele puxar uma cadeira, o que o faz imediatamente. sentando-se em seguida, ele começa a me dizer que seu filho está atravessando um situação muito difícil. Sem mencionar ao velho acho que é muito semelhante ao que eu tenho passado ultimamente. Acho curioso o fato dele ter mencionado que seu filho está com sérios problemas de insônia. o velho se desculpa por não ter se apresentado. Meu nome é Hernandez Santiago, ele me disse com uma voz rouca e cansada. Digo maquinalmente o meu nome. Estou pensando em Hellen e naquela maldita discussão. Santiago me pergunta se estou com algum problema. Desconverso, mas ele insiste. Então, abro o jogo, ele sorve as últimas gotas de sua bebida, eu o observo com certa expectativa. Santiago olha numa direção ignorada e começa a me falar se por acaso eu tenho medo. Respondo que não e ele sorri e me pergunta então porque estou fugindo. Calo-me sem respostas e Santiago numa voz paterna me diz que se não houvesse os erros jamais conheceríamos os acertos, que eu errei, mas que isso não significa que eu deva viver constantemente com medo de fracassar outra vez, porque o fracasso não é o irmão do medo pois o medo é o próprio fracasso. Eu falo da dor que causei. Ele me fala que as pessoas são diferentes em seus sofrimentos mas são iguais em suas dores, e se eu causei dor a alguém eu também estou sentindo. Explico a ele que não é exatamente dor que eu sinto mas um remorso de culpa. Ele pigarreia, e dizendo novamente em voz paterna _ que por mais que a vida seja dura sempre acreditaremos num amanhã suave, pois não é que a esperança seja a última a morrer, somos nós que morremos antes mesmo dela nascer. Digo que se pudesse voltar atrás mudaria tudo que aconteceu, Santiago retruca dizendo que aquele que exige muito de si acaba com o passar do tempo exigindo dos outros aquilo que não foi capaz de realizar em si mesmo. Fico pensando no que Santiago me disse enquanto ele faz outro pedido ao garçom. Santiago vira-se e conclui que as vezes as maiores realidades são aquelas que estão perdidas em nossos sonhos, o garçom vem e o serve com outro copo do que fico sabendo ser absinto com gelo e me pergunta se eu quero beber mais uma dose. penso um pouco e falo que não, peço a conta, converso um pouco mais com Santiago. O garçom traz minha conta eu o pago, me despeço do velho e saio. A noite está fria e eu estou lúcido e calmo... Ao meu lado passam alguns turistas ingleses acompanhados com prostitutas. uma sirene ao longe une-se ao movimento noturno das ruas de Copacabana. Acendo um cigarro e dou uma tragada lenta e profunda, estou com sono, não sei que horas são. Digo pra mim mesmo bem baixinho que as ressacas da vida se curam no bar. Estou curado? Não importa, estou com sono e sei que o dia não tarda em nascer. Há uma revolução de coisas em minha vida e em meu pensamento. E eu, só quero dormir.
-



(Fabiano Silmes)

O contra-senso

Não tem lugar,tudo está ocupado.
Já não tem lugar dentro e nem fora
que não esteja ocupado.
Em casa,na rua,no trabalho.
É tempo de urgências.
Já não há possibilidades de espera.
É tempo de pressa,
Que passa depressa.
Os ponteiros correm na
Velocidade antropofágica do dia.
Que é pouco,e é preciso
Que seja esticado, configurado
Em muitos,e não se permitem sobras.
Tudo está ocupado,não tem lugar
Entre papéis,normas e condutas
Para os afetos e compreeções mínimas.
Sublimes formas cotidianas
Perdidas em meio às distâncias humanas.
Já não há lugar, tudo está ocupado;
Sem amor,sem tempo e sem razão.

Fabiano Silmes

sábado, junho 17, 2006

Flores de São Miguel

Estas são flores,
Suas pétalas, cores...
São dores...convertidas
Em um grito silêncioso e branco
como o pranto dos mortos,
Que murmuram como o vento
Em uma tarde de maio,
para dizerem em silêncio de palavras,
Que a força e a beleza da vida
Haverão de murchar e morrer com o tempo;
Assim como as flores
Que secam inutilmente sobre os túmulos
Do cemitério São Miguel.

Fabiano Silmes

segunda-feira, junho 12, 2006

Vortex Literário

Foi atualizada a seção de Literatura do Vortex Project, que desta vez apresenta um dos artistas mais atuantes na área literária de São Gonçalo, não é por acaso que ROMULO NARDUCCI vem se destacando a cada dia que passa. É um dos idealizadores do Noite na Taverna, evento mensal realizado atualmente na FASG (Fundação das Artes de São Gonçalo), onde é apresentado ao público artes em geral, com ênfase para a poesia.

Espinhos

Ah, não me pergunte sobre as rosas.
Nem daquelas de pétalas tal carne desnudas
que ao toque tênue da brisa desabrocham.
Rosas vermelhas, pálidas e cálidas;
rosas brancas que embelezam os túmulos
transformando lágrimas em murmúrios
velando a face ríspida inválida.

Mas não me pergunte sobre as rosas.
Nem daquelas que despedaçam ao coleio do vento
e que quando nuas não mais desabrocham.
Rosas negras, falsas e sinceras;
rosas que murcham ao grito algoz do tormento
e que dançam na noite ao relento
com as pétalas carnudas expostas.


Romulo Narducci
Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2000.


Leandro Ferreira
mangue_ras@hotmail.com
www.vortexproject.rg3.net

quinta-feira, abril 13, 2006

O livro e a traça

A vida é o livro
que se escreve
quando vivo:
livro- romance;
Agre-sabor de literatura.
livro drama;
sem fins nem meios
ao alcance de todos.
Livro-infantil;
mundo de fantasia
nas linhas do nada.
Livro-médio
ou máximo livro
que encante
ou que dele
seja encantado,
mas que a vida
do livro que
somos mas não lemos.
_morte,traça implacável
que vai roendo
silênciosamente
as fantasias,
os dramas,
os romances
e tudo o mais que se
escreva dentro
e fora do livro,
até deixar em ossos
o próprio entendimento.

Fabiano Silmes

Sartre

Deste forma e corpo
Ao vazio sentido,
Não como roupa
Ou embalagem
A revestir a essência humana
De razão contrária,
mas com a um vaso
A guardar o ar.

Fabiano Silmes

quarta-feira, abril 05, 2006

Apelo inútil

Não precisa muito
Para preencher
Este vazio entre nós,
Vontade talvez
Do muito pouco ser,
Ser suficiente
Para amar-mos
Um ao outro
Até nos extinguirmos
Completamente,
Como tristes mariposas
Atraidas pelo fogo
A morrer sem razão.
Não precisa muito
Só um pouco de esquecimento
Ao momento em vão.
Onde este vazio
Foi crescendo e engolindo
As tentativas,
Os risos
E a memória.
Só deixando
Sobre o silêncio
Apenas a indigestível
palavra Não.

Fabiano Silmes

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

O que seria se não fosse...

As ruas não acordaram entupidas de gente,
Os carros não corriam tão desesperadamente.
As chaminés não vomitavam cinzas no azul do céu.
Os homens nas calçadas se cumprimentavam
Como crianças no parque de diversão.
Os bandidos devolveram as jóias e a
Tranquilidade que contavam nossos avós.
Nenhuma bomba expludiu, enferrujaram-se
Os mecanismos de destruição.
Nossos nobres politicos, de mangas
Arregaçadas, finalmente fizeram o que
Nunca foi feito para o povo.
A fome aposentou-se, no seu lugar
ficou a fartura e a prudência.
Os policiais não mais se prendiam à lei,
As delegacias e os presídios soltaram
todos os convertidos na luz do novo dia.
E os soldados não mais se movimentavam
Como peças no tabuleiro dos generais,
E nem se matavam mais pela pátria.
Caíram-se as fronteiras dentro dos homens.
as crianças novamente brincaram inocentes
Sem o peso amargo do medo.
Os hospícios tornaram-se casas
Onde a saúde e a sensatez ceavam
Com os pacientes.
O Rio não mais devorava os pescadores...
Não mais sangravam os joelhos dos
Peregrinos e pecadores.
A luz finalmente podia entrar nas igrejas,
Sem ser impedida por paredes, muros e imagens.
O claro dia e a negra noite,
passeavam de mãos dadas,
Seria o fim do mundo, ou o nascimento do mundo?
Mas toda a estória que embalava o meu sono,
Desfez-se em pedaços,
destruído pelos barulhos que gritam as ruas.
A tristeza e a dor que emanam das calçadas.
E todas as belas imagens poluíram-se
Nas negras cinzas que vomitam as chaminés.
Mas tão rápido quanto as lágrimas que ganharam o meu rosto.
Escrevi este poema,
Com a minha pena triste e minha mão cansada.

Fabiano Silmes

sábado, fevereiro 25, 2006

Por detrás do grito vazio


Com talo exposto a crua rua clama em hora infame
Sufocada pelo gotejar azedo dos transeuntes que pisoteiam-na

Sem convicção de suas dores mais sinceras
Ensaiam sinistras marchas funebres

Jornadas desatadas antes mesmo do primeiro passo:
Enferrujandas por vício ao dominador

Que sem mágoas pregam-se as costas já ulceradas
Para degustar o sofrimento fétido que condimenta a vida alheia.

(Ao amigo Max *1984 +2006)

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sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Momento narrado Pt.43

É noite
Ouço jazz
Caiu um temporal
Agora naum chove mais
Preciso ir para casa
O jazz naum deixa
Estou sequelado
Amarrado a cadeira
Lutando contra o sono
Pensando no q escrever
Mas naum há palavras
Há apenas pensamentos
Mas qual a diferença?
Essa altura da hora
Em que a folha já se encontra borrada
De idéias coloridas
Que destoam
Mas formam um belo mosaico
É jazz
Ouço a noite
E a diferença das palavras
É jazz
Ouço a noite
E a indiferença das palavras
Da escada que me espera
Da noite q naum
Da hora q passa
Do sono q naum,
É noite
Vou dormir ...

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quinta-feira, janeiro 26, 2006

Resumindo:

Fazemos fotografia, mas não possuimos câmera
Fazemos vídeos, mas não possuimos filmadora
Fazemos música, mas não possuimos instrumentos
Fazemos literatura, mas não publicamos livros

Um pc conectado a internet é a única ferramenta
Nascemos da reciclagem do lixo virtual
E aprendemos a caçar os vortex
Ocultos pela cortina do incontestável

Total
vortexproject.rg3.net

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ideologia Utópica

Certamente não se vive de Utopias, mas sem utopias não se vive: a utopia é a vida, a arte e suas infinitas possibilidades, é a capacidade humana de acreditar; no impossível e no improvável.
O pensamento utópico muita das vezes não se restringe a um indivíduo mas uma massa que difunde conceitos próprios de suas comunidades específicas (como forma de falar, vestir, agir e etc...) ou seja uma ideologia de vida. A ideologia é uma forma que as pessoas encontram como resposta aos absurdos do seu tempo. Mesmo que não se assuma uma postura ativa do pensamento de certas comunidades ideológicas , nenhuma pessoa se exime de ter em si algum conceito que delas é característico. A necessidade de criarmos ideologias em certo tempo é a mesma de desfaze-las tempos depois. hoje não podemos própriamente dizer que haja uma ideologia puramente comteporânea, pois vivemos em uma retrospectiva ideológica, articulada pela mídia, para anular qualquer pensamento que não seja embasado no consumismo exacerbado que ela representa. O fenômeno que ocorre hoje pela falta de novas perspectivas ideológicas leva-nos a crer: que não se vive de utopias , mas sem elas aceitamos calados o que nos é imposto, como rebanho.

Fabiano Silmes.